Casapueblo: Casa Sol de Vilaró

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Construção escalonada permite uma bela vista

Dados do Ministério do Turismo do Uruguai apontam que mais de 180 mil brasileiros visitaram o País em 2017, ficando atrás apenas dos argentinos, um aumento de aproximadamente 35%, se comparado ao mesmo período de 2016. A estatística também revela que Punta del Este, Montevidéu, Colônia del Sacramento, Litoral de Rocha, Litoral Termal são as principais localidades visitadas. Unanimidade em quase que a totalidade de visitantes, a Casapueblo, localizada na Punta Ballena, Intendência de Maldonado, a 16 km de Punta del Este, configura-se como uma atração que não pode faltar no roteiro de quem visita Uruguai. E não é por acaso um dos principais cartões-postais.

Quando o sol começa a se pôr, o amarelado do Astro Rei se reflete nas águas do Rio da Prata, extravasando sua cor nas paredes brancas da construção de Carlos Páes Vilaró. No mesmo momento, ecoa o violão sentimental da música “Concierto de Aranjuez” com voz gravada e sensível de artista uruguaio para acompanhar o poema “Ceremonia del Sol”, de autoria dele. Assim o ritual de conhecer a Casapueblo atrai cada vez mais brasileiros e turistas de todo o mundo, não somente pela observação do Sol de Vilaró, mas da arte, da história e da sapiência do artista, consagrado mundialmente.

O artista-construtor e a construção

Casapueblo a beira do Rio da Prata

Para deleite de quem a visita, a construção da Casapueblo Museo Taller Carlos Páes Vilaró é recheada de magia, história e quebra de regras. As paredes da construção finalizada em 1960 têm muita história, desde sua primeira construção, em madeira, até a edificação em cimento e cal. Cada massa batida aos moldes de Vilaró possui a participação dos pescadores locais. O próprio artista-construtor se auto definia como o pássaro uruguaio Hornero, que seria no Brasil o João de Barro, por ter construído a casa sem projeto definido, mas como se fosse uma grande escultura que se podia habitar, em estilo que lembra às construções do Mediterrâneo.

Escalonada em uma ponta rochosa e construída por fases, a Casapueblo primeiramente serviu de ateliê, depois de casa de veraneio, e ali logo se tornou um permanente atrativo com o olhar visionário do proprietário, que a construiu de forma que os futuros visitantes tivessem a visão privilegiada do Rio da Prata em quase que todos os cômodos, ao menos os cerca de 15% da totalidade aberta ao público.

Hotel Casapueblo

Percorrendo a construção, não se sabe ao certo se as escadas descem ou sobem, uma grandiosidade da engenharia do Gênio que queria quebrar limites e formas pré-estabelecidas. Mas é se perdendo em sua construção e detalhes que se percebe do lado direito o hotel e do lado mais à esquerda um café-restaurante onde, ao final do dia, turistas se amontoam na balaustrada para ver o privilegiado pôr do sol, presente também em parte da obra de Vilaró, como também na bandeira do Uruguai.

Sóis de Vilaró

Pôr do Sol é celebração

Sóis se apresentam em obras do artista que compõem salas, ornam terraços, corredores, ora com toques regionalistas, ora com pinceladas mais globais espalhando suas andanças pelo mundo. A arte de Vilaró se faz passado, presente e futuro desde as paredes da Casapueblo às pinceladas dos quadros e esculturas.

Nos espaços, a dedicação do artista a amigos que conheceu durante sua trajetória são referência ao passado dele, como La Callecita de Pelé, John Lennon Square, La Terraza de Mario Benedetti, Callejón Jorge Luis Borges, La Proa de Salvador Dali, Sala Pablo Picasso, Sala Vinicius de Morais, entre outros. Mas talvez a homenagem mais emotiva seja o livro que Páez Vilaró dedicou a seu filho “Entre mi hijo y yo, la luna”. Carlos Miguel foi um dos dezesseis uruguaios sobreviventes do desastre aéreo de 1972 nos Andes, que fora resgatado 72 dias após o acidente, com intensiva busca do próprio Vilaró.

Belo pôr do sol é união entre arte e natureza

E é ao final do dia o ápice do encontro entre a arte de Vilaró, o Rio da Prata, o Uruguai e a delicadeza do momento em que o sol mais uma vez se faz presente e se põe em ritual, como uma despedida mágica do local, para novamente ressurgir no outro dia. Os visitantes ouvem atentamente o poema “Ceremonia ao Sol”, na voz do próprio artista.  A sinergia entre ambiente, música, local, água do Prata e sol é perfeita para o emocional, assertiva do seu Criador e que transforma a experiência unicamente uruguaia.

Pôr do sol

O sol se vai como também se cala a voz de Vilaró para que no outro dia ressurjam mais brilhantes sobre o solo da Platina. A arte se faz presente em sua plenitude na Casapueblo: Casa do Sol de Vilaró.

Dicas de viagem

  • O artista Carlos Páez Vilaró Carlos faleceu aos 91 anos de idade em 24 de fevereiro de 2014. Ele exerceu as artes em sua plenitude, como pintor, ceramista, escultor, muralista, escritor, compositor e construtor do seu próprio empreendimento: a Casapueblo. Suas cerâmicas e obras estão espalhadas pelo mundo e muitas delas na Casa do Azulejo, em Colônia del Sacramento.

    Entrada da Casapueblo
  • A Casa Pueblo localiza-se na rodovia Interbalnearia, também chamada de Ruta Panorâmica, Península de Punta Ballena, a 16km de Punta del Este (a 15 minutos de carro). Telefone: (00598) 4257-8041. Funcionamento: todos os dias, das 10h até o pôr do sol. A entrada custa $10 dólares (cerca de R$ 35). Há possibilidade também de se fazer um passeio à casa incluso nos city tours de Punta Del Este, que custam cerca de $55 (cerca de R$ 190).

  • Carlos Vilaró

    O La Terraça dispõe de comidinhas, cafés, bebidas e todo o aparato para o bem-estar de quem o visita, mas conseguir uma mesa próxima da balaustrada demanda chegar cedo. No hotel também dispõe de uma vista privilegiada para os hóspedes, com vários tipos de acomodação com capacidade para duas e até oito pessoas. A diária varia a partir de $ 180 dólares (cerca de R$ 630). A alta temporada vai de dezembro a fevereiro e conta com bar e restaurante abertos diariamente.

  • No final da Rambla Panorâmica está o Mirador de Punta Ballena, um mirante com vista para os dois lados da península. Também é possível ver, bem ao fundo, os prédios de Punta del Este. Vale a pena também caminhar até a rua principal para ver o visual do outro lado da península, onde está a Playa de las Grutas.

Gastroterapia

Salmão com crosta de gergelim e chia do Resort Tio Tom
Costela de porco do Resort Tio Tom, em Punta del Este

Em visita as terras uruguaias preferiram as delícias das carnes bovinas, como o lomo, o bife ancho, entrecorte, o chouriço, entre outros tipos de cortes e embutidos sobrepostas em brasa nas parrillas, ou seja, o churrasco típico uruguaio.

Os alimentos de origem bovina, ovina e caprina fazem parte da mesa dos uruguaios, como a carne, o leite e seus derivados presentes no café da manhã, almoço e jantar. Principalmente, ao falar do doce de leite que compõe o cardápio das três refeições, por vezes, emoldurado por ingredientes que compõem o alfajor e os diversos tipos de docinhos encontrados nas delicatessen de Punta del Este e redondeza.

Como as cidades litorâneas da América, os frutos do mar também são facilmente encontrados. Quer uma dica: prefira o prato mais pedido do país: as carnes e seus derivados. Consulte o corte de carne que mais lhe agrada – alguns deles não corresponde ao mesmo nome como no Brasil – e peça sem pestanejar.

*Tô no Mundo viajou para participar do I Congresso Internacional da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo, em Punta del Este..

Fotos: Silvio Oliveira

Ceremonia del Sol – Carlos Páez Vilaró – Leia texto completo

Hola Sol …! Otra vez sin anunciarte llegas a visitarnos. Otra vez en tu larga caminata desde el comienzo de la vida.

Hola Sol…! Con tu panza cargada de oro hirviendo para repartirlo generoso por villas y caseríos, capillas campesinas, valles, bosques, ríos o pueblitos olvidados.

Hola Sol…! Nadie ignora que perteneces a todos, pero que prefieres dar tu calor a los más necesitados, los que precisan de tu luz para iluminar sus casitas de chapa, los que reciben de tí la energía para afrontar el trabajo, los que piden a Dios que nunca les faltes, para enriquecer sus plantíos, y lograr sus cosechas. Es que vos, Sol, sos el pan dorado de la mesa de los pobres. Desde mis terrazas te veo llegar cada tarde como un aro de fuego rodando a través de los años, puntual, infaltable, animando mi filosofía desde el día que soñé con levantar Casapueblo y puse entre las rocas mi primer ladrillo…

Hola Sol…! Gracias por volver a animar mi vida de artista. Porque hiciste menos sola mi soledad. Es que me he acostumbrado a tu compañía y si no te tengo, te busco por donde quiera que estés. Por eso te reencontré en la Polinesia, cuando te coronaron rey de los archipiélagos de nácar y los arrecifes dentellados de coral, o también en Africa, cuando dabas impulso a sus revoluciones libertarias y te reflejabas en el espejo de sus escudos tribales para inyectarles coraje. Te estoy mirando y veo que no has cambiado, que sos el mismo sol que reverenciaron los aztecas, el mismo de mi peregrinaje pintando por América, el que envolvió la Amazonia misteriosa y secreta, el que me alumbró los caminos al Machupichu sagrado del Perú, el de los valles patagónicos o los territorios del Sioux o del comanche. El mismo sol que me llevó a Borneo, Sumatra, Bali, las islas musicales o los quemantes arenales del Sahara…

Gracias Sol…! Por regalarnos esta ceremonia amarilla. Gracias por dejar mis paredes blancas impregnadas de tu fosforescencia…

Chau Sol…! Gracias por provocarnos una lágrima, al pensar que iluminaste también la vida de nuestros abuelos, de nuestros padres y la de todos los seres queridos que ya no están junto a nosotros, pero que te siguen disfrutando desde otra altura.

Adiós Sol…! Mañana te espero otra vez. Casapueblo es tu casa, por eso todos la llaman la casa del sol. El sol de mi vida de artista. El sol de mi soledad. Es que me siento millonario en soles, que guardo en la alcancía del horizonte.

Hoemangem ao Brasil 
Sombra e sol
Sol por toda parte
Pôr do Sol
Península que bela vista
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