Aonde essa violência vai chegar?

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As notícias de segunda-feira não são nada tranquilizadoras. Às 9 horas, registra a Infonet, uma mulher teve o carro tomado de assalto no estacionamento de um supermercado na avenida Adélia Franco. O ladrão foi violento, desferiu coronhadas de revólver contra ela, até executou disparos, antes de fugir com o veículo ao lado do comparsa que fazia a retaguarda.

Os bandidos, sem nenhuma vergonha ou medo, ganharam mais uma. Envergonhadas ficaram as incrédulas testemunhas, que nada podiam obstar. Ainda bem que não restou nenhuma vítima para engordar as estatísticas de mortes por armas de fogo.

Segunda-feira é dia do balanço macabro dos mortos do fim de semana. Neste agora o Instituto Médico Legal recolheu 36 corpos. Foram 15 vítimas de acidentes de trânsito e 13 homicídios. Dois jovens, um de 18 anos, foram assassinados na madrugada de sábado dentro de casa em Japoatã, pacato município do Baixo São Francisco. O último dos homicídios foi na noite do domingo, na Coroa do Meio, em Aracaju. Um rapaz foi morto a tiros por desconhecidos. Nesses crimes, quase sempre há envolvimento com o mundo das drogas.

O fim de semana anterior registrou o número absurdo de 18 homicídios, sendo seis deles na Grande Aracaju. Entre as vítimas estavam dois policiais militares mortos em assaltos, um no bairro Santos Dumont, em Aracaju, e outro no Pai André, em Nossa Senhora do Socorro. No total, 30 corpos passaram por necropsia, oito dos quais vítimas de acidentes automobilísticos.

Mais um fim de semana prolongado vem aí e o período propício ao descanso e lazer para a maioria, transforma-se num inferno para uma parcela da população. No último feriadão, 10 a 12 deste mês, de sábado a segunda-feira houve 16 mortes violentas, sendo 11 homicídios, quase todos na capital ou nos municípios que rodeiam Aracaju.
Houve tiroteio na Festa das Cabacinhas, em Japaratuba, pai e filho foram mortos em Rosário do Catete, um taxista foi assassinado num latrocínio em Laranjeiras, dois homens e uma mulher foram trucidados dentro de uma casa em São Cristóvão. Um casal também foi assassinado no centro de Itabaiana, onde na última sexta-feira aconteceu o homicídio de um jovem.

O número não é preciso, é a conta do que registra a imprensa, mas neste outubro, até o domingo, foram assassinados 87 sergipanos. Quase todos por armas de fogo. É estatística de país em conflito, como este vivido no Brasil, onde não há uma guerra declarada, mas se mata mais por arma de fogo do que em muitas nações oficialmente em guerra.

Em 2012, confrontos armados mataram 95 mil pessoas em todo o mundo, incluindo os mortos da Síria, México, Afeganistão, Colômbia, Sudão, Congo e outros países asiáticos e africanos. Segundo o Mapa da Violência 2015, na “guerra” do Brasil, mais de 42 mil perderam a vida naquele ano feridas por armas de fogo. Entre 1980 e 2012, mais de 880 mil brasileiros foram mortos por disparos de armas de fogo. É como se quase metade da população de Sergipe fosse dizimada.

E o número de mortes por armas de fogo cresce em ordem geométrica. Em 1982, pouco mais de 9 mil brasileiros morreram vítimas de disparos. Em 1992, mais de 21 mil. Em 2002, quase 38 mil. E mais de 42 mil em 2012. Em 30 anos, um crescimento de 367% no número de vítimas.

Em Sergipe, não foi diferente. Em 2004, o estado registrou 317 mortes por armas de fogo. Em 2012, esse número mais que dobrou, saltando para 658. Esses números constam do Mapa da Violência. No ano passado, números da SSP, foram relatados 999 homicídios, não só por armas de fogo, embora a maioria tenha sido por disparos.

É uma guerra que parece não ter fim, embora seja um alento saber que alguns estados estão conseguindo reduzir a criminalidade, como Rio de Janeiro, São Paulo e até Pernambuco. Proporcionalmente, Sergipe já está entre os estados onde ocorrem mais assassinatos por armas de fogo, 31,2 óbitos por 100 mil habitantes.

Sergipe está atrás de Alagoas (55,0), Espírito Santo (38,3), Ceará (36,7), Bahia (36,3), Paraíba (33,0) e Goiás (31,7). Mas ainda bem longe da média nacional de 21,9 mortos por disparos de armas de fogo por 100 mil habitantes. E muito atrás do número recomendado como aceitável pela Organização Mundial de Saúde, de 10 mortes violentas por grupos de 100 mil.

Incluindo todas as mortes violentas, o pequeno Sergipe já se aproxima dos 50/100 mil. Aonde vamos chegar com tanta violência? Quem souber, morre.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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