Asas de Aracaju

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Um aprendiz de ornitólogo observou dezenas de espécies de aves e pássaros no Parque da Sementeira. Dos mais comuns bem-te-vi, sebinho e garrincha, aos mais exóticos martim-pescador, joão-de-barro e carcará. Viu e ouviu o canário-da-terra, o cabeça, o sanhaço, o periquito-velande. Notou que naquele nicho de ambiente que se renova, a garça posa mais graciosa, a lavandeira saltita mais alegre e até o feioso socó parece mais simpática.

Há os que gostam de ficar só, como um falcãozinho vulgarmente chamado de quiri-quiri, o beija-flor e o pica-pau. Há os que invariavelmente estão bem acompanhados, como o gavião-peneira e as corujas-buraqueiras, que moram num buraco cavado no chão, daí o nome popular. E os que vivem em bando, como os anus-brancos, os anus-pretos e os quero-queros, que também gostam de andar sobre a terra como o sabiá-de-campo e a rolinha-caldo-de-feijão.

Se aquele espaço nobre da cidade já atrai tantos e tão coloridos bichos emplumados, se o canto das aves e pássaros já é fundo musical para os adeptos das caminhadas matinais, imagine-se o que existirá quando o Parque da Sementeira transformar-se num bosque de Mata Atlântica. Se há alguma coisa que a prefeitura tem feito ali é o florestamento do lugar, isso ninguém pode negar. Mas é preciso mais. E esse algo mais não pode depender do poder público, afinal todos somos donos daquele patrimônio.

O biólogo Marcelo Cardoso, por exemplo, faz — e muito bem — a parte dele. Já reconhecido pelo trabalho que desenvolve em defesa permanente da Mata Atlântica e da fauna que nela habita, como o macaco guigó, ele agora lança o projeto Aves da Cidade (vá ao site www.aimurande.org.br). Contando com a ajuda de três alunos da Unit, Victor Soares, Randolfo Fiqueiredo e Thiago Santana, ele já conseguiu catalogar 53 espécies de aves residentes ou que comumente estão de passagem pelo município de Aracaju, fazendo o registro fotográfico das espécies e entendendo como os processos de ocupação urbana geraram esse padrão de presença ou ausência da avifauna atual. No seu catálogo consta até o falcão-de-coleira!

É um trabalho que certamente vai acrescentar à consciência ecológica do aracajuano, que tem garantido a coexistência pacífica com esses antigos moradores, permitindo, inclusive, a sua livre procriação.

 

Correio 1


“Desejo felicitá-lo por seu corajoso artigo “Racionamento, que vergonha”, publicado na edição de 29-03-09 do Jornal da Cidade, onde você expõe, sem meias palavras, as causas do racionamento de água em Aracaju.
Assim como você, também nos atormenta a ação de alguns setores da sociedade – felizmente,  poucos – de tentar esconder a  verdade sobre a DESO que, como muito bem está colocado no seu artigo, tornou-se relapsa, porque foi desviada, desmobilizada, vilipendiada…
Nestes dois últimos anos temos envidado esforços e estamos resgatando a autoconfiança da Empresa; já conquistamos a credibilidade dos nossos fornecedores e parceiros mantendo em dia os compromissos assumidos. Estamos recuperando Unidades Operacionais e realizando importantes obras, ou seja, a DESO está reconquistando o status de Empresa exemplar.
No entanto percebemos, bem como você, que estes poucos setores que foram  prejudicados com as mudanças ocorridas no atual governo, ainda não se conformaram com a nova postura, procurando, de todas as formas, denegrir a imagem da DESO numa ânsia insana de reconduzi-la aos tempos em que os mesmos, hoje algozes, se locupletavam.
Não entendem essas pessoas que buscando a destruição da Empresa estão na verdade trazendo malefícios para toda a população sergipana.
Finalizando, volto a agradecê-lo e, mais ainda, a acreditar que não estamos sozinhos nesta árdua luta, quando setores sadios da sociedade vêm se somar nesta empreitada em defesa do patrimônio dos sergipanos que é a Companhia de Saneamento de Sergipe.”

Max Maia Montalvão, presidente da Deso

 

Correio 2

 

“Antes de mais nada, não me interessa espaço na sua coluna, muito menos que esse debate se estenda ad infinitum entre duas pessoas que pensam diferente. O que me interessa é o pensamento de um jornalista conceituado e formador de opinião sobre a minha classe e o que ela reivindica.

Os honorários médicos que considero justos são aqueles que possam contemplar os anos de estudo que o profissional teve, a responsabilidade titânica que comporta e as horas de lazer e de atualização que PRECISA ter. Quando não tem descanso, qualquer profissional está sujeito a erro. O erro de qualquer profissional é grave, o de um médico pode ser fatal. Não estou discriminando quem ganha pouco, estou defendendo que todos ganhem bem para que tenham direito de não se revezarem cegamente de plantão em plantão como gado, mas se dêem ao “luxo” de se prepararem com o melhor para seu trabalho. Quando esse salário é o atual, isso simplesmente não é possível. Não posso confirmar essa informação, mas um amigo me disse que em alguns países europeus, os médicos são proibidos – assim mesmo, com todas as letras – de trabalharem mais de 28 horas por semana, para que esse descanso seja assegurado.

Não entendo de onde surgiu tanta animosidade contra a classe médica por parte da população em geral. Tenho visto jornalistas, por exemplo – não é o seu caso, ao que me consta – se permitirem passar informações ridículas à população do que julgam ser erros médicos. Tenho visto pacientes que acabam de chegar ao pronto-socorro bradarem impropérios impublicáveis antes mesmo de passarem cinco minutos numa sala de espera, quando seu caso poderia esperar meses…

O caos da saúde pública, Sr. Cardoso, não é nossa culpa. Talvez nossa parcela tenha sido, como falei antes, a omissão histórica que nos calou em décadas. Um passeio no Hospital Zona Norte, por exemplo, pode revelar absurdos abomináveis da maneira como o gestor público trata a questão. Não um passeio leigo, mas procure um ou dois amigos médicos seus (não gestores públicos, é óbvio) para que possam fazer uma orientação técnica. Para que o senhor possa ver que, atrás de uma estrutura pintadinha e azulejos bem dispostos, faltam equipamentos, pessoal, e medicação. Disponho-me a isso com muito prazer. No Hospital João Alves Filho, os médicos são constantemente pressionados pela direção a dar alta a pacientes no pronto-socorro, com medo de que a imprensa o encontre lotado. Na rede pública, trata-se um infarto como se fazia há pelo menos 20 anos atrás. Reuniões têm sido feitas, solicitações têm sido reiteradamente imploradas pela classe médica, sem sucesso. E gente tem morrido, não tenha a menor dúvida.

Ser pobre ou ser rico faz TODA a diferença para um paciente. Ter ou não ter plano de saúde faz TODA a diferença. Não por culpa dos médicos, mas por culpa dos gestores públicos de saúde. O mesmo profissional que dá plantão no Zona Norte, no Zona Sul ou no João Alves, trabalha no Primavera, Renascença ou São Lucas em condições diametralmente opostas. A conversa, o exame físico, a mão na barriga, olho treinado, o estetoscópio no tórax são exatamente os mesmos. O que falta é o oxímetro no Zona Norte, o tensiômetro na ambulância do SAMU, o gasômetro, o fibrinolítico, o banco de sangue, a contra-referência especializada etc. etc. Acredito que o Sr. Rogério Carvalho saiba disso, afinal, mesmo repetindo a quem ouvir possa que o SUS é o melhor convênio que existe, preferiu o conforto acolhedor e o cheirinho de tinta fresca do Hospital Primavera para ser cuidado depois de um acidente, fato que eu particularmente considero – no mínimo – uma vergonha, uma afronta e um desrespeito a uma população que vem morrendo por desprezo dos gestores públicos.” 

 

Paulo Marcelo Santos Sobral

Médico emergencista adulto do Hospital Nestor Piva

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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