2026: 20 anos de luta por suas raízes, como refletiu Papa Francisco

                                    Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça
    “O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.

2026 é um ano muito especial para este blog que em maio completará 20 anos de vida com um detalhe: jamais se omitiu nas disputas eleitorais e, principalmente, continua com as mesmas convicções que forjaram seu nascimento fortalecendo sua trajetória passo a passo.

 Como bem lembrou um leitor numa mensagem de final de ano este espaço tem valor e propósito. Mesmo com algumas perseguições e tentativas de cerceamento das opiniões ao longo dos anos, cada luta foi fortalecida com a ajuda de Deus – dando o conforto e o rumo necessário – como também com a credibilidade conquistada passo a passo.

 A verdade é que quase em todas as profissões chega um momento em que você tem que decidir um caminho a seguir: ou continua fiel aos seus princípios ou muda para ganhar muito dinheiro. Ninguém é santo, mas é preciso ter um limite assegurando seus princípios e não se deixar levar pelo inescrupuloso poderio dos que acham que podem comprar tudo e todos.   

 Quando o jornalista deixa de se indignar diante das mazelas, das grandes mamatas e das corrupções chegou a hora de parar. Este jornalista escolheu o caminho de continuar indignado, comovido e com coragem suficiente para não aceitar as imundícies em todos os campos da sociedade, inclusive, na Igreja Católica, do qual fez parte no episódio do arcebispo deposto. De todas as homenagens recebidas durante estes quase 20 anos do blog, nada superará a Benção Apostólica concebida pelo Papa Francisco após a peregrinação ao Caminho de Santiago de Compostela em 2021.     

 A política partidária no Brasil a cada eleição, infelizmente, reforça os interesses individuais ou de gangues partidárias do que o coletivo. São mentiras, enganos, embustes e todas as formas de fraudes moral e ética. Um vale tudo que recheado de coações, chantagens e pressões. E neste vale tudo muitos se submetem a indecisão e a covardia, tornando-se escravos das aparências e de uma suposta independência jornalística. Por isso este pequeno espaço prefere sempre se posicionar politicamente, ao invés de optar pelo conforto da suposta “neutralidade”. Os fanfarrões estão aí para todos os gostos.

 Mais uma vez; ninguém é santo, muito menos este jornalista, mas diante deste “vale tudo” continuará obstinado tendo como alicerce os princípios de sempre. Chega o momento de questionar: para quem você está lutando? O Santo Papa Francisco, em “A Sabedoria do Tempo” fez uma reflexão entre a experiência dos idosos e a necessidade do diálogo com os jovens. Em uma dessas reflexões ele questionou se “você luta pelos seus pais, não pela herança financeira, mas pela herança cultural, pelas raízes de sua vida, não?”. Ou seja, “lute para manter as raízes, lute pelo legado recebido, a verdadeira tradição, não aquela que lhe prende, mas aquela que te inspira, aquela que te empurra para a frente. Lute pelas suas raízes.” Sábio, eternamente sábio o Santo Papa Francisco.              

 

Turismo onde o público e o privado se confundem em Sergipe del Rey O blog já criticou por diversas vezes a postura de dirigentes do turismo em Sergipe – principalmente do governo estadual e da PMA – onde o público e o privado se confundem de uma maneira muito pouco ética. No fim de semana o blog recebeu a reclamação de uma postagem do secretário de turismo de Aracaju, Fábio Andrade, divulgando um espaço de artesanato. A pergunta é: é os outros batalhadores da cadeia do turismo em Aracaju? Será que ele vai fazer diariamente um vídeo divulgando cada um deles? Parece que Fabiano Oliveira fez escola…

 Por falar em turismo: os dirigentes estão preocupados com o péssimo atendimento nos bares de Aracaju? Salvo raríssimas exceções, principalmente em toda extensão da orla de Aracaju até o mosqueiro, o atendimento é péssimo. Será que os dirigentes do turismo têm contato com donos dos bares para propiciar cursos de qualificação? Sinceramente, são poucos os bares que o cliente tem vontade de retornar.

Propriá O prefeito de Propriá, Luciano de Menininha, destacou a importância da obra entregue pelo Governo do Estado na sexta-feira, 9, e ressaltou os impactos positivos do investimento para o município. Para ele, a reforma e ampliação do Centro de Excelência Professor Cezário Siqueira representam um marco para a educação local e um avanço significativo para a formação das futuras gerações. O gestor municipal também elogiou o compromisso do governo estadual com a educação e o padrão das obras executadas. Segundo Luciano, as intervenções demonstram cuidado, planejamento e responsabilidade com os recursos públicos. 

André Moura aponta turismo como eixo de transformação econômica para o Baixo São Francisco Em entrevista na sexta-feira (9) à Rede Digital de Comunicação durante a 64ª edição do programa “Sergipe é aqui”, em Pacatuba, o ex-deputado federal e pré-candidato ao Senado, André Moura, defendeu a infraestrutura turística como ferramenta imediata de desenvolvimento regional. Ele destacou que o pacote de investimentos em pavimentação e serviços básicos, executado pelo governo Fábio Mitidieri, é o gatilho necessário para atrair capital privado e novos fluxos de visitantes para o Baixo São Francisco. “Conheço o potencial e as carências desta região. Pacatuba é estratégica. O investimento em infraestrutura nos povoados não é apenas asfalto; é a base para que hotéis e o comércio se instalem, fazendo a economia local girar com dinheiro de fora”, afirmou André Moura, que atualmente atua como secretário de Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Caminho mais curto Para o pré-candidato, o fortalecimento do setor é o caminho mais curto para melhorar os indicadores sociais da região. Ele defendeu uma gestão integrada que conecte destinos como o Pantanal de Pacatuba, Ponta dos Mangues e Cabeço (Brejo Grande) ao polo turístico de Pirambu. Segundo André Moura, essa “unidade regional” facilita a captação de recursos federais e atrai grandes investimentos privados.

Legado e Articulação A conexão de André Moura com a região é fundamentada em histórico administrativo: foi prefeito de Pirambu por dois mandatos e possui trânsito direto nas demandas locais — reforçado pela gestão de sua esposa, Lara Moura, por três mandatos em Japaratuba. Para ele, o papel de um representante em Brasília deve ser o de facilitar essa “ponte” para a desburocratização e a chegada direta de recursos. “O governador Fábio (Mitidieri) tem viabilizado a execução, mas a articulação política é o que garante que o investimento faça o projeto sair do papel em Brasília e chegar com eficiência na ponta, onde o cidadão precisa de emprego e renda”, finalizou André Moura.

Avanço Em seis meses de operação, o Centro de Hemodinâmica do Hospital de Urgências de Sergipe (Huse) já superou 1.500 procedimentos, reforçando o papel do hospital como referência estadual em cardiologia de alta complexidade. Equipado com tecnologia moderna e equipe especializada, o serviço tem ampliado a resolutividade dos atendimentos, oferecendo mais segurança e rapidez no cuidado aos pacientes sergipanos.

 

 

 

 

 

 

 

 

Cortejo de grupos encanta e abre oficialmente o 51º Encontro Cultural de Laranjeiras Na noite da sexta-feira, (9), o prefeito de Laranjeiras, Juca, acompanhou o cortejo de grupos de cultura popular e oficialmente abriu o evento que já está em sua 51ª edição ininterrupta. Além do prefeito, estiveram presentes autoridades como o senador Rogério Carvalho, o deputado João Daniel e o vice-governador Zezinho Sobral, representando o governador Fábio Mitidieri, bem como vereadores do município. O cortejo, que atraiu uma multidão ao centro histórico de Laranjeiras, contou com a apresentação de 34 grupos de cultura popular, vindos de diversas partes de Sergipe e do Brasil. Laranjeiras, já conhecida por seu rico patrimônio cultural, nesta época, se transforma em um espetáculo à céu-aberto, proporcionando aos sergipanos e turistas uma vivência em diversos tipos de manifestações populares.

Identidade e tradição O secretário municipal de Cultura, Leomax Célio, destacou a importância e grandiosidade do evento. “Laranjeiras, a cidade-berço da cultura sergipana, não recebeu à-toa o título de Capital da Cultura Popular, mas, sim, por por manter viva a identidade e tradição de seu povo. Este evento, que já está em sua 51ª edição é um sucesso, não só pelo empenho das equipes que organizam, dos gestores locais, dos paralmentares que apoiam, do Governo do Estado, que dá um grande e excelente suporte, mas, o mais importante, a dedicação dos brincantes e fazedores da cultura popular. Eles são as figuras mais importantes dessa festa. Portanto, só temos a agradecer a todos que fazem acontecer o encontro cultural”, afirmou o secretário.

Exemplo da grandiosidade da cultura sergipana  O vice-governador Zezinho Sobral saudou os laranjeirenses e levou uma mensagem de otimismo para todos. “É um orgulho está aqui hoje, representando o governador Fábio Mitidieri e trazer uma mensagem de incentivo. O desenvolvimento da Cultura e do Turismo são essenciais para o crescimento do Estado. Laranjeiras é um município que temos muito a explorar neste setor e vamos continuar investindo na preservação da cultura popular e nos mestres”, disse Zezinho. “Laranjeiras dá o exemplo de quanto a cultura sergipana é rica e grandiosa. Durante uma semana, todas as gerações se encontram aqui todos os anos para prestigiar e admirar este patrimônio material e imaterial. Viver o encontro cultural nos incentiva cada vez mais investir em um município que orgulha a todos nós. Obrigado ao prefeito Juca, e, principalmente, aos brincantes por proporcionarem esse belíssimo espetáculo”, ressaltou o senador Rogério Carvalho.

Investimento e identidade viva O prefeito Juca reafirmou o compromisso de investir na cultura e manter viva a identidade dos laranjeirenses. “É um prazer estar à frente da Prefeitura e organizar por nove vezes o encontro cultural. A cada ano este evento fica mais grandioso e o nosso compromisso é fazer sempre um encontro melhor do que o anterior. É justamente isso que acontece. Por este motivo, tanto empenho e dedicação em organizar o maior encontro de cultura do Brasil”, ressaltou Juca. O prefeito também anunciou na solenidade a expansão da Lei dos Mestres. “Os laranjeirenses, sergipanos e turistas merecem vivenciar toda esta grandiosidade. Enquanto gestor, quero anunciar aqui a expansão da Lei dos Mestres, que, este ano, vai contemplar mais quatro fazedores da cultura popular. Assim, nós continuamos preservando e incentivando o que temos de melhor”, enfatizou Juca.                                                

Sem anistia pra golpista. Aracaju realizou festival político e cultural no 8 de janeiro para dizer: golpe nunca mais! Com muita arte e política, o festival ‘Democracia: sem anistia pra golpista! Direitos, paz, soberania e solidariedade à Venezuela’, realizado na Praça General Valadão, em Aracaju, no dia 8 de janeiro, marcou os três anos da derrota da tentativa de golpe de estado contra a democracia brasileira. As crianças, as famílias e todas as pessoas que participaram do protesto cultural também puderam se divertir com brinquedos infláveis, e com a arte e a poesia pulsantes nos shows de Anne Carol, Descidão dos Quilombolas, Forró Canto do Acauã, João Mário, Lampião da Rima, Luno Torres, Thais Voices e Tonico de Ogum. A data de 8 de janeiro foi marcada por protestos em todo o Brasil. Neste dia, em Brasília, o presidente Lula (PT) assinou o veto presidencial ao Projeto de Lei da Dosimetria.

Venezuela livre Para colocar as mãos em uma das maiores reservas de petróleo do mundo, a invasão dos Estados Unidos ao território da Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira dama Cilia Flores foram repudiados por várias lideranças sindicais, juventude, movimento estudantil, pelos vereadores Camilo Daniel (PT), Iran Barbosa (Psol), Sônia Meire (Psol), a deputada estadual Linda Brasil (Psol), o deputado federal João Daniel (PT) e o senador Rogério Carvalho (PT), presentes no protesto cultural.

Momento decisivo O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-SE), Roberto Silva, destacou que a unidade da esquerda é muito importante neste momento decisivo que a América Latina está atravessando. “O que ocorreu no dia 3 de janeiro, na Venezuela, serve de reflexão para todos nós da esquerda brasileira. A classe dominante, as elites não estão pra brincadeira. E nós, enquanto defensores da classe trabalhadora, precisamos nos unir”, declarou Roberto Silva durante a manifestação cultural.

Pauta Segundo Roberto Silva, é necessário que a esquerda construa uma agenda de defesa dos direitos, pelo fim da escala 6×1, pelo fim do assédio moral, do assédio sexual nas empresas, entre várias lutas importantes. “Precisamos lutar também pelo direito da classe trabalhadora de enfrentar essa elite perversa de Sergipe, derrotar o governo Fábio Mitidieri, que ataca brutalmente os servidores e servidoras, e que coloca a população sergipana sem acesso à água. A privatização da Deso e da água é um crime contra a população sergipana. E o governo Fábio Mitidieri tem que ser desmascarado pelo conjunto da esquerda de Sergipe”, afirmou Roberto Silva. O ato na Praça General Valadão, em Aracaju, foi construído por todos os artistas que se apresentaram no palco, pela CUT, CTB, UGT, CSP-Conlutas, UBES, Frente Brasil Popular, Frente Povo Sem Medo, UNE, USES, DCE, Sindipetro AL/SE, UP, Consulta Popular, PT, PSOL, PCB, PCBR, PSTU e PCdoB.

OPINIÃO

Chega de anistia para golpistas

Mais um excelente texto do professor, jornalista e escritor Marcos Cardoso aqui na Infonet que merece uma reflexão de todos:

O presidente Lula vetou na íntegra o projeto de lei da dosimetria, que reduziria as penas dos condenados pelos ataques do 8 de Janeiro, inclusive Jair Bolsonaro, durante evento que marcou três anos da tentativa de golpe, no Palácio do Planalto, nesta quinta-feira.

Lula considera inadmissível que haja redução da pena por meio de um “tapetão” dos aliados do ex-presidente no Congresso. A proposta reduziria a pena de Bolsonaro, que poderia deixar a prisão em dois anos. A dosimetria é vista como uma anistia disfarçada. Ou descarada.

“Os crimes cometidos contra Estado democrático, como os praticados no 8 de Janeiro, são imprescritíveis e impassíveis de indulto, graça ou anistia”, observou o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. Os vetos serão analisados pelo Congresso.

O 8 de janeiro de 2023 provavelmente não teria acontecido se o Brasil não tivesse anistiado quem promoveu a ditadura e praticou torturas em nome do Estado. A Lei da Anistia (lei nº 6.683, de 28 de agosto de 1979) anistiou todos os que cometeram violação “de qualquer natureza” relacionada aos crimes políticos ou praticados por motivação política no período de 2 de setembro de 1961 a 15 de agosto de 1979.

O período coberto pela anistia tem início no primeiro ano do governo de João Goulart, presidente que sofreu o golpe em 31 de março de 1964, há mais de 60 anos. A ditadura durou até 1985. Foi a anistia possível, considerando aquele contexto político.

A lei, que preparou o caminho para o fim da ditadura, permitiu que dissidentes retornassem do exílio sem correr o risco de se tornarem prisioneiros políticos, mas blindou os agentes contra qualquer responsabilização pelos crimes de tortura, sequestro, desaparições forçadas e assassinatos cometidos contra opositores do governo.

A anistia proporcionou momentos de muita emoção para os familiares e amigos de cerca de 7 mil exilados por força de perseguição política que puderam regressar ao Brasil. Nomes conhecidos como Leonel Brizola, Miguel Arraes, Luís Carlos Prestes, Francisco Julião, Herbert de Souza (Betinho), Fernando Gabeira, Vladimir Palmeira, Carlos Minc e Paulo Freire retornaram ao país.

A adoção da Lei de Anistia também permitiu que prisioneiros políticos fossem soltos e que trabalhadores que militavam no movimento sindical e ativistas do movimento estudantil fossem reincorporados sem punições aos seus empregos e instituições de ensino, anulando a inelegibilidade de políticos que tiveram seus direitos cassados por atos institucionais da ditadura.

Benefícios relacionados à Lei da Anistia foram concedidos posteriormente. Em maio de 2009, a 23ª Caravana da Anistia do Ministério da Justiça julgou, na sede da OAB em Aracaju, 34 processos de sergipanos que se declararam vítimas do regime militar: 22 processos foram deferidos, as vítimas declaradas anistiadas e o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão Pires Júnior, em nome do Estado brasileiro, desculpou-se pelo sofrimento causado a cada um desses cidadãos que ousaram lutar pela democracia. Dezoito anistiados tiveram reconhecido o direito de serem indenizados ou de terem corrigidas indenizações anteriormente conquistadas.

Dentre outros, foram indenizados João Augusto Gama, Benedito Figueiredo, Jugurta Barreto, Agamenon de Araújo Souza, José Alexandre Felizola Diniz, Rosalvo Alexandre, José Côrtes Rollemberg Filho, Delmo Naziazeno, Antônio Vieira da Costa, Zelita Correia, Walter Oliveira Ribeiro e Antônio José de Góis, o Goizinho. Para o radialista e deputado estadual cassado Santos Mendonça e o poeta Mário Jorge, ambos já então falecidos, os familiares pediam apenas que o Estado declarasse reconhecer o sofrimento causado e os anistiasse.

No entanto, a tortura dificilmente resultará em indenização. Por isso a Ordem dos Advogados do Brasil entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal questionando a prescrição e a responsabilização de crimes de tortura praticados durante o regime militar. A ação contestava a validade do primeiro artigo da Lei da Anistia, que considera como conexos e igualmente perdoados os crimes “de qualquer natureza” praticados por motivação política naquele período.

Em abril de 2010, a Corte rejeitou o pedido da OAB para que anulasse o perdão dado aos representantes do Estado (policiais e militares) acusados de praticar atos de tortura durante o regime militar.

Todos os militares e civis envolvidos com crimes cometidos no período foram beneficiados pela Lei da Anistia. Dentre eles, notórios torturadores, como o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou, entre 1969 e 1973, um centro de tortura no extinto Doi-Codi (Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna), órgão máximo de repressão da ditadura militar. Ustra torturou pessoalmente a ex-presidente Dilma Rousseff e é um ídolo para Jair Bolsonaro.

Na Argentina e no Chile, generais e até ex-presidentes acabaram sendo condenados na justiça pelos atos cometidos nas ditaduras daqueles países. No Brasil, a sensação de impunidade contribui para alimentar o sentimento de que a ditadura militar foi um evento de menor gravidade, que ganhou ares de saudosismo com o bolsonarismo. Com a eficiente propaganda maciça da extrema direita, difundiu-se a falsa ideia de que naqueles dias o Brasil vivia em paz e prosperidade, criando-se um clima de que valia a pena tentar de novo. Esse caldo de falso saudosismo sustentou o golpismo de Bolsonaro e seus seguidores apaixonados pelos quartéis, resultando no 8 de janeiro.

O Brasil pós-Bolsonaro está tendo a oportunidade de, se não reparar, pelo menos não repetir um erro histórico. O país não pode cometer outra vez o erro de anistiar golpistas, a começar por manter punição adequada ao cabeça de todos eles, Jair Messias Bolsonaro. Sob pena de vivermos eternamente ameaçados pelo fantasma da ditadura.

*Marcos Cardoso é jornalista. Autor de “Sempre aos Domingos – Antologia de textos jornalísticos” (Editora UFS, 2008), do romance “O Anofelino Solerte” (Edise, 2018) e de “Impressões da Ditadura” (Editora UFS, 2024). marcoscardosojornalista@gmail.com

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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