As mulheres que vivem com Aids

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No início da epidemia da AIDS, o número de casos era bem maior nos homens do que em mulheres. Atualmente, os dados nacionais e locais mostram que a epidemia aumenta consideravelmente em mulheres, principalmente, entre aquelas que são casadas e que vivem em situação de pobreza. O impacto na família é maior, pelo próprio papel desempenhado pela mulher. No início da epidemia, era a mulher quem cuidava do marido vivendo com HIV/AIDS Hoje, é ela própria que vive com a doença. Algumas possuem até seis filhos ou mais e o marido foi a óbito, passando a viver na dependência do poder público e das ajudas da própria sociedade. Para uma parte da sociedade, dos gestores e políticos, parece que elas não existem. Há a necessidade de um maior envolvimento de todos.

O preconceito com relação às mulheres soropositivas ainda existe. Algumas são rejeitadas pela família e comunidade onde vivem. O preconceito é demonstrado na ideia totalmente errada de que ela deve ser “uma prostituta que não usava camisinha e se infectou”. A maioria tinha ou tem parceiro fixo e, por isso, achava que não precisavam se preocupar com a camisinha. Ainda existe o mito da relação estável e segurança conjugal. Outras usavam algum método anticoncepcional e pensavam que era totalmente protegidas da AIDS. A agressão/submissão ao parceiro sexual que, com frequência, é vivenciado no imaginário da mulher como uma situação impossível de ser modificada ou interrompida, parcial ou definitivamente.  A dificuldade de negociação do uso da camisinha com o seu parceiro, bem como a falta de percepção da sua própria vulnerabilidade, contribuem para uma maior exposição ao risco de infecção pelo HIV e outras DST.

É importante lembrar que a negociação do sexo mais seguro, através do uso consistente e correto do preservativo é fundamental para a vida de homens e mulheres. O incentivo à realização do exame para AIDS e outras DST é também importante. O teste deve ser feito no mínimo 30 dias após a situação de risco. Se o resultado for positivo, a pessoa pode fazer acompanhamento nos serviços de saúde e começar o tratamento no momento mais adequado. Esse cuidado se reflete na qualidade de vida de quem vive com HIV/AIDS. A recomendação vale para relação sexual desprotegida (inclusive sexo oral) e uso de seringas ou agulhas compartilhadas. As mulheres que desejam engravidar são aconselhadas a conhecer sua condição sorológica. A medida pode evitar a transmissão vertical do HIV e da sífilis e das hepatites (de mãe para filho). Mulheres com resultado positivo que iniciam o tratamento o quanto antes têm menos chances de passar as doenças para o bebê.

Por outro lado, muitas mulheres que vivem com HIV/AIDS são exemplos de luta, pois batalham por si e pelas outras. Não desanimam e continuam firmes por uma melhor qualidade de vida. Lutam pela melhoria no atendimento nos serviços de saúde e de assistência social e pelos direitos humanos. A nossa homenagem a todas elas, neste DIA INTERNACIONAL DA MULHER.

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