Café Pequeno-Grito de Alerta

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          Ontem fui à Estância de balsa, à trabalho, e desde já senti uma profunda nostalgia ao avistar de longe os pilares da ponte Joel Silveira.

          Sou de natureza nostálgica e a travessia de balsas para mim, sempre fez parte do encanto do passeio, apesar de reconhecer o lado nada prático do trajeto.

         Mas os pilares da ponte estão lá, erguidos, e em breve o passeio de balsa será coisa do passado.

         Só espero que paralelo a construção da ponte se estabeleçam, também, normas de ocupação para a região de paisagem notável e tão frágil geografia.

         Afinal a construção de uma ponte atrai de tudo e, por isso mesmo, todo o cuidado é pouco.

         O litoral Sul é, sem dúvida, o mais belo trecho da nossa costa e a Ponta do Saco, particularmente, o ápice da beleza natural sergipana e, como tal, deve ser preservada como um tesouro.

         A natureza não deixa por menos e há anos envia sinais de alerta para a sua fragilidade ambiental. O desastre do ano passado, quando várias mansões construídas em local impróprio ruíram, além de catastrófico, só reforça a tese.

        E que aprendamos com a experiência pois, assim como no yin-yang, tudo na vida tem um lado positivo e o fato obriga-nos a repensar qual a melhor forma de usufruto da área.

        Inclusive estava previsto, ali, a implantação de um resort. Que sorte! Imagina o prejuízo.      

        Ah!!! “Resort”, essa doce palavra mágica que, aparentemente, sempre aponta para o desenvolvimento turístico sustentável de localidades com potencial interesse de preservação, mas traz intrínseca uma contradição pois também significa exclusão.

        Quantos de nós podemos frequentar tais resorts?

        Quantos de nós sergipanos poderíamos apreciar, a não ser de longe, a Ponta do Saco?

 

 

Mercado Municipal de Aracaju-Foto Ana Libório

       

 

 

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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