Café Pequeno-Todos dizem que eu falo demais…

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Num verão embalado pelo adocicado padre Fábio de Melo e a sua massacrante mídia televisiva duas personagens femininas sacudiram o marasmo e me fizeram agradecer a Deus viver em tempos mais amenos.

 

E olha que, nascida no último dos anos dourados, por muito, muito pouco, não fiquei por lá.

 

Falo de Maysa cuja série Quando Fala o Coração roubou a cena e de Leila Diniz, que em Perfis Brasileiros, livro do jornalista Joaquim Ferreira dos Santos, nos ensina como festejar a alegria de estar vivo.

 

Cada uma a seu tempo desafiou tabus, apenas e somente, por desejar viver a seu modo e em pé de igualdade com os homens, falar sem rodeios e fazer o que pensavam:

 

-Todos dizem que eu falo demais…Numa  época em que às mulheres restavam apenas o papel de esposa subserviente e mãe extremosa. Podíamos ser, no máximo, professorinhas.

 

Maysa, rebelde e intensa que só ela, inaugurou e foi a primeira vítima da era das celebridades escandalosas representando o ocaso de uma era e, só agora é resgatada do limbo pelo filho numa dolorosa e bela viagem ao passado.

 

 

Já Leila deu mais sorte por viver na libertária Ipanema dos anos 60 e estrear a nova mulher, aquela que não precisa pedir licença nem sofrer para ser feliz. Por isso mesmo foi massacrada pelos que não suportam a livre expressão do ser.

 

Em comum as duas precisaram morrer para serem compreendidas e, só então, celebradas.

 

Contudo o que mais nos choca é assistir, ainda hoje, mulheres que vivem, pensam, criam seus filhos e, o que é pior, filhas como se estivéssemos ainda em plenos Anos Dourados.

 

Depois de tanta história quanto retrocesso!

Redescobrido Sergipe-Foto Agnaldo Libório 

 

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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