Caso Joaldo

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O procurador geral da Justiça, Luiz Walter, ainda não recebeu, da Secretaria de Segurança, até ontem às 18 horas, a prova do cruzamento de telefonemas que envolvem o deputado Antônio Francisco (sem partido), no assassinato de Joaldo Barbosa, ocorrido no dia 27 de janeiro. O procurador teve um contato telefônico com o secretário da Segurança, promotor Luiz Mendonça, em busca desse documento, e recebeu a garantia de que ainda hoje estaria em suas mãos. O problema vinha ocorrendo por culpa da Telergipe Celular (hoje Vivo), que ainda não havia atendido à solicitação da polícia. Luis Walter deve continuar a avaliação do inquérito a partir de hoje e já comunicou que não deseja passar a Semana Santa com a responsabilidade de dar o parecer. Na lógica, a decisão do procurador de Justiça deve sair entre amanhã e depois… A procurador geral da Justiça, Luis Walter, deixa claro que a participação do vereador Antônio Francisco Júnior, na montagem do crime, é inquestionável: “não leva-lo ao Tribunal de Justiça seria uma temeridade”, avaliou. Acrescentou, entretanto, que existem indícios para formular denuncia contra o deputado Antônio Francisco, porque se trata do assassinato de um deputado para que o suplente assumisse, tendo por trás exatamente o filho. E o fato aconteceu: Antônio Francisco assumiu e se transformou no único beneficiado da morte do parlamentar. Quanto a pedir a prisão preventiva, há carência das provas técnicas que a Secretaria de Segurança ficou de enviar ainda hoje, as quais serão examinadas para se chegar a essa posição. Entretanto, em termos de elementos judiciários não existem dúvidas, inclusive porque o deputado e o filho andavam sempre juntos, “o que torna indispensável estabelecer uma certa premissa”. Luís Walter deixa bem claro que, em relação aos demais indiciados, a decisão jurídica já foi adotada, com o acatamento da denuncia e do pedido de prisão preventiva, decretada pela juíza da 5ª Vara Criminal, Iolanda Guimarães. O seu trabalho é para constatar a participação do deputado estadual Antônio Francisco, que tem fórum privilegiado, em razão do mandato que exerce. O procurador acha que denunciar o parlamentar não é nada de extraordinário, mas é levar o caso à Justiça, inclusive para que ele tenha ampla defesa. Quanto a pedir sua prisão preventiva, o procurador não encontrou motivos para isso e lembrou que esse tipo de privação é para garantia da ordem pública ou para impedir que ele tente criar transtorno à ação judicial. Entretanto, segundo Luiz Walter, há um ambiente social e político que leva a isso, mas “não desejo que a atmosfera tenha influência nessa decisão”. Caso as chamadas provas técnicas cheguem ao processo hoje, alguma coisa pode ser modificada na visão de julgamento, mas até o momento a tendência é a denuncia formal, levando-se em consideração o beneficiamento do suplente pela morte do titular. Ontem, na Assembléia Legislativa, o deputado Antônio Francisco atendeu à orientação dos seus advogados e retornou demonstrando outro perfil. De um cidadão pacato, sempre acuado, ele passou a fera ferida e esboçou passos de reação. Disse que era inocente e contra-atacou o seu mais ferrenho acusador, deputado Gilmar Carvalho. Além disso prometeu subir à tribuna todos os dias para falar e, certamente, será uma atração naquela Casa. Enquanto há discussões em plenário, a Comissão Processante teve sua primeira reunião e já marcou data para Antônio Francisco ser ouvido. Será na próxima quarta-feira, às 15 horas. A lógica favorece à Comissão, mas a razão demonstra que o melhor é ter cautela, porque se houver uma cassação pela Assembléia e uma absolvição pelo judiciário, ele retorna ao mandato como vencedor, exigindo pagamento de perdas e danos. Não é hora de se colocar os carros diante dos bois… RETORNO O deputado Antônio Francisco (sem partido) seguiu orientação do seu advogado e retornou, ontem, à Assembléia Legislativa. Fez até discurso. Os demais parlamentares, que ameaçaram se retirar do plenário, permaneceram lá e a sessão pegou fogo, porque Antônio Francisco aproveitou para fazer acusações a Gilmar Carvalho. AUGUSTO O deputado Augusto Bezerra (PMDB) previu, no domingo, que, se Antônio Francisco entrasse em plenário ninguém se retiraria. Acertou na mosca. Augusto soube do movimento de alguns parlamentares para se retirar do plenário, mas não acreditou que isso fosse acontecer, porque não resolveria o problema. INDÍCIOS Segundo uma importante fonte policial, até o momento não há qualquer indício que prove a participação do deputado Antônio Francisco no crime de Joaldo Barbosa. Apenas um telefonema que se supõe ser dele, mas que a policia não comprovou. Uma curiosidade: apesar de ter pedida prisão preventiva, o nome de Floro Calheiros sequer aparece no processo. WALTER O indiciado Walter, chamado por Galego, teve a voz reconhecida pela viúva Edla Cruz, como sendo o homem que telefonou para dizer que iria entrega uma denuncia ao deputado Joaldo Barbosa. Setores da Polícia acham que ele pode ter sido utilizado como instrumento, pelos executores, para falar isso. Walter teve prisão preventiva decretada e se entregou no dia seguinte. TESTE A partir do dia 24 próximo começam os interrogatórios na Justiça e o advogado de Walter vai solicitar reconhecimento de voz. Seis pessoas vão fazer gravações, inclusive o indiciado. A viúva Edla Cruz ouvirá a gravação e deverá reconhecer a voz de quem ela acusou. O inquérito policial relata que quem fez a ligação foi o foragido Munganga. REUNIÃO A Comissão Processante da Assembléia Legislativa, que examina o pedido de cassação do deputado Antônio Francisco, já teve sua primeira reunião ontem. Enviou correspondência a Antônio Francisco informando que a Comissão foi instalada e solicitando sua presença para interrogatória na quarta-feira da próxima semana, às 15 horas. RISCO De qualquer forma a Comissão corre o risco, caso vote em favor de sua cassação e o plenário homologue com o voto. É que, se for inocentado pela Justiça, Antônio Francisco retoma o mandato e terá direito ao ressarcimento do que deixou de ganhar como salário, acrescido das taxas financeiras. CEM DIAS O governador João Alves Filho mostra, desde ontem, uma série de trabalhos desenvolvidos nestes primeiros cem dias de Governo, inclusive com a atuação de todos os segmentos administrativos. Em seu pronunciamento, João mostra o que fez e o que já está para fazer, além de projetos que estão sendo elaborados e serão realizados nos quatro anos. AUMENTO Até ontem não se havia chegado a um entendimento sobre o aumento salarial dos servidores públicos estaduais, embora todo o levantamento esteja pronto. Falta apenas uma análise do governador junto ao secretário da Fazenda, Max Andrade. É possível que o anuncio só saia depois da semana santa. FRITURA Tem um secretário de Estado, inclusive de muita importância, que vem sendo visivelmente fritado por setores do Governo. Há quem diga que ele já está bem tostado no óleo de dendê e ao ponto para ser servido. Um outro, esperto e sagaz, já teria até projetos para a Secretaria. Se isso acontecer, muita gente vai cair o queixo. PESQUISAS Um instituto de pesquisas de opinião pública do Recife foi contratado, por um período de dois anos, para fazer levantamentos periódicos de como está o desempenho do Governo. A última pesquisa agradou em cheio ao governador João Alves Filho, que sempre trabalhou baseado em pesquisas e deseja ter sempre um parâmetro de aceitação ou rejeição popular. FRANÇA O prefeito de Aracaju, Marcelo Déda, ainda se encontra na França e já percorreu algumas cidades daquele país, vendo como funciona a estrutura municipal. Viajou acompanhado de 13 colegas e do governador do Piauí. O seu retorno está previsto para esta semana, mas ele só reassume depois da semana santa. Enquanto isso, o vice, Edvaldo Nogueira, está no exercício. MONOPÓLIO No encontro de Governadores, ocorrido em Natal quarta-feira, João Alves Filho conversou com o ministro José Dirceu (PT) sobre a venda do G. Barbosa e Bompreço a um único grupo, o que criaria um monopólio em Sergipe e parte da Bahia. O assunto foi conversado reservadamente, mas a negociação vai parar no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cadê) que pode atuar ante ou depois da negociação. Notas AUDIÊNCIA A ministra das Minas e Energia, Lígia Rosset, e o presidente da Petrobrás, José Eduardo Dutra, terão audiência pública, hoje, na Comissão de Fiscalização de Controle do Congresso Nacional, só para falar sobre a produção de petróleo em Sergipe, inclusive desse novo poço encontrado que está superando as previsões de técnicos da estatal. Alguns deputados estaduais devem viajar a Brasília para participar dessa audiência, além de segmentos vinculados ao setor, porque dessa produção podem surgir melhores condições da implantação da Refinaria no Estado. QUADRO O governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), brincou com o seu colega de Sergipe, João Alves Filho: “você levou um dos melhores quadros que nós tínhamos”. Referia-se a Pedrinho Valadares. João Alves respondeu: “Trouxe Pedrinho porque era um bom quadro e não tratei de assuntos partidários, mas meramente administrativos”. José Dirceu também se admirou: “Pedrinho, você não está mais no PSB?”. O atual secretário de Turismo respondeu: “Não, porque o senador Valadares (PSB) mandou que eu saísse, quando fui convidado a participar do Governo João”. CÂNCER Uma senhora sergipana sofreu uma mastectomia radical (extração total do seio) em razão de um câncer detectado por um dos melhores oncologistas de Sergipe. Ao chegar em Salvador, onde faria a recomposição, foi constatado que a paciente não tinha câncer, o que não seria necessária a mastectomia. A família vai processar o médico. A mesma coisa aconteceu com outra senhora, que se encontra em Salvador e também fez mastectomia, porque fora consultada pelo mesmo oncologista sergipano, que não detectou o câncer e autorizou ela tomar hormônio. brayner@infonet.com.br

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