Atalaia: prostituição e drogas. Coroa do Meio: descaso

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O blog hoje publica dois artigos com desabafos de leitores que moram nos bairros Atalaia Velha e Coroa do Meio. Tem ainda artigos sobre a TV Sergipe:

 

 

Prostituição e drogas na Atalaia – Mauro Barreto

 

Moro no bairro Atalaia, na Rua Cel. José Figueiredo de Albuquerque, rua essa  paralela à Av.Santtos Dumont (praia da Atalaia), a qual se inicia no fundo do  antigo Hotel Beira Mar. Desde há muito tempo, nós, moradores, temos convivido diuturnamente com uma  situação que podemos denominá-la de insuportável. É que no trecho em que se  localiza a minha residência a prostituição atingiu níveis alarmantes. Ademais,  como se não bastasse, usuários de drogas também fazem ponto nas esquinas.

 

Assim, no mencionado local, ou seja, bem na frente da minha casa e das casas  vizinhas, meninas menores fumam crack enquanto aguardam clientes para os seus  programas. Lá chegam e saem, durante todas as horas, sem o menor pudor, muitos senhores de meia idade, alguns engravatados, com os seus carros novos, senhores  esses que, pela aparência, parecem ser “pessoas de respeito”. Até travestis, totalmente despidos, circulam por aqui durante as madrugadas em  busca de clientes, submetendo-nos, assim, a um excessivo constrangimento. Onde está o Conselho Tutelar? Onde está a Segurança Pública? À noite, sobretudo, tornamo-nos reféns, pois não podemos sair de nossas casas em razão das constantes brigas e das palavras de baixo calão que ecoam a todo instante.

 

Ademais, a minha casa teve as lanternas de iluminação arrancadas pelos já mencionados freqüentadores do local, pois, assim, o ambiente se tornar mais propício para a realização do “negócio” que exploram. Ainda achando pouco, muitas prostitutas ficam exatamente debaixo da marquise do muro da minha casa, o que causa a impressão aos seus clientes de que elas estão saindo de dentro da  minha residência. Ora, isso torna ainda mais insuportável o meu constrangimento. No início, quando vim morar aqui, a situação não era tão grave como atualmente, pois somente eram duas prostitutas que “passeavam” por aqui. Além do mais, há época não havia o ostensivo comércio de drogas como atualmente existe.

 

Há algum tempo, uma comissão de moradores havia ido à delegacia do bairro  relatar as ocorrências acima narradas, bem como ao Ministério Público. Houve reunião, porém, nenhuma providência efetivamente nunca foi tomada. A situação tornou-se tão insuportável que uma das vizinhas, por reclamar da  obstrução que é feita pelas prostitutas na entrada da sua residência, foi abertamente ameaçada por elas e pelos seus cafetões.

 

Por todas essas razões, portanto, esse nosso trecho tornou-se um prostíbulo a céu aberto. Aqui, todos os dias, pela manhã, são fartamente encontrados na rua, bem como até em nossos jardins, camisinhas, garrafas de bebidas alcoólicas, papel higiênico, etc.

 

Aproveitando o ensejo, registro que pagamos alta tributação em virtude de  sermos

proprietários de imóveis localizados num bairro que é considerado nobre pela  Administração Pública. Não obstante, recebemos em contrapartida a  desvalorização dos nossos imóveis, pois o Poder Público, embora ciente dos problemas anteriormente narrados, não toma nenhuma providência para resolvê-lo.

 

A mencionada desvalorização das nossas casas é patente, pois há meses que tento vender o meu imóvel, mas, em função da prostituição abertamente instalada na localidade, não aparece nenhum interessado. Isso não é justo. Não posso amargar um prejuízo causado simplesmente pela  omissão do Poder Público.

 

Por tudo isso, portanto, clamo por soluções, as quais passam por uma melhor  iluminação da rua, bem como pela instalação de câmeras de segurança, a exemplo

de tantas já existentes noutros bairros da cidade. Nesse sentido, peço  que por favor divulgue o teor deste desabafo  pois assim  pode ser que alguma autoridade leia  e se interesse em solucionar esses problemas que tanto nos afligem.

 

Coroa do Meio e o descaso do Poder Público – Sônia Caldas

 

Tenho acompanhado suas matérias e me surpreendo como consegue divulgar e consegir resultados principalmente em face de seu eterno desejo e comprometimento de transmitir para a sociedade sergipana a idéia do justo e do correto.Em virtude disso, venho pedir uma ajuda para publicação de matéria sobre o bairro coroa do meio onde resido.

 

O bairro Coroa do Meio vem experimentando o descaso do poder público, vez que se encontra em pleno abandono principalmente em ruas de proximidade com o farol da orla de Atalaia. Nos surpreendemos com tal atitude por parte da Prefeitura de Aracaju, visto que nesse bairro estão centradas casas de grande porte e que em virtude disso pagam valores significativos de IPTU que justificariam uma maior atenção para com essa localização, já que os impostos é receita de importância relevante em qualquer município para gerir seus projetos sociais e de estrutura.

 

Assim sendo, os moradores desse bairro enfrentam com o advento do inverno o dissabor de atravessar por ruas alagadas, terrenos baldios enormes cheios de lixo e restos de material de construção que abrigam ratos dos menores aos que chegam a quase 15 centímetros. Moradores que se arriscam distribuindo eternamente chumbinho em suas casas, correndo o risco de acidente sério em suas crianças, na tentativa vã de acabar com  a infestação dessas criaturas peçonhentas.Outro dia uma vizinha relatou o fato de que sua filha acordou com um desses ratos imensos por baixo de seus lençóis. Que abuso do poder público!

 

Além disso, os alagamentos constantes nesses terrenos enormes nos proporcionam um risco também de contração de dengue, já que a água fica parada até que a própria natureza se encarregue de enviar a luz solar para nos socorrer e secar essas águas.Nossas casas passam o ano inteiro sujas, visto que no inverno os carros circulam em meio a grandes poças de lama visto que as ruas que se situam por trás do farol são de argila. No verão, permanecem sujas, tendo em vista que essas mesmas ruas se enchem de poeira vermelha que se desprende da argila seca.

Aqueles que têm alergia como eu e minha filha sofrem em meio a tanta poeira. E nos perguntamos a todo instante sobre a parcela de imposto que pagamos, se nenhum valor possui em face da Prefeitura só se preocupar em socorrer outras áreas e esquecer de uma área tão afetada.

 

As ruas são cheias de buracos, pois que mesmo em estrada de chão não se apercebe que a Prefeitura de Aracaju se motive ao menos em mandar passar uma máquina para aplainar. Alguns moradores já espalham cascalhos nos buracos para evitar o empoçamento de água, outros compram inutilmente caminhões de areia para minimizar a situação de sujeira e lama que convivemos. Mas, quando a chuva vem, toda a areia é lavada e continuamos em meio ao descaso, entre lama, ratos e risco de dengue.

Para se ter uma idéia, essas ruas não possuem ainda sistema de esgoto. As casas ainda depositam seus dejetos em fossas cujas águas com certeza terminam filtradas pelo solo que se misturam com a água da chuva que molha o solo restando para nós circular entre imensas poças de água. Cadê o dinheiro do IPTU?

 

 

Situação da TV Sergipe que é uma Concessão Pública – Bertulino Menezes

 

Muitíssimo importante o seu comentário sobre a implantação de novos conceitos administrativos da TV Sergipe, com sérios reflexos para o Departamento de Jornalismo desta afiliada da Rede Globo.

 

Sou jornalista e como tal dediquei vários anos da minha vida profissional ao jornalismo da TV Sergipe. Ao lado de companheiros qualificados como Gilvan Fontes, Euler Ferreira, Carlos França,Nilson Socorro, Benetti Nascimento, Eduardo Almeida, Cleomar Brandi, Marcos Cardoso, Luciano Correia, Dida Araújo, Ivan Renato e tantos outros, todos capitaneados pelo ilustre Mouzart Santos, vivi momentos de glória de um jornalismo de TV que discutia, divergia mas que ao final  convergia para um resultado que deixava satisfeito todo um público telespectador.

 

Lembro-me muito bem dos embates travados entre o Jornalismo e a área administrativa exatamente por conta de contenção de despesas, mas nunca a Diretoria da  Empresa deixou se levar por   redução de gastos medíocres que refletissem na qualidade do bom jornalismo. Justiça se faça, Mouzart Santos, então Superintendente, teve um papel muito importante e positivo na  condução  desse processo.

 

No seu comentário você fala que não deveria “meter o bico” num problema interno de uma empresa privada, mas esqueceu que TV É CONCESSÃO PÚBLICA, estando portanto passiva de qualquer opinião na sua forma de administrar sem que isso caracterize intromissão, sobretudo quando se trata da opinião de um um jornalista do seu nível que procura tratar os diversos temas com a mais absoluta imparcialidade.

 

Você fala também que não se trata de um apelo protecionista. Discordo dessa sua posição, na medida em que entendo que quem tem que, prioritariamente defender o jornalista, é o próprio jornalista, seja qual for a situação.Se não defendermos a bandeira dos nossos colegas, quem fará isso por nós? OS PATRÕES???? Aliás, onde está o nosso querido Sindicato???? Ah, que saudades dos anos oitenta quando figuras como Célio Nunes, Valdomiro Junior, Milton Alves, Araújo, Toinho Vieira, Niura Belfort e uma “porrada” de tantos outros,  encampavam “brigas” em nome da categoria. Iam às redações, travavam campanha salarial, faziam greves e terminavam conquistando resultados  muito embora pequenos, mas bem maiores dos que vemos hoje.Quem, naquela época, tinha coragem de transformar um Cinegrafista (REPÓRTER CINEMATOGRÁFICO) em motorista????Isso não existia. Esta é uma atitude nefasta, insensível de quem quer aplicar metodologias de um capitalismo selvagem. ALIÁS, ISSO É DEMAIS. ISSO É UM VERDADEIRO VÔMITO………….

 

Com a palavra: os acionistas; o Sindicato dos Jornalistas; o Poder Público; o poderoso Núcleo de Jornalismo da Rede globo de Televisão….Lamento profundamente, Bertulino Menezes – Jornalista.

 

 

Sobre a carta aos comandantes da TV Sergipe – Edson Júnior

 

Caro Jornalista Claudio Nunes, muito oportuno e preocupante seu artigo de ontem, 16/07, a respeito de pressões, cortes e ajustes na TV Sergipe, sob intervenção.

 

Ajustes administrativos são normais, em quaisquer ambientes, sejam no lar ou nas empresas. O bom ajuste, no entanto, obedece regras transitórias e, sobretudo, a manutenção da normalidade no ambiente corporativo e sua relação com o público. Seu princípio é o diálogo; não a força, não a pressão.

 

O verbete “intervenção” sugere medida de correção frente a algum desequilíbrio ou desarmonia, e que deve ser levada (a intervenção) à cabo por figura externa, consensuada pelas partes envolvidas. O interventor é chamado ao problema e dele são exigidas soluções para os problemas financeiros, ou impasses societários. De que problema padece a TV Sergipe? Ambos? No financeiro, o interventor vai de imediato à palavrinha “custos”. No impasse societário, a mudança de comando. Simples, não? Não, não é! Por exemplo, se é para cortar custos, “virar a mesa”, precisa da figura de um interventor? Ele mesmo, já não seria um custo que pudesse ser evitado?

 

A TV Sergipe é TV Sergipe pelo que ela mostra à sua clientela que está em frente a um aparelho de televisor e que atende aos apelos comerciais exibidos nos intervalos. Fragilizar seu produto (sua produção) é fragilizar sua relação com telespectadores e anunciantes. Bom lembrar, que o público de hoje dispõe de outros meios eletrônicos de entretenimento e informação. Mas, a TV Sergipe mantém seu espaço de quase 4 décadas (39 anos) em razão de sua história, de seu vínculo umbilical com o povo e seus funcionários, como bem lembrou Cláudio Nunes, ao trazer à luz a figura sempre querida e bem lembrada pelo povo e por seus funcionários do patriarca e fundador da emissora: Dr. Augusto Franco. Vivo, Dr. Augusto estaria triste e não concordaria com essa forma de ajuste, até porque, ele próprio, um visionário, homem que enxergava oportunidades a frente dos problemas.

 

Mas, deixemos de saudosismos. Essa pressão psicológica, ou “terrorismo”, descrito em seu artigo, Cláudio, pode sugerir assédio profissional. Cabeças não trabalham bem sob pressão. Isso é um adiantado flerte com a queda de qualidade da emissora; qualidade, aliás, reconhecida há décadas pela população e pelo mercado.

 

Cancelar o pagamento quinzenal de salários, é desconsiderar compromissos assumidos pelos funcionários da emissora no comercio. Nesse momento, não é tanto a pessoa física que importa, mas a pessoa jurídica, quase que solidária ao ato. Na hora da compra, vale o contracheque. Será que o desencaixe financeiro é tão imenso assim para a emissora?

 

Por outro lado, cortes no departamento de jornalismo fragilizam um dos seus melhores produtos. Observo a qualidade do jornalismo da emissora e de suas produções, como o São João da Gente, um fenômeno que mantém acesa a chama de nossa maior tradição cultural: as festas juninas. Tem, ainda, Terra Serigy, Viva Esporte, Estação Agrícola, programas que conferem sergipanidade e amor ao que é nosso. Pelas redações da TV Sergipe passaram “monstros do jornalismo”, cada um com suas vivências e experiências, que construíram o jornalismo da casa e esculpiram novos valores profissionais ao longo dos tempos. Você é um deles, Claudio. Com absoluta convicção, não há nenhuma academia que forme jornalistas de televisão melhores do que os jornalistas que passaram e passam pela TV Sergipe.  Não há nenhum desmerecimento aos dignos e qualificados profissionais da TV Atalaia e demais veículos. É questão de anterioridade e de escola de jornalismo, que contou com figuras do quilate de Armando Nogueira e Alice Maria. Não vou fazer abordagens sobre o período repressivo. O propósito aqui é outro. Creio que o processo de reoxigenação profissional ficará comprometido. Uma universidade de jornalismo a menos em Sergipe, acreditem. Observem a migração de profissionais do jornalismo da Rede Globo para a Rede Record. Não deu qualidade à Record?  Pois é, mercado é de oportunidades e condições, portanto…

 

Essa história de repórter cinematográfico ser, também, o motorista, é bizarra. O motorista é profissional talhado para a pista, ágil em situações embaraçosas e focado no trânsito; sua atenção é prioritariamente dedicada a ele. Agora, o repórter cinematográfico dirigindo, pensando no desenvolvimento da pauta, observando um flagrante, que possa render matéria e audiência aos telejornais da casa, não tem condições de exercer adequadamente seu ofício estando com os olhos grudados no trânsito. Pensem, leitores, sair com câmera na mão (algo em torno de 30 quilos), tripé, “pau de luz” e baterias para entrevistar alguma personalidade pública. Como ele vai iluminar e filmar ao mesmo tempo? E no caso de flagrantes do dia a dia. Uma perseguição, por exemplo. Imaginem, encostar o carro, abrir mala, tirar equipamento, prepará-lo para colher as imagens e outros procedimentos (White balance, filtros, etc…). Quando ele estiver com a câmera preparada o fato ?já foi? e a concorrente passará por ele com fita em mãos e em direção à sua redação para edição.

 

Olha, Cláudio, pode até ser que em alguma indústria o gerente acumule as funções de motorista; mas em padaria, padeiro tem que fazer é pão, e o melhor. Ao invés de equações e medidas gerenciais complexas, é  mais apropriado qualificar mais e mais os produtos da casa e investir na qualificação e reconhecimento dos seus recursos humanos. O resto é com o departamento de marketing, de vendas e um contabilista para lançar os cifrões proporcionados pelos investimentos, não pelos cortes. 

 

Blog no twitter: www.twitter.com/blogclaudionun

Frase do Dia

“O mundo é perigoso não por causa daqueles que fazem o mal, mas por causa daqueles que vêem e deixam o mal ser feito”. Albert Einstein.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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