Autoestima

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Dizem que o povo brasileiro padece de uma autoestima baixa, você concorda com essa afirmativa?

Aliás, alguma vez na sua vida você já parou para refletir sobre o que representa para um indivíduo, para uma família, para um grupo ou, até para uma nação sofrer deste mal chamado baixa autoestima?

Estou certo que sim, todos nós, de alguma forma, estamos preocupados com os malefícios provocados por essa “doença social”.

Sobretudo porque a maioria somos pais e, como pais, não gostamos de ver nossos filhos sofrerem. E baixa autoestima faz a pessoa sofrer muito.

Não gostamos mesmo. Porém, lamentavelmente, somos, mesmo sem perceber e sem querer,  os maiores responsáveis por essa epidemia que tanto nos causa prejuízos vida a fora.

Não nos culpemos, foi assim que fomos educados e formados, nossos pais fizeram assim, os pais deles fizeram da mesma forma e assim, nós, também, talvez estejamos agindo do mesmo jeito.

Resta-nos, portanto, a partir do momento em que tomarmos conhecimento de que somos, também, causadores deste mal, corrigir essa rota e fazermos a diferença.

E, o que é baixa autoestima, ou autoestima baixa?

Poderíamos dizer em poucas palavras que é a falta de amor, quem sofre de baixa autoestima não ama ninguém.

Não ama, porque não tem amor, ou seja, não tem amor-próprio é carente de amor e, quem não se ama, nem tem amor, não pode também amar ninguém.

Por quê?

Porque só damos aquilo que temos. Logo se uma pessoa não se ama, não tem amor nem para ela, imagine se vai ter amor para dar a alguém?

A carência de amor leva a que tenhamos sempre um mundo em preto e branco e arrasta a nossa autoestima para baixo.

É interessante, acredito sabermos onde ela se origina, porque uns estão com a  autoestima nas nuvens,  enquanto noutros ela se arrasta ao rés-do-chão, que é, segundo a voz corrente, o que acontece com o povo brasileiro e, quando falo povo brasileiro,  falo de mim, de você, de nossos filhos, nossos parentes e aderentes, nossas instituições, nossos governos etc.

Pois bem, sabemos que a falta de amor é a causa primeira, porém, é bom que tentemos explicar o porquê da existência desse desamor, de onde se origina.

Ressalvadas e respeitadas todas as outras avaliações, certamente mais técnicas e até científicas, dadas, por pessoas melhormente preparadas, deixo aqui o meu ponto de vista a respeito da origem do desamor/baixa autoestima no nosso meio e algumas sugestões para melhorar este diálogo pais e filhos.

Afirmo de inicio que ele se origina no convívio do lar. Pais/filhos, limites e liberdades, aceitação e, sobretudo, proibições.

Nós, os pais, querendo sempre tornar os nossos filhos melhores, achamos que eles não podem e nem devem fazer nada errado.

Eles têm que fazer desde a mais tenra idade tudo muito certinho e dentro de padrões que eles nem sabem quais são. E não sabem por um motivo óbvio: eles nunca passaram por contundentes experiências de vida, eles não têm uma consciência adulta como a nossa.

Mas, nós os cobramos como se eles já fossem sejam iguais a nós, conhecedores do mundo que, convenhamos, também, só fomos entender muito depois.

Esquecemos que eles só têm cinco ou dez anos, enquanto  nós estamos com vinte, trinta, ou mais.

Não alertamos também para um fato simples: que um dia tivemos aquela mesma idade e que certamente fazíamos as mesmas coisas que hoje eles estão a fazer. E, tentamos corrigir com as nossas desmedidas admoestações e reclamações.

Ninguém gosta de ser admoestado, ninguém gosta de carões, de reclamações, de censura, de proibições, de grosserias, de reiteradas críticas.

Mesmo as crianças mais inocentes não ficam felizes e, com o tempo, aquelas ladainhas vão minguando a autoestima, levando-a para baixo.

A indagação deles é: “que diabos! Será que eu não faço nada certo?” E, dentro dos seus limites pensam: “eu nunca vou ser nada mesmo, eu nunca vou fazer nada acertado?” Esta conclusão prejudica ainda mais o processo de formação e gera outro efeito devastador: as ladainhas dos pais passam a ser, de forma seletiva, evitadas,  deletadas, não mais escutadas, entram por um ouvido e saem pelo outro, aumentando o nível de estresse entre pai e filho, redundando, lamentavelmente, em mais discussão e desamor entre ambos.

Falta de tato, pois ninguém gosta deste blábláblá, de se sentir censurado, admoestado, reprimido.

Quer um efeito melhor? Conte uma história para ele e, dentro da história, coloque o que quer corrigir ou alertar. Porém, de forma lúdica. De uma maneira tal que o filho se sinta convidado a participar do processo e da história.

Não se esquecendo de dar exemplos, bons exemplos e elogios sinceros. Criticar nunca.

Vou citar um exemplo, sei que alguém já deve ter escutado, pois sempre cito e repito algumas vezes no que escrevo. Contudo, ele é clássico por se prestar muito bem aos assuntos que escrevo e, sobretudo este de hoje. Portanto peço aos que conhecem que me perdoem a repetição.

Vamos imaginar que o seu filho de 12 anos, de quem você exige muito, pois quer vê-lo um bom profissional daqui a algum tempo.

Naturalmente que ele estuda e tem que prestar contas do que faz certo ou errado a muita gente: professores, diretor de colégio, pais, colegas e a ele próprio. Então por alguma razão ele não foi muito bem numa avaliação trimestral, tirou uma nota abaixo da média, uma nota “vermelha”: cinco, quatro, três, enquanto a nota máxima é dez… Um desastre, ele mesmo está muito triste, pois já tem consciência de que não foi bem! Os outros colegas tiraram nove, dez, por isso sua autoestima já está fragilizada; o professor também dá a sua colaboração para que sua autoestima desça um pouco mais, seus colegas ainda contribuem para que ela chegue mais próxima ao chão.

Como se não bastasse, o professor lhe diz: segunda feira você só entra na classe se trouxer o seu boletim assinado pelo seu pai ou pela sua mãe. Pronto! Só faltava isso para acabar com a sua paz, estragasse o seu fim de semana e criasse um grande problema na sua vida de filho, aluno e estudante “incompetente”.

Ele leva aquele papel, queimando em brasa a sua mão, escolhe o melhor horário para mostrar ao pai e pedir que ele aposte ali o seu ciente. Na sua cabeça já passaram mil e uma formas de explicação para o momento, inclusive, já pensou até em falsificar a assinatura do pai, pois tem certeza de que vai,  no mínimo,  levar um esculacho ou, até uma surra e escutar uma infinidade de reprimendas a exemplo de: EU te dou a melhor escola; EU te dou  as melhores roupas; EU te dou os melhores passeios… E TU só me dás desgosto, olha a nota que TU tiraste. Não estás mais estudando,  não,  seu moleque… TU mereces mesmo é uma boa surra… Seu imprestável…

Grosserias suficientes para enterrar qualquer amor-próprio, qualquer autoestima.

Como seria diferente se,  ao receber o boletim,  o pai,  primeiro elogiasse as notas boas, não denunciasse as ruins, esperasse que o próprio filho dissesse: pai, mas, o senhor viu aí duas notas vermelhas?

E o pai respondesse: que nada filho quem tira oito, sete e nove nas matérias tais é porque é bom, algumas notas baixas ocasionalmente não querem dizer que você seja um mau aluno não. Acredito que na próxima vez você já recuperará, sem dúvidas, estas notas baixas. Você é competente, meu filho, e nós, eu e sua mãe, estamos aqui para auxiliar-lo, se você precisar. Você é o melhor filho do mundo, estamos orgulhosos de você, etc.

O que você acha? Qual das duas fórmulas você gostaria que usassem com você, se você fosse o filho?

Qual das duas você acredita que tem a possibilidade de baixar ou elevar a autoestima de um jovem?

Já pensou se todos nós pensássemos em elevar a autoestima e o amor- próprio das pessoas?

Mudaríamos o conceito de que os brasileiros têm uma autoestima baixa em poucas décadas. Falta boa vontade.

Pense nisso, comece o processo em sua casa elogiando mais e criticando menos. Faça a diferença.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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