ALIANÇAS EM DEFINIÇÃO

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O governador João Alves Filho (PFL) teve mais um encontro ontem com o ex-governador Albano Franco (PSDB). Conversaram por longo tempo para a consolidação da coligação entre os dois partidos, que praticamente já fecharam a nível nacional. O encontro pareceu coberto de segredo, porque aliados dos dois não revelaram absolutamente nada sobre o que aconteceu. No final da tarde, Albano Franco reuniu-se com a cúpula tucana para relatar a proposta para uma aliança, como orienta a direção nacional dos dois partidos e determina a verticalização. Segundo informação de uma fonte, o ex-governador disse que João Alves Filho insiste em oferecer a indicação do candidato a vice em sua chapa. Albano Franco disputaria uma vaga de deputado federal. No encontro com os aliados, Albano teria insistido que é muito pouco, entretanto lembrou que havia impossibilidades de fazer uma aliança branca com o PT, alegando que poderia prejudicar as candidatura proporcionais do tucanato, que ficaria sem chances de uma coligação.

Quando deixou a reunião na sede do PSDB, o ex-governador Albano Franco e o deputado estadual Fabiano Oliveira foram para um salão de festas da Atalaia, onde se realizava a solenidade promovida pela TV-Atalaia, que brindava com o “Prêmio Augusto Franco 2005”, quem se destacou em diversos campos sociais, políticos e empresariais de Sergipe. Lá Albano e João Alves se encontraram pela segunda-feira vez no mesmo dia. Cumprimentaram-se, pousaram para fotos e sentaram-se à mesma mesa, ao lado da presidenta do Tribunal de Justiça, Marilza Maynard, e do deputado Fabiano Oliveira, como velhos amigos. Há alguns anos não faziam isso publicamente.

Realmente é possível que o ex-governador Albano Franco não tenha decidido absolutamente nada nesse encontro de ontem. Mas, as declarações do seu filho, empresário Ricardo Franco, que se encontrava no Rio de Janeiro, recém chegado de Londres, deixou a impressão que havia algo no ar: disse que “se não fosse consultado sobre as decisões do PSDB deixaria o partido e ficaria fora da campanha”. Acrescentou que “se não fosse ele o candidato a vice-governador indicaria o advogado Pedrinho Barreto”. Por que Ricardo estava falando em vice com o PFL, se antes de viajar ele já havia conversado com o ex-prefeito Marcelo Déda (PT), a quem avisou que era favorável a uma aliança branca, desde que o pai fosse o candidato ao Senado, em uma aliança branca? Plenário arrisca uma dedução: “Albano aceita disputar a vaga de deputado federal e vai indicar o vice”. O ex-governador já confidenciou a um correligionário que essa é a única maneira de manter a bancada estadual, alem de eleger dois parlamentares para a Câmara Federal: ele e Bosco Costa.

O governador João Alves Filho continuará hoje seus contatos para coligação. Amanhece conversando com o genro, José Amorim, em um café da manhã. Tratará de uma aliança com o PSC, partido que o pré-candidato a deputado federal Eduardo Amorim preside em Sergipe.

O pré-candidato a governador Marcelo Déda (PT) demonstrou, ontem, que tem pressa para fechar ou não uma aliança branca com o PSDB. Acha que é preciso decidir isso com uma certa urgência, para que defina a coligação que vai apoiá-lo. O PT quer apoiar Albano Franco em uma aliança informal, para ter ao lado os tucanos. De Salvador, onde embarcava para Brasília, Déda disse que teria conversas com deputados do PSDB sergipano, para que decidissem posição. Acha que não dá para esperar muito tempo. Precisa também assistir a seus aliados. Coincidentemente, o ex-governador Albano Franco viaja a Brasília. O governador João Alves Filho também, com o objetivo de votar no candidato do PFL a vice do pré-candidato tucano a presidente Geraldo Alckmin. Em termos de eleição do vice, Sergipe está fechado com o senador José Agripino (RN), mas nos entendimentos políticos é imprevisível o que possa acontecer.

A composição PFL/PSDB tem resistência dos deputados estaduais Jorge Araújo e Ulices Andrade, e do candidato Luiz Mittidieri. O deputado federal Bosco Costa também põe um freio nisso, mas seguirão a decisão do ex-governador Albano Franco. Na reunião do PSDB de ontem, Ulices disse que terá dificuldade de fazer com que seus leitores de Lourdes e Canindé do São Francisco votem em João Alves Filho.

 

 

RICARDO

Empresário Ricardo Franco (PSDB) avisou que se não for consultado sobre as indicações do seu partido para as eleições de outubro, pede desfiliação e se afasta da campanha.

Caso o PSDB indique o vice de João Alves Filho ele optar por ser ou indicar alguém de confiança do grupo. O nome do advogado Pedro Barreto é o de sua preferência.

 

ARTICULAÇÃO

Já está havendo articulação em torno do nome de Pedrinho Barreto como provável vice, inclusive através de político importantes.

Há uma dedução nisso: se Ricardo já fala em indicação do nome do PSDB para vice de João, é porque a aliança está prestes a ser fechada e anunciada.

 

ADIERSON

O empresário Adierson Monteiro (PSDB) tem trabalhado seriamente para ser o candidato a vice na chapa de João Alves, caso haja uma aliança com o PFL.

É muito difícil Adierson conseguiu chegar a essa posição tão expressiva, sem ter uma bagagem eleitoral que representa alguma coisa para a chapa.

 

ULICES

Durante a solenidade de emancipação política de Nossa Senhora de Lourdes o deputado Ulices Andrade (PSDB) decidiu o seu voto para governador do Estado.

“Meu voto pessoal é seu”, disse Ulices abraçando o ex-prefeito Marcelo Déda (PT), que estava ao seu lado no palanque.

 

JANTAR

Sábado passado, em sua residência, o deputado Ulices Andrade ofereceu um jantar a Marcelo Déda, José Eduardo Dutra e deputado Jackson Barreto (PTB).

Ulices declarou que não tinha condições de votar em João Alves Filho para governador, levando em consideração o que ocorre em cidades cujos prefeitos votam nele.

 

VIAGEM

O candidato do PT a governador, Marcelo Déda, viajou ontem a Brasília e deve conversar com o presidente Lula da Silva sobre as alianças em Sergipe, incluindo o PSDB.

Déda vai conversar com deputados do PSDB, sobre a questão da aliança branca com o PT. Terá um encontro com o presidente regional do PSDB, deputado Bosco Costa.

 

DUTRA

O ex-presidente da Petrobrás, José Eduardo Dutra (PT) que já lançou sua candidatura ao Senado, diz que continua esperando uma decisão do PSDB.

O próprio Marcelo Déda já dá os primeiros sinais de impaciência, porque acha que precisa saber a posição tucana, a fim de iniciar a estrutura de coligação com ou sem o PSDB.

 

PESQUISA

Uma pesquisa para consumo interno, saída do forno, animou correligionários de João Alves Filho, apesar da diferença desfavorável em Aracaju.

A pesquisa indica que em Capela o prefeito Marcelo Déda está muito bem, mas em Simão Dias dá um empate técnico com números iguais.

 

D. MARIA

Essa mesma pesquisa, que não é publicada por ser direcionada a análise interna, mostra que a senadora Maria do Carmo (PFL) está muito acima de todos os outros nomes citados.

Mantém-se no pódio desde quando circularam as primeiras avaliações e a cada pesquisa vai se colocando em posição privilegiada.

 

ALIANÇA

O PDT está trabalhando para reproduzir em Sergipe a aliança nacional de esquerda que está sendo discutida em Brasília, a informação é do presidente regional do partido, João Fontes.

Há cerca de um mês o P-SOL, PV, PPS e do PDT têm compromisso de atuar conjuntamente no Congresso, como oposição ao governo Lula da Silva.

 

CONVERSAS

Segundo o deputado federal João Fontes há uma deliberação conjunta dos membros do PDT de para conversar com todos os partidos.

Mas, se depender da posição dele (João Fontes), os pedetistas não farão aliança com o PSDB, mas frisou que essa é uma posição pessoal.

 

PAIXÃO

O ex-deputado Ivan Paixão (PPS), candidato a deputado federal, disse que a sua aliança em Sergipe é com o governador João Alves Filho (PFL).

“O próprio presidente nacional do partido, deputado Roberto Freire, sabe que minha posição é ao lado do governador”, disse.

 

AGÊNCIA

O nome da nova agência do Banese em Simão Dias, que está praticamente concluída, recebera o nome do avô de Marcelo Déda, ex-deputado Carvalho Déda.

Houve uma pressão de deputados e candidatos para que o nome fosse retirado. O governador João Alves Filho não interferiu e acha que seria pequeno tomar uma atitude dessas.

 

 

Notas

 

TRANSPOSIÇÃO

No mês e meio que resta para propaganda com verba pública antes da eleição, o governo tentará vencer resistências à obra com que Lula gostaria de marcar seu mandato, mas não conseguiu tirar do papel: a transposição do rio São Francisco. Em campanhas nacionais dirá que o governo fez “investimentos pesados” na revitalização do rio.

Alvo de uma disputa por investimentos públicos por parte dos Estados por onde o São Francisco passa, a transposição do rio foi suspensa por liminar concedida pela Justiça e, desde o final de 2005, aguarda uma decisão do STF.

 

REFORMA-1

O TSE deve decidir nesta semana se as regras introduzidas pela lei 11.300, deste ano (a chamada mini-reforma eleitoral), serão ou não aplicáveis às eleições de 2006. Foi o que informou o presidente do tribunal, ministro Marco Aurélio. A validade ou não das alterações na legislação eleitoral é de responsabilidade do colegiado.

“Está na Constituição federal, em bom vernáculo, que qualquer modificação normativa do processo eleitoral deve-se fazer com antecedência mínima de um ano, um ano consideradas as eleições” – declarou o ministro.

 

REFORMA-2

Se for validada pelo TSE, a legislação será aplicada com mudança em relação ao texto aprovado pelo Congresso. Os partidos políticos poderão apresentar imagens externas no horário eleitoral que começa a partir de agosto, já que o presidente Lula vetou o artigo 54 da lei, que visava a diminuir o custo das campanhas políticas.

O candidato governista poderá usar imagens das realizações da administração na propaganda eleitoral. E a oposição poderá usar imagens das comissões parlamentares de inquérito que têm investigado denúncias de corrupção.

 

 

É fogo

 

Não existe mais qualquer problema entre o deputado federal João Fontes e o vereador Fábio Henrique, ambos do PDT. Os dois têm consciência que isso não é bom para o partido.

 

O senador José Almeida Lima (PMDB) fez um pronunciamento sábado pela manhã a favor do lançamento de candidato a presidente da República pelo seu partido.

 

Almeida Lima faz oposição clara ao PT em todos os níveis e acha que o PMDB, com Antony Garotinho, tem condições de disputar o Senado.

 

O presidente do TSE, Marco Aurélio de Mello, sinalizou que as mudanças na lei eleitoral sancionadas nesta semana pelo presidente Lula da Silva não deverão valer para este ano.

 

Reunidos há duas semanas em São Paulo, 1.200 delegados petistas de todo país aprovaram uma política de alianças ampla. Exceto as coligações com PSDB e PFL.

 

Deu-se, porém, algo inusitado. Ninguém quer se associar formalmente à candidatura do presidente Lula à reeleição. Ou quase ninguém.

 

Só o PCdoB, aliado de todas as horas, manifestou o desejo de casar de papel passado com Lula. O partido, por minúsculo, não chega a constituir um reforço expressivo.

 

Mas é só com o PCdoB que o presidente Lula, candidato favorito em todas as pesquisas, conseguiu arrastar, por ora, para o seu palanque.

 

Quanto ao PSB, verifica-se que a legenda socialista pode até apoiar o presidente Lula da Silva informalmente. Mas dificilmente entregará o seu tempo de televisão ao presidente.

 

O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PCdoB) esteve em São Paulo, participando de reuniões do seu partido.

 

Clóvis Silveira, presidente do PTdoB está certo de que chegou a sua vez de representar os sergipanos na Assembléia Legislativa.

 

brayner@infonet.com.br

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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