Café Pequeno-Tabu

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Uma leitura esta semana me chamou a atenção pela gravidade e ironia.

Uma pesquisa  sobre  gravidez e maternidade expõe uma fratura que, acredito, está na raiz da violência no Brasil mas que por melindre filosófico preferimos varrer para baixo do tapete.

Mas as pesquisas existem e só confirmam o que a gente vê por aí.

Enquanto nas famílias de classe média, onde a mulher é escolarizada e amparada, a média é de um a dois filhos, nas famílias de baixa renda ainda continuamos batendo recordes, justamente onde mulheres, quase sempre abandonadas na gravidez, assumem a posição de chefe.

Mulheres que, na  grande maioria,  empregadas domésticas e serviçais  deixam seus filhos desprotegidos na periferia para criar os nossos filhos nas redomas de vidro dos condomínios fechados.

Na gravidez adolescente o padrão da desigualdade se repete.

Grávidas, muitas adolescentes ficam, mas enquanto as privilegiadas têm acesso a todo o tipo de solução, contraditoriamente as desassistidas chegam em casa com mais uma boca, quando não raro, se arriscam em métodos abortivos perigosíssimos.

Não estou aqui a defender soluções radicais. Não conheço uma só mulher que não o tenha feito com muita dor. Mas o problema é real e sabemos disso!

Precisamos  evitar chegar até lá, mas precisamos também evitar  que milhares de meninas desamparadas continuem parindo crianças sem parar que em breve estarão, salvo raros golpes de sorte, povoando semáforos ou formando fileira no exército do crime organizado.

Acima dos tabus precisamos de reengenharia nessa fábrica humana do acaso.

 

Redescobrindo Sergipe-Carrapicho-Foto Ana Libório

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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