AS BEBIDAS ALCOÓLICAS E SEUS EFEITOS

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Dados do Ministério da Saúde mostram que grande parte dos pacientes acompanhados em clínicas de saúde mental são alcoolistas e muitas das mortes em acidentes de trânsito tinham alcoolemia positiva (alto teor de álcool no sangue) da vítima ou do consumidor. Há uma relação causal entre o álcool e mais de 60 tipos de doenças. Ele é apontado como a causa de 20% a 30% dos cânceres de esôfago, pâncreas e fígado; cirrose; ataques epiléticos. Está sendo apontado também como um importante fator de vulnerabilidade para transmissão das Doenças Sexualmente Transmissíveis.

O ÁLCOOL É UMA DROGA
          Por se tratar de uma droga liberada, algumas pessoas tentam minimizar o conceito de que o álcool seja uma droga. As bebidas alcóolicas são drogas, isto é, são substâncias que modificam o comportamento das pessoas, atuando não apenas no cérebro, como também em outros órgãos, causando danos às pessoas que consomem e também a sociedade.
Por atuarem no cérebro, modificando o modo de sentir, pensar ou de se comportar, as bebidas alcoólicas são consideradas substâncias psicoativas, do grupo das depressoras, isto é, que provocam um funcionamento mais lento do organismo, afetando as diversas funções cerebrais. O efeito negativo do álcool para a saúde em geral pode estar associado a uma substância conhecida como acetaldeído – produto tóxico em que o álcool é transformado após ser digerido pelo organismo.  O álcool também é uma considerada droga psicotrópica, pois atua no sistema nervoso central, provocando uma mudança no comportamento de quem o consome, além de ter potencial para desenvolver dependência.

O ÁLCOOL PODE PROVOCAR A MORTE
         O álcool mata porque exerce efeito depressivo sobre o sistema nervoso central e "desliga" as áreas cerebrais que controlam a consciência, a respiração e os batimentos cardíacos, levando ao coma e à morte. Como o corpo é sábio, ele dá o alerta sobre esse risco iminente fazendo você se sentir mal e parar de beber. Pelo vômito, ele tenta jogar para fora o álcool antes que caia na corrente sanguínea. A intoxicação alcoólica grave provoca distúrbios metabólicos, como desidratação, hipotensão – a queda da pressão arterial – e arritmia, levando à parada cardíaca. Outro perigo mortal nesse quadro é a asfixia pelo vômito – no caso daqueles que apagam e, de tão intoxicados, não conseguem acordar.

O ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS: UMA COMBINAÇÃO PERIGOSA
        Estudos mostram que o álcool é a substância mais frequentemente envolvida nas situações de uso múltiplo (usar álcool com crack, com energéticos, com maconha e outras drogas). Esse tipo de uso combinado traz ainda mais efeitos penosos para o organismo: os danos aos mecanismos cerebrais e a liberação de substâncias tóxicas se tornam ainda mais intensos. O uso de álcool é frequentemente empregado para prolongar ou intensificar os efeitos de outra droga. Outra função do álcool, relatada por pacientes, é a de combater os sintomas persistentes da ansiedade induzidos pela outra droga. O uso combinado de bebidas alcoólicas e os energéticos aumenta o perigo de consumir mais álcool mascarando os seus efeitos e dando uma falsa sensação de resistência ao álcool.

OS EFEITOS SOCIAIS DO ÁLCOOL
        O consumo de álcool está ligado a diversas consequências para o indivíduo que o consome para aqueles que estão à sua volta e para a sociedade como um todo. Consequências como acidentes de trânsito, problemas no trabalho e com a família e violência interpessoal têm sido o foco de interesse e de atenção pública.

O ÁLCOOL NO TRABALHO
          No trabalho, o consumo de bebidas alcoólicas pode, potencialmente, diminuir a produtividade. O absenteísmo (faltas ao trabalho) associado com o uso e dependência de álcool representa um alto custo para empregadores e para o Estado. É evidente a ligação entre o uso abusivo de álcool e desemprego, com uma relação causal sendo estabelecida em ambos os sentidos, ou seja, com o uso abusivo de  bebidas alcoólicas levando ao desemprego e com a perda de trabalho resultando em consumo abusivo de bebidas alcoólicas. Muitos acidentes de trabalho são devidos ao consumo de álcool.

O ÁLCOOL E A FAMÍLIA
         Em muitas famílias, jovens tiveram o primeiro contato com a bebida alcoólica na própria casa. O intuito dessas famílias ao dar bebida alcoólica aos menores é permitir que o jovem iniciasse o consumo em ambiente controlado da casa, mas isso parece ser um erro. O que eles fazem é autorizar que o adolescente comece a beber cada vez mais cedo. O ideal é retardar ao máximo o contato com a bebida. Os danos do álcool à família podem vir de diversas formas, seja pela saúde física e mental de seus membros, seja pela saúde financeira do lar.   Vale salientar também o surgimento de violência no lar e os acidentes domésticos em decorrência do uso de álcool no contexto familiar.

O ÁLCOOL E A SEXUALIDADE
          O álcool influencia no comportamento e desempenho sexual, favorecendo as situações de violência sexual. Estudos sobre fertilidade indicam que  mesmo o consumo moderado das bebidas alcoólicas, pode   diminuir a probabilidade de uma mulher engravidar. Nos homens, o consumo excessivo diminui a qualidade e quantidade de esperma. O uso do álcool é considerado como fator de risco para infecção das DST/HIV/AIDS, visto que pessoas que consomem bebidas alcoólicas em contextos nos quais praticam sexo, tendem  a não utilizar preservativo nos atos sexuais, a trocar de parceiros com mais frequência, a ter parceiro casual e até praticar sexo em grupo.

O ÁLCOOL E A VIOLÊNCIA
     A relação entre consumo de álcool e crime é reconhecida como um sério problema social em todo o mundo. O consumo inadequado de bebidas alcoólicas tem produzido efeitos prejudiciais em diversos setores da vida dos bebedores. São diversos fatores que levam ao crime, entretanto, a interface entre o consumo de bebidas alcoólicas e o comportamento violento ou agressivo, é bastante evidente. Além disso, o consumo inadequado de bebidas alcoólicas tem sido associado ao maior risco de reincidência criminal. De maneira geral, o álcool etílico está relacionado a 50% de todos os homicídios, 30% dos suicídios e das tentativas de suicídio e à maioria dos acidentes fatais de trânsito. Agressores e vítimas de crimes violentos frequentemente relatam consumo de álcool antes dos atos ilícitos, como estupro, roubos e homicídios. É importante lembrar de que, nos casos de violência sexual, as bebidas podem ser utilizadas pelos agressores como uma “desculpa” para a concretização do comportamento inadequado e ilícito. O agressor, atribuindo o comportamento inadequado ao uso do álcool, acaba por se eximir de qualquer responsabilidade ou culpa diante de seu comportamento sexualmente patológico já previamente existente.

O ÁLCOOL E OS COMPORTAMENTOS ANTISSOCIAIS
       O álcool, sendo depressor do sistema nervoso central, interfere no controle do comportamento exercido normalmente por centros inibitórios cerebrais, provocando desinibição e atitudes antissociais.  A desinibição leva a pessoa a perder a vergonha de fazer coisas que até então, jamais seriam feitas quando sóbria. Cientistas descobriram que o álcool pode danificar a capacidade das pessoas de formar seu julgamento sobre uma determinada situação. Possivelmente, as pessoas sob o efeito do álcool não se incomodam com as implicações ou consequências das situações antissociais. Por exemplo, sóbrias, as pessoas não têm coragem de falar o que dizem quando estão embriagadas e se tornam até desagradáveis, dormem em locais inadequados e se envolvem em situações muito constrangedoras.  Recentemente, o final da festa de um casamento da classe média-alta foi um cortejo pelas ruas do Bairro Atalaia com mini trio e muita bebida. Vários convidados e padrinhos de terno e gravata alcoolizados fizerem necessidades fisiológicas nas calçadas e postes, sem o mínimo de pudor e com a maior naturalidade, como se estivessem em suas residências e sem ninguém por perto. Jamais elas agiriam assim se estivessem sóbrias.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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