AS CARICATURAS DA SOMESE – PARTE 1

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Entre 1993 e 1997, a Sociedade Médica de Sergipe vivia momentos de intensa agitação e turbulência. A classe médica enfim era sacudida em seus brios.  Acredita nas nossas propostas e parte em defesa dos seus direitos por honorários justos e dignos. É criado  o Departamento de Convênios e o atendimento aos convênios fica suspenso por nove meses e só é restabelecida a relação por intermediação doMinistério Público. Algumas operadoras de saúde não resistem à pressão e fecham seus escritórios em Aracaju. Nesse compasso, a Unimed aproveita o momento para crescer, beneficiada pela não suspensão do atendimento aos seus usuários. As assembléias das várias especialidades se sucedem em ritmo frenético, quase uma a cada  semana, com debates acalorados. O auditório era pequeno para tanta gente. A Somese se transforma num quartel general, montado e estruturado para atender às necessidades do movimento.
Mas as demais ações não param, notadamente os programas de educação continuada para os médicos e de extensão para a comunidade, os chamados PAMC e PEMC, que não são descontinuados. O cineclube, idealizado por William Soares, acontecia a cada mês, com diversos artistas se apresentando gratuitamente após a projeção.
Faço essa introdução para justificar a iniciativa de convidar o artista plástico Belém, caricaturista consagrado, para registrar de forma bem humorada, aqueles dias de intensa agitação. Ele me pediu uma foto de cada pessoa que deveria aparecer no painel. Não conhecia nenhum deles pessoalmente. Pediu ainda que eu traçasse um breve perfil de cada um. Em trinta dias, Belém montou o painel de oito metros quadrados que se encontra hoje no hall de entrada da Somese, que mostra uma verdadeira equipe em pose tradicional e sem destaques individuais. Isso porque a nossa força, naquela oportunidade, era a união do conjunto, do grupo. Não havia estrelas isoladas, mas sim uma verdadeira constelação, onde cada médico na ponta era componente importante. Esse grupo fez história e a sensibilidade do artista perenizou o momento.

 

QUEM É QUEM NO PAINEL,  quando ele foi pintado, em 1996/97

 

Antonio Roberto de Figueiredo – anestesista, fundador da Cooperativa dos Anestesistas de Sergipe, carioca de nascimento, sergipano de coração. Lutador corajoso, destemido, comprometido. Vice-presidente da Somese. Exemplo de coragem e coerência. No painel, segura simbolicamente uma seringa, como uma arma contra os contumazes exploradores do trabalho médico. Acatando minha indicação, a Associação Médica Brasileira indicou o seu nome para representar a entidade na nossa Comissão Estadual de Honorários. Morreu precocemente, no início de certa manhã de 2008, quando ia tomar café da manhã para resolver problemas da sua especialidade.
Antonio Roberto

 

 

 

 

 

 

Cleômenes Barretto – assim mesmo, com dois tês. Também anestesista. Foi retirado do curso de especialização em Saúde Pública que fazia na Somese, para comandar o Sindicato dos Médicos, sem nenhuma experiência pregressa, somente com a vontade de servir à classe. Disputou com mais dois candidatos e elegeu-se ostentando a bandeira da renovação. Com esforço e dedicação construiu a primeira e atual sede própria do sindicato. No painel, ele ostenta a sua marca registrada, o boné vermelho com a marca do Sindimed.
Cleômenes Barreto

 

 

 

 

 

 

 

 



 

Rodrigo Teixeira – presidia o Conselho Regional de Medicina e entrou de cabeça na luta por remuneração digna. Baixou portaria determinando que o médico somente poderia atender pacientes de convênios mediante a utilização da Lista de Procedimentos Médicos da AMB. Chegou a convocar vários colegas ao CRM para prestar esclarecimentos sobre atendimentos feitos de forma indevida.
Rodrigo Teixeira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Saulo Maia – pneumologista e clínico. Representava a Somese na Comissão Estadual de Honorários. De caráter retilíneo, intransigente nos seus princípios, afirmativo nas suas posturas, esteve sempre presente nos principais embates. Um companheiro e tanto na defesa dos interesses da classe.
  Saulo Maia
Adelson Chagas – presidia a Comissão Estadual de Honorários e foi vice-presidente da Somese. Com a sua liderança e combatividade e pela dedicação ao movimento, levou adversários ao nocaute, um gigante de luvas, mas sem perder a ternura.Atualmente preside a Unimed Sergipe.
  Adelson Chagas
Lúcio Prado Dias – presidia a Somese. Comandou um grupo de destemidos, um “bando de loucos”, na visão de William Soares. Segundo José Hamilton Maciel, a Somese teve duas fases: uma antes e outra depois de Lucio. Exagero de amigo. No painel, é retratado fumando um cigarro sendo ameaçado por uma tesoura afiada nas mãos de William que, persistente, conseguiu demovê-lo do vício.
  Lúcio Prado Dias
William Soares – no organograma, estava lá embaixo: bibliotecário. Na verdade, um gigante, que fez o trabalho de várias diretorias. Criou e comandou as principais atividades científicas e de lazer da Somese, como o PAMC, PEMC, Revista Científica, Cineclube, Farmácia Comunitária. Ah! Já ia esquecendo, organizou também a biblioteca e a Videoteca. O próprio louco.

  William Soares

Antonio Celso Nunes Nassif – o único “estrangeiro” da foto. Presidia a Associação  Médica Brasileira. Lançou a Lista de Procedimentos Médicos – LPM e viajou pelo país para defendê-la. Corajoso e destemido, foi um grande amigo dos médicos de Sergipe. Fez a aposição de uma réplica reduzida do painel na sede da AMB em São Paulo. Atualmente, aposentado, luta contra a abertura indiscriminada de escolas médicas. Um idealista.

  Nassif
Carlos Alberto Mendonça – representava o Conselho Regional de Medicina na Comissão de Honorários. Para ele, não  existia meio termo, não existia o mais ou menos, destacou-se nas intermináveis reuniões com os convênios médicos e foi um dos líderes incontestes do movimento. Assumiu anos depois o comando da Unimed de Sergipe e tirou a cooperativa do fundo do poço.
  Carlos Alberto
João Alberto Cardoso Silveira – na época era pediatra e entrou de cabeça no programa de incentivo ao aleitamento materno, chegando a elaborar uma música em parceria com Antonio Paixão intitulada “Água da Vida”. Na caricatura, o pediatra dá o peito a um bebê, num gesto simbólico e primoroso de Belém. João Alberto participou da diretoria social da Somese e promoveu vários encontros musicais em sua sede.
  João Alberto
Cleovansóstenes Aguiar – generoso e solidário, ponto de equilíbrio, experiência e moderação, querido por todos presidia a recém fundada Academia Sergipana de Medicina, da qual foi o primeiro presidente.  Segura uma bíblia sagrada, como homem de fé e intensa religiosidade. Foi prefeito de Aracaju onde fez uma profícua e austera administração. O trabalho de Belém andou de sala e sala e finalmente terminou no hall de entrada da Somese, como um cartão de boas-vindas aos visitantes. E deu outras crias. Mas isso é assunto para um outro dia.

  Cleovansóstenes

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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