Chegou Julinha! Seja abençoada!

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Meu coração está em festa!

Chegou Julia, minha primeira neta, a quem pretendo chamar Julinha.

Veio se somar aos três netos varões que alegram e fertilizam a minha senectude.

Chega justamente quando “Senectus ipsa est morbus”, como diziam os latinos, por Terêncio.

Mas, “Senectus non est morbus; est vitae!”, repito relembrando reverberação necessária, que sempre ouvi de meu pai, citando de Cícero a vantagem da terceira idade, lúcida e produtiva: “A velhice não é em si uma doença; mas é vida”. E vida revigorada!

E assim eis a vida que se renova, agora com a pequena Julia, relembrando uma outra Julia, a bisavó que partiu, mas que permanece no coração do neto, meu filho Machado, o pai ditoso que sorri com a chegada de sua pequena garota.

Julinha vem se juntar a seu irmãozinho Vinícius, e aos priminhos Pedro Henrique e João Marcelo. E a mim e Tereza que já estávamos cansados de só ver cueca, sem surgir uma calcinha no varal familiar.

Que posso dizer à Julinha que chega ao mundo onde há tanta gente infeliz, em insatisfação generalizada?

Dizer que o mundo é assim mesmo, uma razão para afirmação das nossas crenças e intenções; oportunidade para jamais desistir e arrefecer da luta, seguir e prosseguir, procurando ser sal da terra e luz do mundo, como nos emula o Evangelho?

Sim! Prosseguir a caminhada de seus pais Machado e Aline, ousando vencer desafios sem a heroicidade dos destemidos, mas com a tenacidade sem bramidos.

Porque a vida não nos quer nem aos rugidos tresloucados de fera, nem sob alaridos, descabidos de galera.

A vida nos deseja apenas que sejamos persistentes e combatentes, batalhando a lide difícil, senão impossível, sempre guardando a fé, qualquer fé, livremente sustentada e masculamente assumida.

Onde o másculo precisa ser inserido, porque na ausência de uma melhor adjetivação, ser mulher em verdadeira essência, sempre exige tal caráter de varonia sem jamais perder a ternura e a própria suavidade.

É quando eu me volto para as minhas mulheres, das mais antigas, as bisavós de quem ouvi falar, das avós que me enterneceram o existir, da minha mãe com seus olhos tão azuis, jamais fechados em minhas lembranças de velho e de criança, da mulher que me enternece, minha Tereza, quarenta e três anos, no mesmo abraço de carinho, e as mães como Julia, minha sogra, Daniela, minha filha, e Aline, minha nora, a mãe que me deu Julinha, a minha netinha que chegou.

E nesta página tola de um avô embevecido, sejam externadas também as alegrias do outro lado, os pais de Aline, Hélio e Dinorah que sorriem comigo, com os primeiros sorrisos de Julinha.

Que me perdoem os leitores, por externar o que talvez melhor permanecesse interno e pessoal, sufocado no interior profundo do meu ser.

É que eu acho que a alegria minha, o é também de todos. Coisa de avô; de coração bem curtido.

Fora de curtição, mas permeando uma  reflexão menos passional, direi que o nosso entorno sempre revela a presença de Deus que nunca nos deixa sozinhos e isolados, destinados a contemplar a tristeza do mundo e o desânimo dos homens.

E o sorriso de uma criança qualquer, como minha Julinha que chega agora, diz não só a mim e aos meus, como diz ao mundo também, que sempre são abençoados os sorrisos que nos contemplam e nos seguem pela vida.

Chegou Julinha! Seja abençoada!

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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