Café Pequeno enfrenta Maré de Março

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E quem não acredita na lendária maré de março de Aracaju? Cada um de nós passou por várias, mas acho que a ressaca é mesmo Federal. Acabam as festas, as férias, vem o carnaval, e com ele o fim do verão… É certo que sempre nos resta a semana santa. Mas parece que finalmente o Brasil recomeça a funcionar. E nada melhor para recomeçar do que arrumar a casa e renovar as energias. Já dizia meu pai que a bolsa de uma pessoa é reflexo da sua cabeça. Imagina, então, a sua casa ? Nós amantes da sociedade alternativa e egressos da contra cultura, que carregamos a bandeira da informalidade como princípio, deparamo-nos agora com o mundo do Feng Shui , manuais e personal organizers. Mas réu confesso, eu que sempre achei moderno e chique a teoria do Kaos, começo a redescobrir os prazeres simples da organização cotidiana. E um dos mais prazerosos é sem dúvida arrumar a casa, gavetas, armários… É como se arrumássemos a cabeça e a puséssemos em ordem. Para os saudosistas não há nada igual a revisitar o baú. Difícil mesmo é escolher o que descartar. Sofro eternamente desse dilema, sou daquelas que ainda guarda matéria de jornal velho, mas vivo tentando ser “clean”. Além dos ácaros a gente desocupa áreas, retoma espaços, recicla e descobre que não precisa de muita coisa para sobreviver. Os orientais neste território são mestres e nos dão lições de sabedoria milenar. Não à toa nos presentearam com o Feng Shui. Não sou mestra no assunto mas como adepta do equilíbrio das energias, considero a recomendação de não guardar coisas (aquelas que a gente sempre acha que vai precisar um dia), o máximo. Dizem que interrompe a circulação da energia. E procede… Porém essa é a parte mais difícil de seguir (como é duro desapegar) sem exagerar na dose e descartar tudo. “- Mas cada coisa no seu devido lugar!” Por isso a importância da ordem alfabética, dos recipientes, espaços e ambientes definidos para cada atividade. Na verdade são conhecimentos universais baseados na experiência, sentimentos e observação humana hoje vendidos como parafernália revolucionária nos manuais de auto ajuda e personal services. Mas bem que ajudam principalmente neste momento em que nos tornamos escravos do tempo. Resta-nos ficar atentos a essas ferramentas sem sucumbir a ditadura de ser Qualidade Total o dia inteiro. Quem agüenta?

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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