Bucha de canhão

0

 Até que ponto são confiáveis as pesquisas que apontam as preferências dos eleitores e as vantagens dos candidatos? Esta pergunta vem sendo feita em todas as campanhas eleitorais, por diversos segmentos da sociedade organizada e até pelos próprios candidatos. Toda eleição tem pesquisas para todos os gostos, dando resultados totalmente diferentes, no mesmo período, a candidatos distintos. Uma diz que o candidato do partido “A” estava 10% ou 15% à frente do candidato do partido “B”. E outra diz exatamente o contrário.

  A Justiça Eleitoral segue a legislação. Que é muito falha. Até os políticos, através do Congresso Nacional, não tiveram coragem de impor uma legislação mais dura para as pesquisas eleitorais. Não basta o registro prévio. O certo é que a Justiça Eleitoral deveria ter uma metodologia única. Ou seja, todos os institutos deveriam seguir o que determinasse o TSE. Não iria acabar, mas a manipulação reduziria bastante.

  Em Sergipe ocorrem várias aberrações toda campanha eleitoral. Tem “instituto” que já foi ameaçado de ser denunciado por candidatos por tentar vender resultados. Na última eleição realizada fora do período eleitoral, a de Capela, um “instituto” deu a vantagem de mais de 10% para o candidato derrotado pelo atual prefeito Sukita.

  Tudo passa pela metodologia usada. A manipulação começa na hora de escolher os municípios. Qual o critério para você escolher 20 municípios no universo de 75? Não seria mais lógico pesquisar os maiores eleitoralmente? Seria, se a intenção não fosse  manipular os índices eleitorais. Pode ter certeza leitor e  eleitor, isso ocorre bem aqui.

   O renomado sociólogo francês Pierre Bourdieu, num artigo publicado nos anos 70, já procurava desvendar os mecanismos através do quais é possível manipular a opinião pública, usando as pesquisas publicadas como instrumento político. Vários outros analistas também já demonstraram as mesmas preocupações, como, por exemplo, à eventual omissão, nas perguntas e respostas, de determinadas opções às quais o entrevistado deveria ter tido acesso. Também faz parte das técnicas de manipulação recorrentes, a proposição dentro do questionário, da mesma questão formulada de formas diferentes por várias vezes, de modo a permitir ao manipulador, selecionar as repostas que melhor lhe convém publicar.

  Outro fator importante que pode produzir distorções, segundo Bourdieu, é a subordinação da pesquisa a uma demanda particular de quem a encomenda. Nesse caso, não apenas o questionário poderá estar sujeito à formulação viciada, como também, a escolha do momento e do veículo de comunicação em que a pesquisa será publicada, também esconde um artifício com a finalidade de influenciar a opinião pública.

 Ou seja, pesquisas eleitorais são perigosas, pois elas podem também, ser manipuladas. Os registros dos métodos de pesquisa no TSE, por exemplo, revelam que estas são “auto-ponderadas”. Auto-absolvição? Além disso, se as diferenças entre candidatos for mesmo pequena, as pesquisas nada representam para efeito de validação de resultados.

  Ainda bem que o  eleitor esclarecido sabe que o resultado que mostra um candidato na frente do outro não é o único indicador da vitória: as boas pesquisas mostram quem tem as melhores propostas, o melhor programa de rádio, o melhor programa de televisão, o posiciona- mento do candidato nas diferentes categorias sociais, a avaliação que cada candidato recebe por parte dos eleitores, independentemente da sua simpatia ou intenção de voto, dentre mais de uma dezena de perguntas que são feitas durante a entrevista.

  Lamentavelmente os  meios de comunicação, com honrosas exceções, omitem-se, como se o assunto não fosse merecedor da preocupação de todos, ou com o “verbo indo atrás da verba”. Com gosta de dizer sempre o ex-governador Albano Franco, “em Sergipe todo mundo se conhece”. E como! Principalmente quando se trata de pesquisas eleitorais. O sergipano conhece muito bem quem há muito tempo lança para o eleitorado pesquisa como bucha de canhão.

 

Pesquisas I

Qual o interesse, por exemplo, em divulgar uma pesquisa para candidatos proporcionais para a Câmara dos Deputados e Assembléia Legislativa onde mais de 80% do eleitorado ainda não sabe em quem votar?

 

Pesquisas II

Outro exemplo: se são pesquisados Aracaju e mais 21 municípios, mas os resultados da capital, Tobias Barreto, Glória, Muribeca, Pacatuba, Riachuelo e Indiaroba não foram publicados. Porque será? Com exceção de Tobias Barreto, Glória e Simão Dias, esta última pesquisa segue a tendência das anteriores e inclui Aracaju e municípios cada vez menores.O objetivo é óbvio: simular um avanço de João, que ganha nos municípios pequenos, e uma queda de Déda que vence nos mais populosos.

 

Pesquisas III

Pior do que isso, na composição da amostra de uma pesquisa, por exemplo, é dado a Aracaju um peso muito menor do que tem no universo pesquisado. Veja só: os 22 municípios ora pesquisados somam 548.115 eleitores e  Aracaju tem 347.712, ou seja 63,4% do universo desta pesquisa, mas do total de 2.130 questionários, somente 400 (18,8%) correspondem a Aracaju. Não tem estatístico, matemático nem “Mister M” que justifique tamanho absurdo. O objetivo aqui é evidente: apresentar uma diferença entre Déda e João muito menor do que realmente é.

 

Pesquisas IV

Além dos “erros”,  insistem em comparar, por exemplo, pesquisas que se referem a municípios diferentes e até sugere com gráficos  a falsa tendência de queda de Déda e de avanço de João. Imagine o absurdo, é como se alguém pesquisasse o Nordeste e um mês depois o Sul do Brasil e conclui-se que a popularidade de Lula caiu. Engraçado é que o próprio órgão, em  20 de março deste  ano, ao comentar a segunda pesquisa e constatar resultados melhores para Déda, afirmava que “não podem ser comparadas pesquisas feitas em municípios diferentes”. E agora que, segundo eles Déda caiu, pode?

 

Pesquisas V

Agora veja que interessante: aplicando os percentuais  nos 15 municípios cujos resultados foram publicados João ganha de Déda por 400 a 333 eleitores pesquisados. Mas para chegar ao resultado total da pesquisa que dá 38% a Déda e 33,4% a João, conclui-se matematicamente que nos municípios não publicados Déda vence por 476 a 311. É interessante ou não é?  Na falta desses resultados acompanhe O raciocínio lógico: assumindo que se mantêm os percentuais em Glória, Indiaroba e Tobias Barreto (já pesquisados anteriormente) e supondo empate 40%-40% nos outros três (Muribeca, Pacatuba e Riachuelo), o que não influencia muito pelo peso relativo destes municípios,descobre-se que a vantagem de Déda sobre João em Aracaju que era de 25% na última pesquisa aumento para mais de 30%. Ou, se preferir, que esta se manteve e que Déda melhorou substancialmente em Glória e Tobias Barreto. Ou, em última instância, uma combinação parcial das duas situações.

 

Pesquisas VI

Para terminar os resultados, por exemplo, de uma pesquisa para Presidente também não foram publicados, sob o argumento de que o TSE não respondeu a tempo ao pedido de registro feito em Brasília. O estranho é que a pesquisa do Vox Populi, cujo pedido de registro foi posterior  já publicou seus resultados desde quinta feira na revista Carta Capital e na Band. Quem tiver interesse de conhecer todos os resultados da citada pesquisa e só pedir a este jornalista que ele enviará um arquivo Excel. Nele poderão comprovar que a vantagem real a favor de Déda, quando aplicados os pesos eleitorais corretos de cada município, está entre 15 e 20 pontos percentuais, considerando todas as pesquisas realizadas publicadas pelo jornal.

 

Obras

O governo do Estado está destacando, através da imprensa, a realização de cinco grandes obras em Aracaju que foram vistoriadas ontem pelo governador João Alves. São elas: Hospital Infantil, Ceac Mais Fácil da Rodoviária, nova Maternidade, Parque da Cidade e ponte Aracaju/Barra. As obras estarão prontas entre agosto e setembro próximos.

 

Impugnação

O Procurador Regional Eleitoral, Eduardo Pelella, propôs ontem   Ação de Impugnação a Registro de Candidatura contra os seguintes candidatos: Lea Sobral (dep. Federal PTdoB); Diogenes Almeida (dep. Estadual PP); Jackson Barreto (dep. Federal PTB); Jerônimo Reis (dep. Federal PFL); Nelson Araújo (dep. Estadual PV) e Renato Brandão (dep.estadual PTB).A ação foi proposta porque todos os pré-candidatos exerceram cargo ou função pública na qual foram ordenadores de despesas e tiveram suas contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado de Sergipe, condição que os torna inelegíveis, segundo a legislação vigente. Porém, basta eles ingressarem com um recurso no TSE para que sejam mantidas as candidaturas.

 

Record

Ontem foi o primeiro dia da TV Atalaia como afiliada da rede Record. No jornal da Record, à noite, apresentado por Adriana Araújo e Celso Freitas, foi exibida uma reportagem de Sergipe, mostrando a chuva no sertão do Estado, no município de Poço Redondo. A reportagem foi da jornalista Renata Alves.

 

Frase do Dia

“Se você quer transformar o mundo, experimente primeiro promover o seu aperfeiçoamento pessoal e realizar inovações no seu próprio interior.” (Dalai-Lama)

 

Comentários