Até o Ibope erra

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Os institutos de pesquisa já erraram feio ao inferir eleições em Sergipe. E não faz muito tempo. No sábado véspera do pleito de 2018, o Ibope, maior instituto e sinônimo de pesquisas eleitorais no país, apontava que Valadares Filho, do PSB, estava na frente com 34% das intenções de voto, empatado tecnicamente com Belivaldo Chagas, do PSD, com 33%. Eduardo Amorim, do PSDB, aparecia em terceiro lugar com 20% das intenções de voto.

Quando as urnas foram abertas no domingo, apenas um dia depois, mostraram resultado bem diferente. Belivaldo terminou em primeiro lugar disparado, com mais de 40% dos votos válidos, muito à frente e quase com o dobro dos votos de Valadares Filho, que foi para o segundo turno com 21% — 13 pontos percentuais a menos do que previa o instituto. Depois o governador se reelegeu fácil na segunda volta.

Para o Senado, o erro foi ainda mais gritante. Os institutos de pesquisa apontavam o então senador Antônio Carlos Valadares, do PSB, sempre na liderança na busca do quarto mandato, seguido de longe por André Moura, do PSC, então homem forte do presidente Michel Temer, pelo ex-governador Jackson Barreto, do PMDB, e pelo ex-deputado federal e ungido do PRB, Heleno Silva.

Qual não foi a surpresa quando as urnas foram apuradas: venceram aqueles que apareciam na rabeira da pesquisa do Ibope, o ex-deputado federal Rogério Carvalho, do PT, e o delegado da Polícia Civil Alessandro Vieira, um neófito na política e então filiado à Rede.

Alessandro Vieira tornou-se ali um recordista com mais de 474 mil votos, e Rogério Carvalho foi o segundo eleito ostentando um também expressivo balaio de mais de 300 mil votos. Quase 50 mil votos à frente de André Moura, terceiro colocado, que era citado como um dos favoritos.

Não sejamos levianos de afirmar que pesquisa eleitoral não é de alguma valia. Mas é certo que quanto mais distante da eleição a aferição é realizada menos ela poderá antecipar o que vai acontecer no dia do juízo final, quando o eleitor vai à cabine eleitoral e tecla o seu voto.

Assim como a imprensa tem pressa em deflagrar logo o pleito de dois anos depois mal acaba uma eleição, também há os pretendentes a candidatos que já querem saber precocemente o que dizem as cartas jogadas pelos marqueteiros e institutos de pesquisa.

São previsões muitas vezes furadas, o mundo político está cansado de saber, que servem para medir uma tendência e confirmar certos desejos facilmente fadados ao fracasso antes mesmo do jogo eleitoral começar.

Em julho do ano passado, faltando ainda longínquos 14 meses para o pleito municipal, o deputado estadual Gilmar Carvalho (PSC) já alardeava uma pesquisa do Instituto Padrão para anunciar que liderava a “corrida eleitoral” em qualquer cenário, à frente, inclusive, do prefeito Edvaldo Nogueira (então PCdoB). Hoje, o apressado deputado corre o risco de sequer ter legenda pela qual concorrer.

Em dezembro, o Instituto Dataplan já mostrava Edvaldo como preferido, com 23 a 24% das intenções, a depende do cenário, agora seguido pelo deputado estadual Gilmar Carvalho, com 17 a 19%. Valadares filho vinha em seguida, com 11 a 12%. Danielle Garcia estreava com cerca de 5%.

Recentemente, surgiu um novo instituto, Certa Consultoria, que identificou Danielle ligeiramente à frente de Edvaldo, 22% contra 21%, mais ou menos. Valadares 12,5% e Gilmar 11,5%. A pesquisa foi contratada pelo Cidadania, partido da delegada, o que despertou muitas críticas sobre a imparcialidade da inquirição.

Finalmente, na última quarta-feira, 5, a TV Atalaia divulgou pesquisa do Instituto Única, colocando na cartela dez nomes de pré-candidatos. Edvaldo apareceu muito bem, com mais de 39%, seguido daqueles três que vêm se consolidando na posição intermediária das pesquisas até então postas: Danielle 15%, Valadares 14% e Gilmar 13,6%.

Surpresa negativa foi Márcio Macedo (PT), citado por apenas 2,2% dos eleitores entrevistados, depois do rompimento com o prefeito e do lançamento de candidatura com pompa e circunstância.

Mas sabe o que isso significa? Que talvez o quadro eleitoral deste ano começa a se definir. Talvez não signifique nada mesmo. Os derrotados da última eleição que o digam.

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