Aracaju, capital brasileira da criatividade: uma possibilidade?

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Em janeiro de 2006 durante a realização do Fórum Econômico Mundial foi um ponto muito importante do evento a discussão sobre a necessidade de se resgatar a criatividade dos indivíduos para poder se resolver os problemas mundiais, já que os modelos convencionais de resolução dos problemas não estão sendo efetivos. Com essa preocupação disseminou-se em todo o mundo o entendimento que os problemas que a Humanidade está enfrentando não poderão ser resolvidos se continuarem sendo olhados da mesma forma. Isso vem sendo dito pelos mais diferentes cientistas do mundo, mas, até agora continua-se batendo nas mesmas teclas. O problema econômico mundial oficialmente declarado ao final de 2008 é justamente o resultado efetivo dessas preocupações.

 

“A aplicação da criatividade para resolver problemas nas organizações é a última fronteira disponível e inexplorada para a vantagem competitiva.”

David Thoreau

 

Em meados de 2008 a Comunidade Econômica Européia percebendo as dificuldades também de encontrar soluções para os seus problemas tanto no campo econômico como social resolve formalizar o ano de 2009 como “Ano Europeu da Criatividade e Inovação”.

Acredito que são sinais de convergência, ou seja, será que o mundo está acordando para essar realidade? Será que os executivos, empresários, gestores, dirigentes os mais diferentes começam a perceber que criatividade e inovação são “irmãs siamesas” e que não podem ser separadas e muito menos existir uma sem a outra?

Fala-se em inovação a todo momento, mas, a pergunta essencial é como vamos inovar se não permitimos que a verdadeira criatividade aflore nas empresas, nas escolas e nas universidades? Como inovar se os modelos mentais são antiquados, se as fórmulas de resolver problemas que teimamos em utilizar são as mesmas que dos nossos avós? Como inovar se as pessoas cada vez pensam menos, copiam mais e acreditam são espertas e inteligentes por isto? Como inovar se não resgatamos e educamos a qualidade do nosso pensamento? Como inovar se acreditamos que a criatividade é um “besteirol” e que todo mundo é criativo e pronto? Como inovar se o ensino é formatado, se a educação é vendida em prateleiras, se lemos muito pouco, conhecemos menos e copiamos mais?

A prof. Ruth Noller, falecida em 2008, e uma das grandes líderes da Creative Education Foundation, pressionada pelas empresas americanas que não entendiam o que seja criatividade definiu uma fórmula genial e até hoje não substituida para a criatividade: Criatividade = fat (Capacidade de Imaginar x Capacidade de Avaliar x Conhecimento); ou seja, a criatividade é uma função das nossas atitudes, a qual por sua vez está associada às nossas capacidades de imaginar, avaliar e do nosso conhecimento. Portanto, antes de qualquer coisa, se quiseremos e pretendermos ter indíviduos – verdadeiramente – criativos precisamos ajudá-los a desenvolver as atitudes favoráveis à criatividade, que são três: adiar julgamento, acreditar em si próprio e prontidão para observar e agir.

Ou seja, se temos muita imaginação, se temos muito conhecimento, se temos muita capacidade para avaliar, mas as nossas atitudes estão adormecidas, logo, não existe criatividade. É lamentável, mas é a pura realidade! Para se estabelecer um clima criativo, favorável à geração de idéias e, consequentemente, à inovação é preciso, antes de mais nada, ajudar às pessoas a desenvolverem o seu processo atitudinal.

Logo, esse não é um caminho curto, pois precisamos de tempo, de bons instrutores, de equipes dispostas a aprender e a mudar os seus modelos mentais. Geralmente, o que as empresas desejam são soluções rápidas e baratas; todavia, para desenvolver a criatividade, estabelecer um clima criativo em uma organização não se trata de um processo simples, mas é um processo que dá muitos resultados no futuro. E, sobretudo, resultados inquestionáveis!

Mas, esse tem sido um caminho lento e árduo. Desde 1996 trabalhamos com projetos para desenvolvimento da criatividade de invidíduos em empresas, projetos de sucesso, alguns receberam muitos prêmios, projetos de resultados empresariais inquestionáveis, mas, a luta ainda é muita.

Há momentos em que tenho vontade de deixar tudo para lá. Dai encontro uma pessoa ou recebo uma mensagem que diz que após resgatar a sua criatividade a sua vida melhorou totalmente sob todos os ângulos, então tenho novas recaídas e começo tudo de novo. Felizmente, ou infelizmente, quem foi “tocado” por esse processo parece que tem dificuldade de deixá-lo de lado.

Todavia, como trabalhar a criatividade num país em que todos se acreditam criativos? Como fazer as pessoas entenderem que a verdadeira criatividade não é o famoso “jeitinho brasileiro” aquele que fura as filas, burla os impostos, passa à frente dos outros e por ai vai…

Em 2002, participei de uma reunião na Creative Education Foundation, Buffalo, NY, USA para a qual foram convidados líderes de instituições de todo o mundo que trabalhavam com a criatividade e durante a discussão a questão era: “Depois do episódio dos 11 de setembro, é importante que associemos a criatividade aos valores humanos fundamentais”. Ou seja, em outras palavras, precisamos ter cuidado ao ajudar às pessoas a desenvolverem a sua criatividade e, ao mesmo tempo, precisamos falar de valores humanos fundamentais, para que os objetos de criação respeitem os indivíduos, o meio ambiente e o universo.

Na ocasião me lembrei que essa sempre foi uma preocupação nossa na FBC, justamente por constatarmos o poder de fogo do famoso “jeitinho brasileiro”.

Bem, mas na verdade todo esse preâmbulo foi porque eu queria falar sobre Aracaju, como a Capital Brasileira da Criatividade, porque isto? É fato que desde 1999 realizamos, anualmente em Aracaju, o Fórum Internacional de Inovação e Criatividade – FIIC, que este ano caminha para a sua décima edição. Há dez anos trazemos como o apoio dos nossos patrocinadores e parceiros – todo ano – à Aracaju, pessoas tanto do Brasil como do Exterior que falam de criatividade e inovação e, portanto, durante, três dias é dito que Aracaju se transforma na “capital brasileira da criatividade”. Isto acontece, porque realizamos no menor Estado do Brasil o maior evento do mundo que aborda temas como criatividade e inovação, parece estória de pescador, mas é verdade.

O que chego a lamentar, ao longo de todos esses anos, é o pouco aproveitamento que constato, por parte das empresas e instituições de um modo geral de um evento que trás tanta informação que poderá ser transformada em conhecimento e, certamente, lhe ajudar a mudar a “cara” e os seus resultados empresariais, seja em produtos, seja em processo, seja em serviços.

Mas, a grande questão é: ‘Como poderemos fazer isso acontecer? Como divulgar? Como fazer com que as pessoas se interessem por um processo que poderá mudar as suas vidas nos mais amplos sentidos? Tanto pessoal, como profissional e empresarial?”

De que maneiras fazer as pessoas entenderem que o pensamento criativo poderá lhes ajudar a enxergar as coisas com novas perspectivas e certamente permitir que façam muitos reposicionamentos em suas vidas.

Essa é uma bandeira fundamental; todavia, mais importante do que isto como poderemos juntar as forças de empresas, instituições públicas e privadas de Sergipe e, formalmente, mostrar que poderemos usar todo esse conhecimento e transformar as nossas vidas pessoais, empresariais e comunitárias?

De que maneiras poderemos sair do ciclo da sobrevivência: “escassez, sobrevivência, repetição, controle e competição” e passamos para a espiral criativa: “fartura, criatividade, possibilidades, risco/aventura e colaboração criativa”? Acredito que não temos saída, ou aprendemos a pensar com um novo modelo mental ou passaremos outros muitos séculos quase estagnados como estamos agora.

Não é uma questão de apenas dinheiro ou de poder, mas é essencialmente uma questão de escolhas. Tal qual foi falado no Fórum Econômico Mundial precisamos ver os problemas que nos afligem com outra ótica, outra forma de ver que não seja a convencional, aquela mesma que os nossos avôs e os nossos pais enxergavam.

O pensamento criativo dá essa ajuda. Mas, quem se habilita? Nós da FBC estamos prontos para tornar Aracaju, a capital brasileira da criatividade, não apenas por três dias, mas quem sabe por toda a vida?

Portanto, sabemos que – sozinhos – não poderemos fazer isto acontecer, pois temos as ferramentas, mas precisamos de parceiros e aliados dispostos. Quem estiver interessado em ajudar nessa poderosa transformação, por favor, entre em contato conosco, vamos construir e disseminar essa rede.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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