Carta à hipocrisia política partidária pela “janela”

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O google nos ensina que hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes e sentimentos que a pessoa na verdade não possui, frequentemente exigindo que os outros se comportem dentro de certos parâmetros de conduta moral que a própria pessoa extrapola ou deixa de adotar. Enquanto que política partidária é um grupo organizado de pessoas que formam legalmente uma entidade, constituídos com base em formas voluntárias de participação, nessa “democracia“. Em primeiro momento vimos que hipocrisia e política partidária nada têm a ver por se tratarem de fontes semânticas e diametricamente opostas.

Não há dúvida que o maior desejo do político é ser desejado. Desejado pelo governo, desejado pelos partidos, desejado pelo povo, desejado pela mídia, desejado … desejado … desejado… O PT deseja que Márcio Macedo seja o candidato a prefeito, mas possui Eliane Aquino que é a mais desejada pelo povo. O PDT vem desejando há tempos que Edvaldo Nogueira se filie. O PV já desejou Almeida Lima. A REDE deseja Daniella Garcia e outros três. O PSD deseja indicar o vice de alguém. E os menores vão desejando cargos e composições no Governo. Estes são os desejos políticos partidários.

Já os proporcionais esperam e desejam a tão esperada “janela” a partir de abril que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deverá autorizar os vereadores no exercício do cargo possam trocar de partido sem perda do mandato, sendo esta aberta apenas no período eleitoral com o prazo de apenas 30 dias. O fim das coligações proporcionais tende a imprimir uma nova dinâmica nas eleições 2020 e no interior dos partidos. As direções partidárias terão que fazer uma seleção dos seus mais competitivos candidatos para lançá-los, sem que eles concorram com outras candidaturas do mesmo partido. Isso tem tirado o sono dos presidentes das siglas que já rodam pelo interior do Estado à procura de pré-candidatos com potenciais mais aguerridos. Outro fenômeno que acontece são as fusões partidárias e a formação de federações de partidos, para conseguir êxito na disputa proporcional. Só resta para os partidos “nanicos” procurar se unir com o intuito de obter capacidade eleitoral para atingir o quórum mínimo do quociente eleitoral e cumprir a cláusula de barreira, como também, a cláusula de desempenho, que exige que para que o candidato consiga ser eleito, tenha no seu partido não apenas o número de votos para atingir o coeficiente eleitoral, mas individualmente o candidato tem que ter 10% do número de votos do quociente eleitoral. Isso também restringe a possibilidade de eleição.

A intensa migração é a hipocrisia política partidária.  As pequenas e médias legendas, com baixa possibilidade de atingir o quociente eleitoral, vão ter que se recompor, se unir a outras legendas, ou então liberar seus filiados e, principalmente, seus candidatos, para que se filiem a outros partidos, para conseguirem se eleger. Isso é necessário? Sim é necessário para a manutenção dos mandatos. A falência das coligações criou dentro da política subgrupos de poder sem a devida fiscalização eleitoral. Algo que não foi pensado pelos legisladores que em vez de unificar o poder pulveriza-o em outros níveis, entretanto nos traz um espectro ideológico em campo diferente, fazendo com que o eleitor ao votar em um candidato do partido A não eleja o candidato do partido B com outra tendência ideológica.

O autoengano dos políticos e a hipocrisia com o fim das coligações para disputa proporcional, a partir dessas eleições, será uma surpresa, porque ninguém sabe qual será o resultado, mas cabe aos partidos se estruturarem pois terão que lançar candidatos que terão que contar com seus próprios votos, tanto na situação, quanto na oposição. Isso vai depender da situação de cada município. O partido que lidera a situação ou lidera a oposição vai conseguir arregimentar candidatos com mais facilidade. Já os partidos menores terão muita dificuldade para completar a chapa que é até 150% do número de vagas. Para se ter uma ideia o município de Feira Nova, 104 km da capital, que possui nove vagas na câmara, cada partido tem o direito de lançar até 14 candidaturas, desse total, 30% devem ser mulheres, ou seja, quatro. Isso faz com que as mulheres tenham mais participação eleitoral e que os candidatos se preocupem em conseguir votos para atingir o em atingir o coeficiente eleitoral.

A dança partidária já se iniciou pelo Estado e os partidos mais robustos tendem a eleger mais candidatos, enquanto os médios e nanicos sumirem ou se fundirem para alcançar a meta eleitoral. Os articulistas e cientistas políticos já começam a fazer cálculos para trazerem os puxadores de votos para as siglas de seus interesses, usando a hipocrisia política partidária sem crenças e ideologias que entra em campo para iludir o eleitor. É preciso que os pré-candidatos com o sem mandatos tenham a elegância de mudar de partido apenas quando estiverem conscientes sobre a sigla que deve filiar-se. Até mais!

FGL

 

 

 

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