AS EXPECTATIVAS DO NOVO GOVERNO

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Um experiente político sergipano analisava, há poucos dias, a situação do governador eleito Marcelo Deda diante do atual cenário político descortinado após as últimas eleições de outubro. Em sua análise, ele dizia que o futuro governador irá voar em céu de brigadeiro, nos próximos quatro anos, com a ocupação pelo PT – e seus aliados em Sergipe – das esferas de poder em nível federal, estadual e municipal. Ou seja, com Lula reeleito presidente e Edvaldo Nogueira na prefeitura de Aracaju, Marcelo Deda não vai ter grandes problemas para administrar, podendo, assim, realizar o melhor governo da história de Sergipe. Uma avaliação simplista para um cenário não tão simples assim.


Para chegar ao poder, todo candidato procura cercar-se de alianças capazes de elegê-lo nas urnas. Acordos são firmados, compromissos partidários são definidos para o chamado “day after”. Ao assumir o cargo, em primeiro de janeiro, Marcelo Deda vai ter sobre os ombros o peso das cobranças eleitorais desses aliados, somado ao peso incalculável das mais diversas promessas de campanha feitas ao povo sergipano. Portanto, uma tarefa árdua e de equações complexas, apesar da falsa aparência de tranqüilidade diante do quadro político hoje existente.


Engana-se quem pensa que o governante tudo pode. Não é bem assim. Há uma série de limitações. Nem sempre é possível realizar o que fora prometido. Insatisfações pipocam a todo instante, até mesmo entre os próprios aliados. A partir da formação do novo secretariado, por exemplo, já se poderá sentir no ar um certo “clima insosso” entre amigos de longas datas. Afinal, todos querem ser prestigiados no primeiro escalão do novo governo. E isso jamais será possível diante das limitações administrativas e dos inúmeros acordos firmados.


No âmbito federal não será diferente. Apesar de contar com o apoio irrestrito do presidente Lula, dificilmente, Marcelo Déda vai estar plenamente satisfeito com a atenção dedicada a Sergipe. As necessidades do povo serão sempre maiores que os investimentos realizados. Não há mágica. Não fosse assim, depois de cinco anos à frente da prefeitura da capital, com Lula presidente, Aracaju seria hoje um grande canteiro de obras federais.


De qualquer forma, caberá tão somente a Marcelo Déda mudar o curso da história ao fazer um governo à altura das expectativas nele depositadas. E que não são poucas.

 

 

 

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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