Cinema Vitória: Cinco anos de um Cine Cult em Aracaju- SE

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Maria Viviane de Melo Silva

Mestra em História pela Universidade Federal de Sergipe (PROHIS/UFS)

Professora Substituta de História no Instituto Federal de Alagoas

(IFAL – Campus Penedo)

E-mail: viviane.melo@hotmail.com

                                                                                                                     

Fundado em 1934, o Cinema Vitória funcionou por décadas na Rua Itabaianinha, fechando suas portas na década de 1980. Durante os anos 90, houve uma reinstalação na Rua 24 horas (localizada no centro de Aracaju) e não perdurando muito tempo, teve suas atividades findadas. Anos depois, com um convênio firmado entre o Governo de Sergipe e o Ministério da Cultura (MinC), apoio da Casa Curta-SE e o interesse de pessoas que se dedicavam ao audiovisual em Sergipe, dentre elas Rosângela Rocha dos Santos (atual responsável pelo cine), o Cinema Vitória foi reformado e reabriu suas portas no dia 10 de julho de 2013, na atual Rua do Turista (antiga Rua 24 horas), completando cinco anos de funcionamento.

Por não se localizar dentro dos Shoppings Centers como os convencionais que costumeiramente conhecemos, o Cine Vitória é uma das poucas salas de cinema de rua existentes no Brasil, contendo 130 lugares que são distribuídos em fila única. Atualmente, funciona de Quinta a Domingo e mantém uma programação mais voltada para o público adulto que pode ser encontrada no portal Infonet, site do Curta-SE ou na homepage do Facebook e Instagram intitulada “Cine Vitória”. Os ingressos custam R$20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia) e os filmes ficam em exibição cerca de duas semanas, podendo se estender por mais três ou quatro, dependendo do interesse do público.

Predominantemente, os estilos de filmes que são exibidos são mais voltados para temáticas consideradas cult. O termo cult geralmente é designado para filmes que envolvem enredos mais alternativos, com temas comumente menos explorados na lógica comercial do cinema Hollywoodiano que busca envolver o espectador com seus famosos desfechos e finais felizes. De tal maneira, pelo gênero fílmico, o público alvo do Cine Vitória frequentemente envolve pessoas que se interessam pelos assuntos abordados, explorando outras possibilidades que vão além das perspectivas adotadas pela indústria cinematográfica considerada de massa.

Dentro do rol de produções exibidas com maior audiência nos últimos tempos, destacam-se: O Processo (2018), Aquários (2016), Nise – O coração da loucura (2015) e Tatuagem (2013). São filmes que tratam de questões envolvendo política, gênero, o papel da mulher na sociedade e outras temáticas que são cada vez mais pertinentes nos diálogos do tempo presente.

No quadro de programações, uma das mais vislumbradas do Cine Vitória é a exibição de filmes que fazem parte do Festival de Cinema Europeu (único com entrada gratuita), Festival Varilux de Cinema Francês e o Festival de Cinema Espanhol. Segundo Rosângela Rocha[1], “o Cinema Vitória privilegia uma cinematografia diversificada, no intuito de não manter uma hegemonia norte-americana e sim, dar visibilidade a outras cinematografias porque faz parte de uma diversidade estética de olhar, de produção e de cultura. ”

Assim, celebrar os cinco anos de existência e resistência do Cine Vitória é direcionar o olhar para o predomínio de um cinema diferenciado em Aracaju que foge de alguns padrões das salas de exibição habituais desde a estrutura até os filmes exibidos. E, mesmo diante das dificuldades financeiras encontradas para manter seu funcionamento, uma vez que a renda principal é da bilheteria, contando também com contribuição do Banese (Banco do Estado de Sergipe), sua prevalência é importante, pois atende a um público-alvo que nem sempre é contemplado com o viés norte americano.  Além disso, tem-se uma janela aberta para os filmes brasileiros que, em muitos casos, não tem abertura em outras salas convencionais, representando em sua conjuntura, um relevante instrumento de veiculação cultural para a audiovisual na cidade de Aracaju.

 

[1] Entrevista concedida à autora em 05/07/2018. Aracaju- SE.

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