Brasil é mais um gigante golpeado e enterrado em Kazan

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Hora de olhar para a Seleção Brasileira de um futuro imediato (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Mais uma vez, o brasileiro passa a olhar a Copa do Mundo com frustração. Derrotada pela Bélgica por 2 a 1, a Seleção Canarinho foi eliminada apresentando novamente problemas de outras partidas, como a baixa efetividade no ataque e o nervosismo. Foram 8 gols em 5 jogos, e atuações em que o emocional fraco tornou o Brasil equivocado e previsível.

O time não fez uma má partida. Teve boas chances, durante boa parte do jogo. No início, apareceram várias oportunidades de sair na frente, e tínhamos a sensação de que a classificação viria. Depois que sofreu os dois gols, teve chances também de descontar. Foram inúmeras bolas desperdiçadas que acabaram fazendo falta, no fim das contas.

Nesta Copa, o Brasil teve muita dificuldade para marcar. Nos cinco jogos, foram 95 finalizações e apenas 8 tentos anotados, mostrando que foram precisos 11,8 chutes para marcar. A Bélgica, por sua vez, chutou nas metas adversárias 82 vezes, marcou 14 gols: 5,8 chutes por gol. Apesar de ter adversários menos complicados que o Brasil, conseguiu ser letal e cirúrgica quando necessário.

A Bélgica mereceu vencer. Contou com a sorte no primeiro lance, mas foi inteligente ao administrar e aumentar a vantagem. Com o placar confortável, foi bem mais cômodo para manter as duas linhas de marcação próximas a sua área. Deixou o Brasil jogar, mas não com facilidade.

Mais um gigante eliminado em Kazan: Alemanha, Argentina e agora o Brasil. Já pode ser apelidado de “cemitério dos campeões”?

Tem vilões?

É difícil eleger um vilão, e talvez nem seja necessário. Mas é importante destacar os péssimos desempenhos de Paulinho, Gabriel Jesus e Fernandinho. Este último talvez tenha encerrado sua participação na Seleção de maneira melancólica. Foi um dos protagonistas do 7×1 e hoje também protagonista na eliminação com um gol contra.

Gabriel Jesus não existiu durante toda a Copa do Mundo. Vários argumentos se apresentaram para defendê-lo: “importante taticamente!”; “ele volta para marcar!”; “joga para o time!”. Essas são, sim, qualidades que agregam, mas cada jogador tem uma função específica. Jesus é 9, precisa fazer gols. Nesta edição, em cinco jogos, não fez nenhum. Nenhuma assistência. Por razões semelhantes, Fred foi execrado em 2014, talvez com justiça. Gabriel é bom, é jovem, mas merece ser criticado pelo seu mau desempenho. Ponto.

Paulinho fez mais uma péssima Copa. Assim como em 2014, teve atuações ruins, se mostrou perdido em campo, principalmente contra a Bélgica e ficou devendo bastante. É um bom jogador, mas deve ter seu ciclo encerrado imediatamente, assim como Fernandinho.

O que aprender

O time de Tite abusou de cruzamentos, errou passes infantis e perdeu chances que não se perdem. No fim, melancolia e algumas lições. A primeira delas é que camisa, sozinha, não ganha jogo. Sim, ela pesa. Sim, ela assusta. Mas isso não é tudo. Depois de um vexame histórico e insuperável e a vivência em um futebol cada vez mais “global”, acreditar que vai vencer só por ser Brasil denota uma postura soberba e até ingênua. E nós, brasileiros, sempre apostamos nisso, de uma forma ou de outra.

A segunda delas é que não existe mais bobo no futebol. O mantra não é novo, verdade seja dita. A Bélgica, time que teve seu melhor desempenho em 1986 com um quarto lugar e desde então sempre coadjuvante, tem sua melhor geração em campo e está credenciada para conquistar um feito inédito. Na outra chave, só temos a Inglaterra como campeã do mundo. Croácia, Rússia e Suécia, apesar de suas limitações, conseguem ser páreo para outros “grandes”. É bom estar de olho.

A terceira lição é das que podemos tirar mais proveito, aprendendo com os outros: o erro não pode sepultar o trabalho. Tite errou na convocação? Na nossa avaliação, sim. Faltou banco. Alguns nomes foram questionáveis. No entanto, o trabalho de Adenor não pode ser interrompido. Deu cara o time, recuperou a confiança na Seleção e pode fazer, mais uma vez, a renovação que precisamos.

Nova geração

Vem uma geração boa por aí. Em 2022 serão exatos 20 anos do Penta, e podemos ter caras novas na Copa do Mundo, de verdadeiros aspirantes a craque: Arthur, do Grêmio (que deveria ter sido convocado agora); Lucas Paquetá, do Flamengo; Vinícius Jr, do Real Madrid; Rodrygo, do Santos, David Neres, do Ajax. São apenas alguns que devem se somar a Neymar, Coutinho, Jesus, Alisson e outros.

O sonho do Hexa está vivo. E vem com tudo daqui a quatro anos. É hora de olhar para a Seleção Brasileira que já vem em um futuro imediato, próximo ano, na Copa América. Tempo de renovar.

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