ANENCEFALIA: MELHOR É PREVENIR

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O Brasil é o quarto país do mundo com o maior número de casos de anencefalia. Já está se tornando um grave problema de saúde pública. É preciso primeiro entender como se desenvolve essa anomalia congênita. Os defeitos congênitos são aqueles que aparecem concomitantemente ao nascimento, ou seja, antes, durante ou depois da concepção. Existem os chamados de Defeitos do Tubo Neural (DTN), onde se encaixam a anencefalia, a hidrocefalia, a meningomielocele e a espinha bífida.

A anencefalia é, portanto, mais uma manifestação de malformação do tubo neural do feto, por alguma falha durante o seu desenvolvimento. É um DTN em sua apresentação mais grave. Não existe cérebro bem constituído, há um desabamento ou ausência da calota craniana e isso não permite qualquer possibilidade de vida extrauterina, ou seja, após o parto, além de algumas horas ou dias. A anencefalia é um defeito congênito, que atinge o embrião por volta da quarta semana de desenvolvimento, ou seja, numa fase muito precoce. O diagnóstico pode ser feito a partir do terceiro mês de gestação por meio de uma ultrassonografia.

A chance de sobrevida por um período prolongado é absolutamente inviável. Alguns não precisam do auxílio de aparelhos e chegam até a serem levados para casa, mas vivem em estado vegetativo, sem a parte da consciência, que é de responsabilidade do cérebro. Já os casos de bebês que apresentam uma sobrevida maior – de até dois anos – os especialistas concordam que não podem ser consideradas anencefalias. Existe uma anomalia extremamente rara chamada merocrania – quando há resquícios do cérebro revestido por uma membrana que protege contra infecções e prolonga a expectativa de vida. Mesmo assim, todos os casos também culminam na morte.

As malformações são dramáticas, pelos tantos danos que impõem aos recém-nascidos afetados. Determinam sofrimento familiar imensurável, com envolvimento emocional de toda a equipe que assiste a gestante.

Os especialistas afirmam que a gestação de fetos anencefálicos apresenta alguns riscos. Como a criança não tem reflexos para engolir o líquido amniótico, ele fica retido no útero, que pode não contrair na hora do parto, provocando hemorragias. Outros problemas mais comuns em gestações de risco podem ocorrer, como desenvolvimento de hipertensão e deslocamento da placenta.

Mesmo que a anomalia seja detectada precocemente, não há mecanismos que possam ser adotados para salvar o feto.  A partir do diagnóstico as mães que queriam interromper a gravidez precisavam recorrer a uma decisão judicial, que normalmente demorava bastante. Recentemente, os ministros do STF decidiram pela regulamentação da interrupção da gravidez nesses casos: “Manifestar-se pelo direito à gestante, esclarecida e informada, à opção de manter ou interromper a gravidez por meio da antecipação terapêutica do parto, em caso de gravidez de fetos anencefálicos”. Segundo o Conselho Federal de Medicina, “a antecipação terapêutica do parto nos casos de anencefalia reforça a autonomia da mulher, para quem, nessas situações, a interrupção da gestação não deve ser uma obrigação, mas um direito a ser garantido”.

Muito se discute a interrupção da gravidez de fetos anencefálicos, mas pouca atenção se dá à prevenção da malformação.
Vários fatores que podem ocasionar o aparecimento de anencefalia, dentre eles estão: radiações, vírus, admi¬nistrações de determinadas drogas durante o período gestacional, contato direto com produtos tóxicos, sen¬do o fator de risco mais importante, a ausência de áci¬do fólico no metabolismo das mães gestantes.

São consideradas gestantes de alto risco para terem bebês anencéfalos, aquelas que usam medicamentos anticonvulsivantes (carbamazepina, ácido valpróico), diabéticas insulinodependentes e obesas.

Pretendo alertar as internautas leitoras deste blog e incentivá-las a ao uso contínuo e sistemático do ácido fólico, conduta a ser observada por toda a população feminina em idade reprodutora, que não estão utilizando nenhum método anticoncepcional, como meio eficiente de reduzir o risco de malformações fetais da categoria DTN (Defeitos do Tubo Neural). O acido fólico é um tipo de vitamina B, a vitamina B 9 e está presente em alimentos como levedo de cerveja, brócolis, alface, ovos, fígado bovino, tomate, espinafre, ervilha e outros.  O ideal é iniciar o ácido fólico uns dois meses antes da concepção, mantendo-o durante o primeiro trimestre da gravidez. A prevenção das DTN deve ser encarada como prioridade de saúde pública, atrelando à discussão da interrupção da gravidez, a discussão de seus fatores de risco (ambientais e antecedentes pessoais) e a sua prevenção.

A incidência de anencefalia tenderá a diminuição também se ocorrer melhoria no pré-natal. Gestantes de bebês anencéfalos que entrevistei recentemente revelaram que quando descobriram que estavam grávidas, já estavam com quatro a cinco meses. As dificuldades de acesso ao teste da gravidez na rede pública, também favorece ao diagnóstico tardio. O teste de gravidez deve ser feito assim que perceber o atraso menstrual e, a depender do caso, repetido por orientação do profissional de saúde.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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