CLÍNICA E HOSPITAL SÃO LUCAS: 40 ANOS CUIDANDO DA SAÚDE DOS SERGIPANOS

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O ano de 1969 fluía sombrio. Vivíamos em plena ditadura militar, com nuvens carregadas sob a

Dr. José Augusto Soares  Barreto
égide do  AI-5. Sergipe era governado pelo baiano de Alagoinhas Lourival Baptista, escolha do marechal Castelo Branco,  Presidente da República. No  governo, Lourival  designa Eduardo Vital para a secretaria da Saúde e Gileno Lima, contrariado com os rumos da política após desentendimentos com o governador, deixa a Prefeitura de Aracaju.

       Nem tudo, porém, era ruim. Dois anos antes, em 1967, havia sido fundada a Universidade Federal de Sergipe, em regime de fundação, prevalecendo as ideias de Dom Luciano Cabral Duarte contra os argumentos de Antonio Garcia Filho, fundador da Faculdade de Medicina, que defendia a nossa  Universidade como um modelo de autarquia.

        Mas voltemos a 1969. Neste ano, a Faculdade de Medicina, com apenas 8 anos de fundada, formava a sua quarta turma, composta  pelos médicos  Byron Emanoel de Oliveira Ramos, Cleomenes da Silva Araújo, Geraldo Moreira Melo, Helio Araújo Oliveira, José Mendonça Gonçalves de Oliveira, Manoel José Leal, Marco Aurélio Prado Dias, Maria Janete Sá Figueiredo, Marília Souza de Oliveira, Marinice Martins Ferreira e Wilma Gonçalves Melo Viana.

       O Conselho Regional de Medicina e a Sociedade Médica de Sergipe, as principais entidades médicas da época, eram presididas pelos irmãos Hyder e Hugo Gurgel respectivamente. A medicina sergipana vivia uma fase exuberante.  No Hospital Cirurgia acontecia, em 12 de maio, a primeira cirurgia cardíaca, realizada pelo cirurgião pernambucano Mauro Arruda com o auxílio dos sergipanos Fernando Sampaio e do recém-formado Eduardo Garcia tendo como instrumentador o doutorando Hélio Araújo.  Na equipe clínica os médicos Gilton Rezende, José Augusto Barreto e Dietrich Todt. O anestesista foi Antonio Garcia e o paciente Manoel Pedro Machado, um homem de 65 anos, que teve um marca-passo implantado com sucesso em seu peito.

      Nesse compasso, surge em outubro a Clínica São Lucas, num terreno ao lado da Igreja São José. Todo o quarteirão havia sido comprado tempos atrás por um grupo de médicos para a realização de grande empreendimento mas a maioria terminou desistindo e foi gradativamente vendendo suas partes. Mas José Augusto Barreto, com Dietrich Todt ao lado, acreditou e construiu inicialmente uma estrutura para atendimento ambulatorial, com consultórios, Raio-X, laboratório e ECG, que perdura até hoje, localizada no atual serviço de urgência. Do grupo inicial que prestava atendimento, fazia parte os médicos Dietrich Todt, Fernando Macedo, Aírton Teles, Edson Freire e Conrado, os três últimos comandando o serviço de Rx, Raimundo Araújo e Joaquim Machado, eram os responsáveis pelo laboratório.

       Nesses primeiros anos, curioso observar que os médicos integrados na Clínica São Lucas faziam atendimentos também em domicílio e para facilitar o acesso, foi adquirida uma ambulância pelo grupo. Nessa altura, já integravam a Clínica os médicos Gilton Rezende, Raimundo Almeida, Geraldo Melo, Henrique Batista, Lauro Fontes e Evandro Sena e Silva.

      O sonho de partir para o hospital revoava a imaginação de José Augusto, mas ele sempre hesitava e recuava, achava não ter vocação para empresário, afinal o que gostava mesmo era de ser médico, atender aos seus pacientes, dar as suas aulas, mas terminou obtendo a coragem necessária graças ao incentivo de amigos e ao acesso que teve ao Fundo de Apoio Social oferecido pela Caixa Econômica Federal para empreendimentos de cunho social. Era o catalizador que faltava para ir em frente e edificar finalmente, o almejado sonho. Estávamos em 1975 e três após, em setembro de 1978, era inaugurado o Hospital São Lucas.

       Desde então, até os nossos dias, o hospital se revelou como uma necessidade para a comunidade, prestando serviços de qualidade e incorporando novas tecnologias, ampliando o seu corpo clínico, implantando novos serviços, atuando com pioneirismo em diversos procedimentos, só para citar a hemodiálise (1981), o transplante renal (1985), a cirurgia vídeolaparoscópica (1991) e a cirurgia bariátrica (2000), entre outros.

     Em 2005 o Hospital conseguiu obter a Acreditação do Ministério da Saúde, sendo o único do Estado a receber tal qualificação.

    O médico que gostava de ser professor, de atender com humanismo seus pacientes,  transforma-se então num grande empreendedor, um dos maiores da história de Sergipe, mantendo sempre em evolução o maior aglomerado privado de saúde do Estado, levando a cura e o alívio a milhares de brasileiros que buscam seus cuidados, empregando de forma direta mais de mil pessoas, em todas as unidades da Fundação, que incluem o Centro de Hemodiálise, o Centrinho, o Centro de Estudos e a Creche Dom Luis Mousinho.

    E o mais extraordinário é que, com tudo isso, José Augusto não deixa de ser o médico diligente, cuidadoso, atualizado, humano e amigo dos seus amigos. Do sonho veio a obra que hoje, 40 anos após, dignifica a medicina sergipana.

    No prédio do Hospital há uma placa que diz: “Em outubro de 1969 germinou aqui na terra o sonho da Clínica São Lucas. Esta obra foi edificada pelo sopro da graça de Deus e pelo calor do coração dos amigos que, juntos,  atiçaram a chama que acendeu estas paredes e arquitetou os espaços de fé que cura todas as dores”

    Nada mais fidedigno que esse pensamento tão clarividente.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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