Burocratizando a saliência

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Cartas do Apolônio

Burocratizando a saliência.

Vem aí o imposto sobre o prazer.

Lisboa,  8 de setembro de 2006


Caros amigos de Sergipe


O deputado petista Eduardo Valverde apresentou um projeto no Congresso Nacional propondo que os prostitutos e assemelhados passem a contribuir com o INSS, como qualquer trabalhador brasileiro.

Por assemelhados entendam strippers, agenciadores do sexo, transexuais, bibas fechosas, além das meninas e meninos da vida fácil, evidentemente. Doravante até porteiro de cabaré vai ter que contribuir para a previdência.

O nobre barbudinho argumenta que os chamados trabalhadores da sexualidade atualmente são
prejudicados por não poder usufruir dos benefícios que gozam (no bom sentido é claro), os demais trabalhadores brasucas, como o salário família, a licença para ir ao banheiro ou a aposentadoria por tempo de serviço.

Se o projeto virar lei de verdade, as meninas da madruga vão ter que tirar a DRT para presentarem na hora de entrar no lupanar. Vai ser uma loucura!

Alguns amigos mais bem versados na chamada contabilidade sexual, já afirmam categoricamente que o rala e rola vai ficar bem mais caro para consumidor final. Chega a ser um absurdo.

Coloque em cima dos cachês habituais, 16% de desconto em carteira, mais contribuição sindical, décimo terceiro, férias proporcionais e veja o quanto a coisa pode subir na hora do “ái jisus”. É de perder a cabeça. Desse jeito, aonde vamos parar?

Será que vai haver cobrança de adicional de periculosidade no caso de um coito com o portador de um, digamos, documento descomunal?

E para aquele incorrigível tarado que quer levar junto para a mesma cama a garota e a sua cadelinha de estimação? Como se posicionará a Sociedade Protetora dos Animais?

Boneca inflável pagará excesso de bagagem? São perguntas que não querem calar e que exigem respostas urgentes dos diversos segmentos da sociedade brasileira.

A propósito, haverão determinadas posições mais caras na tabela do sindicato ou os serviços serão cobrados apenas por hora trabalhada, não importando as estripulias que os amantes desenvolvam na alcova? Ou por outra, será por cabeça ou a la carte?

Juntando essa nova moda da DRT prostibular, com aquele projeto de Lula de extinguir todos os documentos oficiais do cidadão transformando-os no Cartão Único, prevejo que o Brasil passará pela maior reforma já vista no país desde os tempos de Getúlio Vergas, digo Vargas.

Enquanto as mudanças não chegam, creio que só resta mesmo aproveitar as promoções que
ainda grassam à mancheia na economia informal das calientes noitadas brasileiras, afinal, não se sabe por quanto tempo ainda vai durar esta mamata.


Até semana que vem.


Um abraço do
 

Apolônio Lisboa.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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