As cartas na manga de João Alves

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Não é de hoje que o prefeito João Alves Filho tem a sua gestão mal avaliada. Nas ruas, dentro dos ônibus, nos programas de rádio e nas redes sociais não faltam aracajuanos e aracajuanas que expressam um profundo descontentamento com a condução da cidade. De “solução” para os problemas de Aracaju, como se auto-anunciava durante a campanha eleitoral, João Alves está se notabilizando como um prefeito criador de problemas.

Sabendo disso e às vésperas da próxima eleição, quando é chegada a hora de começar a “salvar” a sua gestão e entrar bem na disputa à reeleição, João Alves lançou mão de três estratégias articuladas: o retorno de Maria do Carmo para a atuação política na cidade, o ressurgimento do Pró-Mulher como projeto de linha de frente do Executivo municipal e o anúncio de início ou desenvolvimento de reformas e obras. Tudo isso, evidente, recheado de muita publicidade, mesmo que descompromissada com a verdade. Tratemos abaixo de cada uma dessas estratégias.

A saída de Maria do Carmo do Senado e o seu retorno para a vida política de Aracaju já era esperado. Lembremos que já no início da última campanha eleitoral, muita gente (principalmente da política e da imprensa) indicava para a existência de um acordo entre a família Alves e a família Franco, nos seguintes termos: Maria seria a candidata, por ter um capital político que lhe situava bem na disputa eleitoral, mas não demoraria muito para Ricardo Franco, seu primeiro suplente, assumir. A pergunta é: por que apenas às vésperas do ano eleitoral, se concretiza a vinda de Maria para Aracaju? Concordemos ou não com o modo de atuação de Maria, não podemos negar a sua força político-eleitoral na capital. Por isso, não há dúvidas de que este é um típico exemplo do vale-tudo eleitoral, onde o cidadão que depositou os votos em Maria é simplesmente desconsiderado e desrespeitado, para dizer o mínimo.

Ao mesmo tempo em que é preparado o terreno para o retorno de Maria a Aracaju, na Câmara de Vereadores a bancada de João Alves – aliada a parte considerável da imprensa local – promove uma campanha enganosa sobre os debates e votações em torno do Projeto de Lei 191/2015, que altera alguns aspectos da Lei 4.431/2013, que instituiu o Programa “Pró-Mulher, Pró-Família: Mais Saúde, Mais Vida”.

Parlamentares que dão sustentação ao governo João Alves estão, insistentemente, afirmando que os vereadores da oposição têm se posicionado contra o Pró-Mulher. A afirmação nada mais é que um “jogar pra galera”, já que o projeto que institui o programa foi aprovado pela Câmara em 2013, mas até o momento a Prefeitura não apresentou dados sobre a sua execução. O que está em discussão, portanto, não é a existência ou não do Pró-Mulher, mas o seu caráter e a dimensão das suas ações. Dimensão que, como têm denunciando vereadores da oposição, pode ser reduzida – com retirada de direitos para a população usuária dos serviços – caso o PL 191 seja aprovado da forma que chegou à Câmara. Não é de se estranhar, então, por que mais de dois anos depois do projeto ser autorizado pelo Legislativo, a Prefeitura não ter o que apresentar e retomar a discussão apenas às vésperas de ano eleitoral, utilizando-se de alarmes falsos?

Aliada ao retorno de Maria e às campanhas em torno do Pró-Mulher, está a terceira estratégia de João Alves: o anúncio de início ou desenvolvimento de reformas e obras. Para ficar apenas em notícias desta semana, publicadas no site oficial da Prefeitura: Unidade de Saúde Max Carvalho em “fase de acabamento”; obra de canal no Augusto Franco “entra em nova etapa”; calçadão da Praia Formosa com “conclusão prevista para dezembro”. Todas são ações importantes, mas nenhuma concluída. Curioso, não?

Por não implementar o que prometeu durante a última campanha eleitoral e por estar distante de ser a “solução” para os problemas de Aracaju, João Alves sabe que um fim menos trágico para o seu governo depende dessas três cartas na manga. Cartas que, colocadas na mesa, revelam a ausência de um projeto real de gestão da cidade, em que o interesse público esteja em primeiro plano, e demonstram que a exclusiva preocupação e compromisso do prefeito são com a sua reeleição.

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