CELSO BARROS E O MOVIMENTO MÉDICO BRASILEIRO

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O presidente da Unimed Brasil, Celso Correa de Barros, está em Aracaju nesta sexta para participar

Lúcio e Celso Barros – Aracaju – 1994. Foto: arquivo do autor.
da inauguração da primeira etapa da obra de ampliação e reforma do Hospital Unimed.  No mesmo dia, ele profere uma palestra no Celi Praia Hotel, às 20 horas. 

Existe entre nós algo mais em comum, além naturalmente do “orgulho de ser tricolor”.  Começamos a atuar juntos no cenário médico nacional nos idos de 1993, ele vindo do forte movimento sindical carioca e da Federação Nacional dos Médicos e eu, mais modestamente, como presidente da Sociedade Médica de Sergipe, representando o estado na Assembléia de Delegados da Associação Médica Brasileira, que à época era comandada pelo clínico paulista Mário da Costa Cardoso Filho. Na sua gestão à frente da AMB, Mário contou com o trabalho inteligente e dedicado de Celso Barros, na Diretoria de Defesa Profissional e em seguida na Comissão Nacional de Honorários Médicos.

                Nessa condição, fizemos-lhe o convite para vir a Aracaju, dentro da programação do Congresso Brasileiro de Adolescência(foto),  para juntos debatermos, em mesa redonda, as condições de trabalho do médico brasileiro, incluindo sua vil remuneração.  Sua forte liderança no movimento médico fez com que o seu nome fosse lembrado para a presidência da AMB, na sucessão de Mário Cardoso. No entanto, não obteve o apoio dos paulistas, que  preferiram marchar com Wirton Palermo, de saudosa memória, à época  Secretário Geral da entidade. As duas candidaturas de situação foram mantidas. Nesse cenário, surgiu a candidatura oposicionista do paranaense Antonio Celso Nunes Nassif e fomos convocados por ele para integrarmos o seu comitê de campanha. Conseguimos que Sergipe “fechasse” com Nassif e os candidatos da situação, Celso e Wirton, divididos e ainda tendo que defender o legado não muito auspicioso de Mário Cardoso, seguiram céleres para a derrota. Ainda nos preparativos de composição de chapa, fomos convidados por Celso Barros e Eduardo Vaz, este presidente da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, para integrarmos o seu grupo,  mas tínhamos um compromisso histórico com Nassif.  Nas eleições de agosto de 1995, Nassif terminou obtendo uma vitória retumbante e só de Sergipe arrebatou todos os votos. Celso foi o segundo mais votado no contexto nacional. Com a posse de Nassif, assumimos a Diretoria Cultural da AMB nos dois anos seguintes e nesse período perdemos o contato com Celso Barros.

Em 1998 ele assume o comando da Unimed do Rio de Janeiro no auge da crise que fragmenta o sistema nacional em dois grandes blocos, quase meio a meio, com enormes prejuízos para o cooperativismo nacional. A Unimed Rio segue com o bloco legalista de Edmundo Castilho e Celso, obtendo o apoio e a confiança de Castilho, consegue ser o seu sucessor no comando da Unimed do Brasil, nos idos do ano 2001.

Quando assumimos a Unimed Sergipe em 1998, encontramos a cooperativa aliada ao bloco golpista de Reginaldo Tavares, um verdadeiro vice-rei do Norte-Nordeste,  bem ao estilo do tenentista Juarez Távora,  ardiloso e habilidoso negociador. Nossa convivência com este bloco nunca foi saudável. Fiz de tudo para influenciar a decisão de rompimento da nossa Unimed com esse retrógrado sistema e passarmos para a Unimed do Brasil, sob a liderança de Celso Barros, que a cada dia ampliava os horizontes do cooperativismo nacional. Em 2002, finalmente, rompemos com o atraso e o clientelismo, representados pela Unimed Norte-Nordeste e juntamente com a Unimed Fortaleza, passamos a integrar a Unimed do Brasil.

Em função disso, consolidamos a fraternal convivência. Foi quando veio a CBHPM e me tornei

Celso Barros,Lúcio, Lincoln Freire, discutindo a CBHPM na sede de AMB em maio de 2005. Foto:arquivo do autor
soldado da maior bandeira de luta da classe médica brasileira nos últimos tempos. Participei da criação da Classificação Brasileira de Procedimentos Médicos como Diretor de Economia Médica da Associação Médica Brasileira, na gestão de Eleuses Paiva. Por diversas vezes dirigi-me à Fipe – Fundação Instituto Pesquisas Econômicas da USP, para discutir com técnicos da entidade os primeiros passos para a sua elaboração, tive o privilégio de apresentar a proposta inicial da tabela para o Conselho Científico da AMB e para as principais operadoras de planos de saúde, entre elas a Unimed.  A CBHPM foi lançada em Vitória e depois, ao lado de Lincoln Freire, Eduardo Vaz e outros valorosos companheiros, participei da Comissão Nacional para Implantação da CBHPM e depois da sua Câmara Técnica, criada para promover os seus ajustamentos, lado a lado com as operadoras.

Nessa dupla militância, aconteceram excessos e mal entendidos. Confianças foram quebradas e amizades desfeitas. E o mais paradoxal de tudo foi que o maior estrago aconteceu justamente entre médicos, vinculados à AMB,  CFM e Unimed. Testemunhei o esforço de Celso para que o sistema adotasse, em curto espaço de tempo, a nova classificação. Ele sofreu resistências fortíssimas, incompreensões de todas as naturezas, mas conseguiu avançar graças ao seu idealismo e ao compromisso assumido com as entidades médicas, berço da  sua história associativista. Mas a

Orgulho de ser tricolor
2008 – Maracanã

grande ação de Celso ainda estava por vir, a reintegração plena do sistema. E isso todos nós testemunhamos em 2007, na Convenção Nacional ocorrida em Natal, quando todas as singulares Unimed, de norte ao sul do país, terminaram abrigadas sob um mesmo teto, mostrando definitivamente a pujança do cooperativismo médico brasileiro, inquestionavelmente o maior do mundo.

O movimento médico nacional e notadamente o cooperativismo médico brasileiro devem muito a Celso Correa de Barros que, aliando competência, dedicação, seriedade e respeito, soube posicionar a Unimed como a maior operadora de plano de saúde do país, respeitada e admirada pela sociedade brasileira.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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