CENSURA SOB MEDIDA

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Com o fim da ditadura militar, a cobertura do dia-a-dia da política brasileira passou a render excelentes resultados nas redações.  E, de lá para cá, nenhum profissional de imprensa teve motivos para reclamar da mordaça, salvo em situações atípicas. Nascia, assim, uma nova fase no Brasil.

Em Sergipe, por exemplo, todos os governos que se sucederam, inclusive os dois primeiros de Dr. João Alves, sempre deixaram a imprensa desempenhar o seu papel livremente. E, mesmo incomodados, reagiam apenas com “doses democráticas” de pressão.

Sim, não se engane, a liberdade de imprensa também desencadeia reação contrária, seguindo talvez a terceira Lei de Newton, que estabelece que toda ação corresponde a uma reação. No entanto, ações e reações, até então, sempre estiveram em perfeito equilíbrio, sendo os excessos expurgados pelas próprias partes beligerantes.

Mas eis que, em pleno século XXI, depois de tantas conquistas no campo democrático, observamos, agora, uma situação deprimente: a volta da censura. Uma censura velada, é bem verdade. Mas com requintes de fazer inveja aos mais eficientes censores do passado.

O método é diferente, a técnica é inusitada, mas o objetivo é exatamente o mesmo: amordaçar a imprensa. Na recente reforma administrativa do governo estadual, foi criada a  figura do “medidor-mor”  – ou assessor para assuntos institucionais, como queira. Isso mesmo. Um cidadão, pago a peso de ouro, que fica, diariamente, medindo (em centímetros) tudo que sai de bom e de ruim, na ótica do governo, na mídia impressa sergipana. A partir daí, você já pode imaginar… cada jornal passa a valer quanto mede suas críticas. Ou seja, quanto mais centímetros, menos investimentos publicitários do governo. Pode até parecer piada, mas é uma triste realidade. Está instituida a censura sob medida.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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