CAIXA DOIS E MENSALÃO

0

A presença do tesoureiro licenciado do Partido dos Trabalhadores, Delúbio Soares, na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) foi patética. Delúbio fala com os dentes mal alinhados à amostra e deixa passar a impressão – ou certeza – do mais absoluto cinismo. É possível que não tenha acrescentado muita coisa na apuração dos fatos que envergonham o país, mas colocou em prática a estratégia dos advogados de defesa em assumir a culpa de tudo que foi praticado pela cúpula petista, se esforçando para blindar o presidente Lula, o deputado José Dirceu e até o ex-presidente do partido, José Genoino, que assinou o empréstimo feito ao Banco Rural e ao BMG. Os membros da CPMI ficaram irritados o silêncio de Delúbio, protegido por hábeas corpus preventivo cedido pelo STF, que lhe dava o direito de responder o que quisesse, sem qualquer punição.

 

A ironia e o silêncio, além das consultas permanentes ao advogado, estranhamente pago pelo PT, irritaram profundamente os parlamentares. Mas, as contradições e provas documentais já são suficientes para colocar Delúbio na cadeia e chegar a todos os outros envolvidos nessa rede de corrupção que, inevitavelmente, chegará ao presidente Lula, que também considerou que o PT passou a adotar o sistema dos demais partidos, ao fazer caixa dois. Mas foi exatamente o caixa dois que  trouxe constrangimentos a alguns parlamentares, porque Delúbio buscou generaliza-lo como um problema do sistema político do país: “os partidos brasileiros têm grandes dificuldades de sustentação. Sinto isso no PT”, disse. “Nós precisamos encontrar uma solução”, ressaltou. Parlamentares reagiram contra as insinuações de Delúbio, sobre a prática do caixa dois por outros partidos. “Se alguém se sentiu ofendido, peço desculpas”, disse.

 

Essa reação ao caixa dois é uma hipocrisia. Pode ter uma minoria de políticos no pais que não se utiliza de recursos dos partidos ou recusam ofertas de grandes empresas para campanhas eleitorais. É praxe a arrecadação de recursos para eleger candidatos majoritários e proporcionais. O dinheiro realmente não sai contabilizado e declarado no imposto de renda, mas através de artimanhas que evitam a revelação das empresas doadoras. Nessa questão de recursos de campanha, dificilmente se encontra alguém virgem e isso é tão natural que uma multinacional, durante o governo Collor, elegeu um parlamentar federal em cada Estado. Hoje os empresários usam de uma nova tática: autorizam as doações a candidatos de interesse de suas empresas e viajam ao exterior no período eleitoral. Economizam muito mais com as viagens, do que permanecendo em seus Estados. Isso é fácil de constatar e também é de conhecimento de quem vive da política. Estranho é a indignação de alguns parlamentares. O financiamento por fora de campanha é uma forma de algumas empresas terem a preferência, quando o grupo que elas apóiam chega no poder.

 

Quanto ao mensalão não há também razão de perplexidade. De novidade, só tem o nome. Desde a redemocratização do país que os partidos políticos perderam sentido e ideologia. Daí a estranheza da corrupção avalizada pelo Partido dos Trabalhadores, porque se imaginava ser uma legenda ideológica e que resistia às tentações da “grana que destrói coisas belas”. Em Sergipe, por exemplo, alguns prefeitos pagam complementação salarial a vereadores, para ter maioria nas Câmaras. Em uma das cidades que realiza festejos juninos, os prefeitos costumam liberar o “dinheiro do milho”. Uma dessas ajudas chegou a ser ridícula: “apenas R$ 300,00 entregues a cada vereador pelo líder do prefeito na Câmara. Ninguém rejeitou, nem a oposição”. Isso se espalha por todo o país, porque é muito difícil se conquistar apoio pelo programa de governo ou pela ideologia partidária. Se fosse assim ninguém escolheria os melhores cargos no poder e até preferia não participar para deixar o executivo trabalhar dentro de um projeto de governo que seguisse a linha do seu comando. Por tudo isso, assiste-se um show de hipocrisia quando os membros de qualquer organização política se indigna com a questão do caixa dois e de vantagens para formação de base aliada.

 

Lógico que os fatos surgidos em Brasília envergonham o país, em razão do uso descontrolado do dinheiro público, praticado exatamente por quem pregava a moralidade e a ética na política.

 

CANDIDATO

O prefeito de Aracaju, Marcelo Déda (PT), disse ontem que não vai aceitar, em qualquer circunstância, “que ninguém me derrote por WO”. Acrescentou que “se alguém quiser me derrotar terá que ser através de eleições”. Com isso Déda praticamente confirma que será candidato em 2006.

 

FORTALECE

Marcelo Déda considerou que “cada dia me fortaleço com relação ao meu futuro, que está nas mãos de Deus e do povo”. Déda reconhece que o quadro está terrível e o PT vem sofrendo um impacto terrível: “é o pior momento da história do PT. Nem no pior pesadelo pensei em ver isso”.

 

DESTINO

O prefeito Marcelo Déda revelou que está sentido, sofrido, sensibilizado com o sofrimento de tantos militantes e de vários amigos. “Esse sentimento não corrói a minha vontade de manter o projeto político”, diz e cita Tancredo Neves: “não fugirei ao meu destino”.

 

IMPEACHMENT

O governador João Alves Filho (PFL) esclareceu ontem que jamais pediu o impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na verdade foram os jornalistas que pediram ao governador uma comparação entre o ex-presidente Collor e o presidente Lula.

 

DIFERENTES

Sobre esta comparação, o governador João Alves Filho disse que foram situações diferentes: a de Collor foi localizada e a de Lula foi no atacado. O governador João Alves Filho considerou, também, que os casos já haviam chegado na ante-sala de presidente Lula.

 

PETROBRAS

José Eduardo Dutra passa o cargo de presidente da Petrobrás amanhã para o atual diretor Financeiro da estatal, o economista baiano José Sérgio Gabrielli. A transmissão de cargo será realizado na Refinaria de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, e contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 

RETORNO

Já como ex-presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra (PT), chega a Aracaju na próxima segunda-feira, onde continuará residindo. O novo presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, acompanhará José Eduardo a Aracaju, demonstrando companheirismo.

 

AFASTADO

Ontem, um aliado de José Eduardo Dutra disse que pode ter pretendido permanecer no cargo até abril, como é natural a qualquer cidadão. Mas não foi afastado diante da justificativa de que candidatos nas próximas eleições terão que deixar o Governo, como foi noticiado por Plenário ontem.

 

CONSULTA

Plenário voltou a consultar a fonte em Brasília, que tem acesso ao Planalto. Ouviu a confirmação de que José Eduardo Dutra trabalhou para se manter na Petrobras. Acrescentou que o presidente Lula iria fazer mudanças radicais em sua equipe e usou como argumento a questão da candidatura no próximo ano.

 

PROCESSO

O deputado Jackson Barreto entrou ontem com quatro processos contra o seu colega João Fontes, por ter sido acusado de integrar a lista de deputados que recebiam mensalão. Jackson considerou as acusações injuriosas e caluniadoras e, como havia prometido, resolveu mover os processos.

 

FONTES

O deputado João Fontes (PDT) se recusou a falar sobre o processo que Jackson Barreto está movendo contra ele: “vou fazer isso na justiça”. Fontes fustigou: “Jackson é especialista em processo, porque responde a vários deles na justiça”. Acrescentou que seus advogados já estão levantando discursos de Jackson.

 

MENSALÃO

O deputado federal João Fontes disse que está lutando, em Brasília, para que o PDT tenha titulares na CPMI do mensalão. O partido foi excluído da Comissão Parlamentar de Inquérito pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), mas os pedetistas estão reivindicando a vaga.

 

CANDIDATOS

A partir do próximo mês terá início a corrida de candidatos para acomodação partidária, visando as próximas eleições. Ainda sem definição sobre a reforma política, os políticos que trocam de legendas está se baseando nas possibilidades da coligação.

 

Notas

 

REFINARIA

O presidente Lula da Silva assegurou ontem ao governador de Pernambuco Jarbas Vasconcelos, que em agosto ou setembro volta a Recife em companhia do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para anunciar a construção da refinaria de petróleo da Petrobrás em conjunto com a estatal venezuelana PDVSA. A afirmação foi feita em café da manhã no Mar Hotel, do qual também participaram o prefeito de Recife, João Paulo, o ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, e o secretário geral do PT, Humberto Costa.

 

VALADARES

O senador Antônio Carlos Valadares (PSB) defende o financiamento público de campanha como melhor para os candidatos e o país. Ele considera que quem está no poder tem mais facilidade de arrecadar que aqueles que fazem oposição ou estão em partidos pequenos. O senador é oposição no estado. Valadares que está clara a utilização do poder para obtenção do caixa dois para campanhas eleitorais e empresas privadas beneficiadas com recursos públicos. Seria o resultado dos investimentos para candidaturas.

CAMPANHA

Um parlamentar da área estadual, que não quis se expor, disse ontem que estranha toda essa indignação de alguns políticos, com a revelação feita pelo ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, do uso de caixa dois dos partidos para financiamento de campanha nos estados, municípios e parlamentares. Diz que mesmo se houver o financiamento público de campanha, muitos parlamentares vão complementar os gastos com recursos provenientes de empresas privadas, que têm interesse em posição influente no poder.

 

É fogo

 

O prefeito Marcelo Déda falará hoje, na rádio Jornal, pela manhã, sobre sua insatisfação com os Reis, em Lagarto.

 

A insatisfação ocorre da posição política dos Reis e porque o prefeito está sendo culpado de não conseguir um núcleo da Universidade para Lagarto.

 

Apesar das chuvas, segundo informação do governo, não houve atraso no cronograma para inauguração da ponte que liga Aracaju a Barra dos Coqueiros.

 

João Alves Filho assinou ontem pela manhã o início das obras de construção da ponte que liga o Mosqueiro a Caueira.

 

O professor Adelmo Macedo (PAN) é o nome mais cotado pelo partido para disputar a Presidência da República no próximo ano.

 

O secretário de Justiça, Emanuel Cacho, já começou a trabalhar para sua candidatura a deputado federal.

 

Embora não tenha sido confirmado, há possibilidade de uma coligação do PDT e PPS para a disputa das eleições de 2006.

 

A maioria dos parlamentares não gostou da generalização feita pelo tesoureiro licenciado do PT, Delúbio Soares, de que todos os partidos usam caixa-2 na campanha.

 

O governo federal arrecadou R$ 31,582 bilhões no mês passado, maior cifra já registrada pela Receita Federal para meses de junho.

 

A empresa de seguro de saúde Unimed terá de pagar R$ 250 mil como indenização por danos morais aos pais e filhos de uma ex-seguradora.

 

A Unimed se recusou a cobrir os custos de um tratamento de câncer e a dar apoio médico à paciente, que acabou morrendo antes do fim do processo. Aconteceu no Mato Grosso.

 

As vendas de DVDs, que cresceram 128,88% no primeiro trimestre, alavancaram o setor de eletrodomésticos no período.

 

brayner@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
Comentários

Nós usamos cookies para melhorar a sua experiência em nosso portal. Ao clicar em concordar, você estará de acordo com o uso conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Concordar Leia mais