Aprenda a pensar de maneira criativa (*)

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O mundo atual requer que as lideranças pensem estrategicamente, tomem decisões rápidas e estejam – constantemente – atuando no presente e construindo o futuro. Parece muito simples, mas na verdade não é.  Como um hábito bem nordestino temos a tendência de não querermos pensar no futuro e, muito menos ainda, planejar, pois muitos acreditam que planejar é viver no sonho.

Na realidade esse é o maior desafio da atualidade. Num mundo tão volátil quanto o que vivemos é preciso estar o tempo todo “antenado” para poder enfrentar as crises não programadas e outros possíveis acontecimentos. Portanto, não dá mais para viver perigosamente um dia de cada vez sem pensar no futuro.

Talvez seja esse o nosso maior desafio. A cultura nordestina nos deixa presos em algumas premissas: sobrevivência, repetição, controle, competição e escassez.

Pensamos na sobrevivência sempre atrelados às possíveis benesses que poderemos receber seja dos nossos pais, dos amigos ou do Estado (municipal estadual ou federal). O que percebemos na maioria das vezes é que umas partes expressivas das pessoas que estão à frente das linhas de comando sempre acreditam que as suas empresas precisam ser favorecidas e raramente se concentram no mundo de oportunidades com as quais nos deparamos todo dia à medida que começamos a utilizar o pensamento criativo. Nessa hora lembro-me de um amigo que há 17 anos me falou iria trazer a franquia Scholl, muitos amigos em comum falavam para mim da “loucura” que ele iria fazer. Mas, os anos passaram e a custa de muito trabalho, seriedade e uma liderança inquestionável hoje já são três unidades AllPé em Aracaju. Portanto, o que pareceu um desafio naquela ocasião, não foi mais nada do que uma maneira de enxergar diferenciada.

Vivemos repetindo os erros constantemente. Não só repetimos os erros como repetimos o discurso organizacional.

Controlar tudo é a palavra chave. Como se controla demais a empresa não cresce até porque todos os funcionários se adaptam, em sua maioria, a esse controle, pois não vão precisar arriscar, não vão precisar pensar, não vão precisar se desafiar e, não precisarão se responsabilizar por nada. Poderão passar o dia tranquilamente na sua zona de conforto enquanto esperam que os problemas sejam previamente resolvidos pelo seu chefe para em seguida receberem a ordem de como deverão dar continuidade.

A competição acontece em todos os níveis imaginários possíveis. Há alguns anos atrás presenciei um líder empresarial deixar de fazer um negócio porque iria dar uma oportunidade a um concorrente. E o ouvi dizer: “Deixo de ganhar, mas fulano não ganha também.”.

Escassez é a palavra de ordem. Sempre se olha para o copo de águe enxerga apenas o que já bebeu e não o que ainda tem como possibilidade. Desenvolver pessoas é visto ainda como despesas. De maneira que a empresa não cresce porque o nível cultural é baixo. Outro dia um empresário me disse: “Não mando os empregados fazerem cursos porque não vou comprar jornal para outros lerem”.  Mas, na mesma semana conversando com outro empresário ele me disse que estava mandando um colaborador fazer uma pós-graduação porque acreditava que tinha que preparar a sua equipe e que mesmo que essa pessoa saísse da empresa já tinha trazido muita coisa boa. Portanto são dois mundos opostos, mas são realidades; vale considerar que a empresa do primeiro é dez vezes maior do que a empresa do segundo.

Portanto, no mundo volátil no qual vivemos não dá mais para pensar é que possível administrar as empresas como antigamente, não é mais possível de comunicar como antigamente, não é possível olhar para o cliente como antigamente, não é possível tratar a equipe como antigamente e, muito menos, pensar em administrar um negócio como antigamente.

Cada vez mais as lideranças precisam estar preparadas para saberem enfrentar a adversidade, a concorrência e singrar por oceanos cada vez mais vermelhos infestados de tubarões vorazes e rápidos.

Aqueles lideres que não prepararem o seu próprio plantel de futuros líderes vão sofrer bastante, aqueles líderes que não souberem desenvolver uma cultura na organização favorável à geração de ideias e, consequentemente, à inovação irão sucumbir rapidamente por mais lucrativo que seja o seu negócio atualmente. O mercado está cheio de estórias de empresas cinquentonas que desapareceram como num passe de mágica.

Mas, esse é o sinal dos tempos? Não claro que não. Lembro agora da estória de uma fábrica de calçados que mandou dois excelentes vendedores analisarem mercados em países africanos. Um dos vendedores chegou num determinado país e observou que as pessoas não usavam sapatos. Assustado ligou para a sua empresa e disse: “Olha, entramos num barco furado. Aqui não usam sapatos, vou voltar!”.

No dia seguinte o diretor recebeu uma ligação do outro vendedor: “Prepare-se, vamos ter um excelente campo de oportunidades. Aqui as pessoas não usam sapatos!”.

Neste segundo caso, o que o vendedor fez foi que ao invés de utilizar o pensamento focado no “Ciclo da Sobrevivência” [1] utilizou o seu pensamento focado na Espiral Criativa[2]: fartura, colaboração criativa, risco/aventura, possibilidades e criatividade. Eis a diferença.

Se você quiser aprender a pensar de maneira criativa, a solução está bem perto de você: Participe do X FÓRUM INTERNACIONAL DE INOVAÇÃO E CRIATIVIDADE.

 

(*) Fernando Viana

www.fbcriativo.org.br



[1] Sobrevivência, Repetição, Controle, Competição e Escassez

[2] Espiral Criativa, Fernando Viana, 2003.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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