Café com Letras debate literatura sergipana

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    Aconteceu no último dia 30 de setembro a estreia do Programa “Café com Letras”, uma ideia que vinha acalentando há tempos e que só agora,

Coordenando o evento ao lado de Murilo Melins

no exercício da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, Regional Sergipe – SOBRAMES – tento levar a  bom termo.

    Nessa primeira edição, lançamos um olhar sobre o poeta sergipano José Sampaio, por sugestão de Ilma Fontes, que coordena o Núcleo de Artes Plásticas da Sobrames Sergipe. O evento contou com  as participações  de Danilo Sampaio, filho do enfocado e também poeta, do escritor e memorialista Murilo Melins, que falou sobre José Sampaio e sua época e da poetisa Tania Menezes, que integra o Movimento Cultural Antônio Garcia da Academia Sergipana de Letras, uma das estudiosas da obra do saudoso “Poeta dos Humildes”. As primeiras leituras de textos poéticos de Tania foram as de José Sampaio. Quem prometeu se fazer presente foi Amaral Cavalcante, que também conviveu conosco em Itaporanga, mais de perto com Marcos e Magali, meus irmãos, Danilo e Liana, ele também um grande admirador da poética do autor de "Nós acendemos as nossas estrelas".

   Curioso é que tanto Tania, como Sampaio e Amaral,  mantiveram  relações muitas próximas com a nossa família. Tania, filha de José Paulino de Menezes, Seu Zé Paulino, como era chamado, era um grande amigo do meu pai Antonio Conde Dias. Entre as duas famílias havia uma relação cordial, de afeto e estima, que vinha de priscas eras. Já com Sampaio, a relação era bem mais íntima. Ele foi casado com tia Jaci, irmã do meu pai, uma pessoa de grande sensibilidade poética. Não tenho lembranças do meu tio porque quando ele faleceu, em  1956,  eu estava apenas com dois anos de idade. No entanto, após a sua morte, vivemos muito próximos a tia Jaci, uma doce pessoa, e com seus filhos, os primos Danilo e Liana, em Itaporanga, onde morávamos até 1961 e posteriormente em Aracaju. A vida se encarregou de ir lentamente nos afastando…mas as lembranças não findam e um dia, mais ou menos, retornam.

   Tania Menezes vem lendo Sampaio com intensidade e sobre ele recentemente publicou nas redes sociais um consistente ensaio. Para ela, o estilo poético de Sampaio "encerra a modernidade da forma, a atualidade do conteúdo e a universalidade da temática. Em seus poemas se nota a peculiaridade de uma melodia intrínseca e que independe da rima, recurso praticamente ausente nos versos livres que produziu." Já Melins, autor de "Aracaju Romântiva que vi e vivi", lembra com muita saudade sua convivência com José Sampaio, suas andanças pela cidade, os locais que gostava de estar e o medo que tinha de "alma", que era do conhecimento de seus amigos e motivo de brincadeiras.

    Acredito que iniciativas dessa natureza ajudem a manter viva na nossa lembrança os vultos da literatura sergipana, muitos deles já esquecidos pela ação do tempo. A segunda edição do “Café com Letras”, que vai acontecer em 5 de novembro, no mesmo local e horário, nos dará a oportunidade de lançar um olhar sobre a vida e a obra de Renato Mazze Lucas, médico, psiquiatra e escritor, patrono da Cadeira 32 da Academia Sergipana de Medicina, autor dos antológicos Anum Preto e Anum Branco.

   Quem foi José Sampaio

José de Aguiar Sampaio nasceu em Carmópolis em 1913 e construiu  a sua obra poética principalmente em Aracaju. Também contista e cronista festejados, “Sampaio legou-nos peças originais, consistentes, de profundo cunho social”, segundo o médico, escritor e também poeta Marcelo Ribeiro, que coordena o Núcleo de Literatura da Sobrames Sergipe. José Sampaio morreu jovem, aos 42 anos de idade, em 3 de abril de 1956. Deixou um nome de respeito, consagrado nas atividades literárias, o artista do verso que melhor soube cantar as ruas, os becos e as vielas de Aracaju.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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