AS CONTRADIÇÕES DO PT

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No plano federal, todos nós conhecemos o que é o PMDB, o PSDB e o PFL no poder. Quanto ao PT, nós sempre o conhecemos na oposição. Na oposição, o PT sempre foi um partido defensor da estatização. Por isto, sempre esteve ao lado dos sindicatos contra as privatizações executadas nos governos anteriores. Vimos, também, o PT sempre contrário às propostas do governo anterior para mudanças como, por exemplo, as Reformas da Previdência e Tributária. No que se refere ao relacionamento com o mercado, sempre se posicionou contra o pagamento da dívida externa, contra o relacionamento do país com o FMI, com o BID, com o BIRD e outras entidades. Ainda como oposição, nunca a instalação de uma CPI prejudicaria a governabilidade. Esta visão que tínhamos do PT era tão evidente que em 2002, esta linha de pensamento e a perspectiva, como de fato ocorreu, de seu candidato vencer as eleições para presidente da República fizeram o dólar supervalorizar-se, o valor dos títulos negociados no mercado externo (C-Bonds) desvalorizarem-se em mais de cinqüenta por cento, e o risco medido pelo J.P.Morgan atingir níveis altíssimos, o que tornou total o risco da inflação voltar. Hoje como governo, suas linhas de ação nada têm a ver com o PT oposição. No primeiro ano do governo Lula, tudo aquilo que o PT pregava, enquanto oposição, deixou de ser verdade. Uma política macro-econômica austera; controle financeiro preponderante; acordo com o FMI, superávit nas contas do governo; aprovação das Reformas Tributária e da Previdência, basicamente nos mesmos termos das propostas de FHC, tornaram-se prioridades do novo governo e isto fez com que o país voltasse a despertar a atenção do mercado financeiro mundial, fazendo com que Risco Brasil caísse, com que os C-Bonds atingisse quase 100% do seu valor de face e possibilitou reduzir as taxas de juros, pouco a pouco. A Taxa Selic caiu de 27,5% para 16,5%. Agora, luta no Congresso para barrar a instalação das comissões parlamentares de inquérito para apurar as atividades dos bingos ou as operações de Waldomiro Diniz, ou seja, com as suas contradições o PT, mais uma vez, sangra parte significativa do patrimônio de responsabilidade acumulado durante duas décadas. Edmir Pelli é aposentado da Eletrosul e articulista desde 2000 edmir@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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