Chico e Dylan, música e literatura

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O cantor e escritor Chico Buarque é o vencedor do Prêmio Camões 2019, considerado o mais importante da literatura a premiar um autor de língua portuguesa pelo conjunto da sua obra. O anúncio foi feito na terça-feira, 21, na sede da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, pela presidente da instituição, Helena Severo.

É a 31ª edição do prêmio, organizado pelos governos de Portugal e do Brasil, e dá ao vencedor 100 mil euros. O júri responsável pela escolha é formado por representantes do Brasil, Portugal, Angola, Moçambique e Cabo Verde, países de língua oficial portuguesa. Ainda não há previsão para a data da cerimônia de premiação.

Francisco Buarque de Hollanda, o nosso Chico Buarque, é músico, dramaturgo, poeta e escritor. Nascido no Rio de Janeiro em 19 de junho de 1944, é filho do historiador Sérgio Buarque de Hollanda e da intelectual Maria Amélia Cesário Alvim. Foi casado por 33 anos com a atriz Marieta Severo, com quem teve três filhas, Sílvia, Helena e Luísa.

Considerado um dos maiores nomes da MPB, sua discografia conta com aproximadamente oitenta discos de músicas que estão incorporadas à alma brasileira, como “Geni e o Zepelim”, “Apesar de você”, “O que será”, “Olhos nos olhos”, “O meu guri”, “João e Maria”, “Mulheres de Atenas”, “Eu te amo”, dentre outras pérolas.

Ele é autor de dez livros de literatura infantil, novela, poemas, letras de música e romances, inclusive os três vencedores do Prêmio Jabuti: “Estorvo”, melhor romance de 1992; “Budapeste”, o livro do ano de 2004; e “Leite Derramado”, livro do ano de 2010.

Dentre os agraciados com o Prêmio Camões estão outros grandes, como João Cabral de Melo Neto, Rachel de Queiroz, Jorge Amado, José Saramago, Antonio Candido, Rubem Fonseca, Lygia Fagundes Teles, João Ubaldo Ribeiro, Ferreira Gullar, Dalton Trevisan, Mia Couto e Raduan Nassar, a quem Chico Buarque dedica a premiação.

O jurado português Manuel Frias Martins, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, disse que foi relativamente fácil chegar ao nome de Chico Buarque: “Os textos para teatro, as óperas são de uma qualidade sensacional. Assim também são os romances. Portanto é uma obra no seu conjunto que justifica esta nossa decisão”. E acrescentou: “Ele não era o único nome, mas o Chico Buarque reúne uma universalidade que faltava a outros candidatos. Universalidade de tocar em várias culturas. E isto dava ao Chico um consenso quase natural.”

A interface do músico e literato Chico Buarque lembra outro ilustre artista e intelectual, o norte-americano Bob Dylan, que aniversariou agora, ele nasceu em 24 de maio de 1941.

Compositor, cantor, defensor da música Folk, pintor, ator e escritor, Bob Dylan foi laureado com o Nobel da Literatura de 2016, por “ter criado novos modos de expressão poética no quadro da tradição da música americana”, segundo a premiação.

Autor da icônica “Like a Rolling Stone”, Bob Dylan foi eleito pela revista Rolling Stone o sétimo maior cantor de todos os tempos e, pela mesma revista, o segundo melhor artista da música de todos os tempos, ficando atrás somente dos Beatles. Foi condecorado com a Medalha Presidencial da Liberdade pelo presidente dos Estados Unidos Barack Obama.

Mas foi acusado de ser arrogante, porque ficou em silêncio após o anúncio do prêmio Nobel de Literatura e só respondeu às insistentes ligações da Academia Sueca duas semanas depois, dizendo-se surpreendido com a premiação. Não compareceu à cerimônia e foi representando pela amiga cantora Patti Smith.

Além da extensa discografia e da publicação dos songs books, Dylan é autor do livro de ficção “Tarântula”, publicado em 1971. Ele realizou exposições de pinturas e lançou um livro de desenho, “Drawn Blank”, em 1994.

Bob Dylan é, nada mais, nada menos, o primeiro e único na história a ganhar o Prêmio Nobel, o Oscar, o Grammy e o Globo de Ouro.

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