COMEÇA AGORA

0

 

As convenções foram fechadas ontem, com três candidatos a governador do estado: deputado federal João Fontes (PDT), ex-prefeito Marcelo Déda (PT) e governador João Alves Filho (PFL) que tenta a reeleição. O PDT vai praticamente sozinho para uma luta que vai depender da consciência de mudanças que o país pede em todos os seus segmentos. Marcelo Déda estava ontem muito animado com os resultados adquiridos na convenção, pela unidade da oposição e, principalmente, por ter conquistado o PMDB, o que lhe dá mais sete minutos na televisão. João Alves Filho também manteve os partidos que integraram o seu bloco desde a campanha de 2002 e trouxe partidos como PSC e os pequenos PV e PTN. Perdeu o PMDB, mas reconquistou o PSDB do governador Albano Franco, depois de vários meses de conversas indefinidas.

Na realidade o PSDB cometeu vários equívocos para chegar a uma convenção com problemas que se tornaram graves, a ponto do então presidente regional do partido, deputado federal Bosco Costa se afastar do partido e abandonar a pretensa candidatura ao Senado Federal. A crise no ninho tucano decorreu da falta de uma postura decisiva desde quando foi aberta a temporada para a sucessão. Entre conversas próximas com a oposição e a esperança de que estaria em bloco oposto ao que assumiu hoje, o PSDB fez a cabeça dos seus parlamentares, líderes e seguidores. Não se pode negar que o partido vai para uma composição dividido – há tempo para reversão do quadro – mas poderia muito bem chegar a um final mais cômodo, menos tumultuado e mais coerente, sem a necessidade de uma crise que fez o seu líder maior, ex-governador Albano Franco, ficar impedido de disputar uma posição majoritária.

Ontem o ex-governador Albano Franco viu sair do seu partido um dos mais próximos amigos. Chorou emocionado, porque não podia segurá-lo no PSDB dentro de uma composição com o PFL, mas teve que se conformar com a situação que considerava melhor para os aliados, principalmente aqueles que disputavam mandatos proporcionais. A decisão final do PSDB pode ter valido porque cumpriu a obrigatoriedade da verticalização e lhe ofereceu chances de eleger até dois deputados federais e quatro estaduais, dentro de um chapão, mas não foi bom porque não conseguir todos em torno do mesmo objetivo. Os deputados tucanos deveriam entender, como verdadeira, que dificilmente se reelegeriam em caso de fechar uma aliança branca com o PT ou sair independente para uma eleição intensa e concorrida.

De qualquer forma PSDB e PFL em Sergipe voltaram a se entender, mesmo que timidamente, porque o partido ainda tem muito que conversar.

O PMDB também vinha conversando muito para fazer uma coligação para manter o mandato do deputado Jorge Alberto, que em Brasília já apóia o presidente Lula. Nestes últimos três dias o partido conversou intensamente com PT e PFL, com vantagem para o segundo que oferecia a candidatura de vice-governador ao deputado estadual Marcos Franco. Já o PT também queria o PMDB e ensaiou a tentativa de também passar a vice para a legenda, cujo nome seria o do mesmo parlamentar. De Brasília, o senador Valadares (PSB) não aceitou, porque a vaga na chapa era do deputado Belivaldo Chagas (PSB), já oficializada no encontro petista de domingo passado. Não daria para uma aliança com o PMDB. Ontem, entretanto, Marcelo Déda e Edvaldo Nogueira tomaram café da manhã e bateu a idéia de oferecer a suplência de senador a Benedito Figueiredo. Foi um dos tiros mais certeiros dado pelo prefeito. Às 11 horas, na casa de Benedito, a composição PMDB e PT estava fechada.

Mas o PMDB também vai dividido, tanto quanto o PSDB. Como disse um membro do partido, o PT ganha apenas o tempo, porque boa parte dos prefeitos e líderes do interior, inclusive os que votam em Jorge Alberto, está com o PFL. Como disse no começo desse comentário, ainda há tempo para mudar muita coisa.

 

 

ANUNCIO

Só no início da noite o governador João Alves Filho (PFL) anunciou a composição com o PSDB. O deputado estadual Fabiano Oliveira é o candidato à vice.

João considerou a aliança com Albano Franco boa para Sergipe. A senadora Maria do Carmo Alves, também é candidata à reeleição.

 

NO PSDB

Os deputados estaduais e candidatos que implicavam com a coligação ficaram em silêncio e aceitaram sem grandes discussões.

O deputado Luiz Mittidieri não compareceu à convenção. Já havia declarado que só tinha problemas no município de Boquim para votar em João Alves Filho.

 

FONTES

O deputado federal João Fontes (PDT) já é candidato a governador pelo partido e começa a trabalhar imediatamente para conquistar o comando.

Excessivamente otimistas, ele declara: “não tenho dúvida que serei o governador do Estado e vou fazer as mudanças que Sergipe precisa”.

 

FECHA

O PMDB vai para a campanha como aliado do PT, apoiando Marcelo Déda a governador. O deputado federal Jorge Alberto vai integrar o chapão do bloco oposicionista.

O presidente regional do PMDB, Benedito Figueiredo, contentou-se com a primeira suplência de José Eduardo Dutra (PT), que disputa o Senado Federal.

 

GARIBALDE

O deputado Luiz Garibalde (PMDB), que tenta a reeleição, não participou da homologação porque viajou para o interior e não tinha muita informação sobre a aliança.

Disse apenas que vai seguir, mas reclamou que “a coisa foi feita por cima, através da cúpula do partido. Eu não soube de nada”, disse.

 

VICE

O PMDB exigia a indicação do vice-governador para apoiar Marcelo Déda (PT) e até houve um ensaio para tentar que o senador Valadares (PSB) recuasse da indicação.

Valadares quis pouca conversa sobre o assunto, porque era o compromisso já anunciado oficialmente pelo PT para indicar o vice do PSB. O partido não abriu.

 

DEIXA PSDB

O deputado federal Bosco Costa (PSDB) lutou muito, mas não conseguiu homologar sua candidatura ao Senado Federal pelo seu partido.

Não se curvou: pediu afastamento do PSDB – já enviou carta à direção nacional – e foi conversar com Marcelo Déda (PT), a quem lhe dará apoio para governador.

 

CANDIDATURA

O deputado federal Bosco Costa sempre defendeu candidatura própria para o PSDB em Sergipe, porque recusava um acordo com o PFL.

Depois de discursar, deixou o partido acompanhado de companheiros, aos quais se juntou o deputado federal Jackson Barreto (PTB).

 

CHORO

O presidente de honra do PSDB, Albano Franco, emocionou-se e chorou durante alguns momentos do discurso do deputado federal Bosco Costa.

Albano é amigo pessoal de Bosco há muitos anos e usava com naturalidade o seu gabinete nas viagens que fazia a Brasília. Bosco pode votar nele para deputado federal.

 

BOSCO

Curiosamente, às 11h29 de ontem o site do PSDB Nacional publicou matéria anunciando que o PSDB-SE oficializava a candidato do deputado federal Bosco Costa ao Senado.

Bosco Costa ainda fez uma declaração: “estou confiante e otimista. Espero continuar defendendo os interesses do meu estado, só que dessa vez no Senado Federal”.

 

OPOSIÇÃO

O bloco da oposição fechou a chapa majoritária: Marcelo Déda (PT) para governador e Belivaldo Chagas (PSB) para vice.

José Eduardo Dutra (PT) para senador, Benedito Figueiredo (PMDB) primeiro suplente e Luiz Eduardo Costa (PL) segundo suplente.

 

DÉDA

O prefeito Marcelo Déda, durante a homologação, declarou que o bloco de oposição manteve-se unido e continua na luta pelo governo do estado.

Fez menção especial ao PMDB, que estava chegando para se incorporar ao grupo: “É uma conquista muito grande para todos nós”, disse.

 

TELEFONEMA

O deputado federal Bosco Costa (sem partido) telefonou para o candidato a governador Marcelo Déda e avisou que estaria à disposição dele para a campanha.

Bosco quando saiu da sede do partido, acompanhado por uma multidão, teria se dirigido para o comitê do deputado estadual Jorge Araújo.

 

 

 

Notas

 

REGRAS-1

O TSE aprovou as três instruções que faltavam para completar as regras para as eleições de outubro. O responsável pela redação final da legislação eleitoral deste ano, o ministro Gerardo Grossi, acolheu 13 sugestões feitas por partidos políticos em audiência pública realizada na segunda-feira passada.
O ministro Geraldo
Grossi decidiu não alterar as datas do calendário eleitoral, mas incluiu sugestões de mudanças referentes à propaganda eleitoral, arrecadação de recursos, além da prestação de contas.

 

REGRAS-2

Entre as modificações aprovadas pelo TSE constam a possibilidade das campanhas comercializarem material de divulgação institucional dos partidos, como camisetas, bottons, bonés e decalques, desde que não contenham nome e número de candidatos, bem como cargo em disputa.
Outra mudança aceita pelo ministro prevê que toda propaganda impressa, como folhetos, cartilhas e outros tipos de esclarecimentos públicos, deverá trazer o número de inscrição da empresa que o confeccionou.

 

REGRAS-3

Nos programas veiculados na televisão, não será mais obrigatório a utilização da linguagem brasileira de sinais (Libras) e a utilização de legendas, como estava previsto anteriormente, bastando um dos recursos. As propagandas irregulares serão combatidas com multas. A denuncia deve ser provada.

O TSE definiu também que, nos casos em que não houver punição expressa pela legislação eleitoral, será passível de enquadramento como abuso de poder econômico, que prevê a cassação da candidatura ou do mandato.

 

 

É fogo

 

Muita corrida durante o dia de ontem para consolidar composições, que estavam pendentes e não podiam passar de ontem.

 

Tudo bem com o candidato a deputado federal Jerônimo Reis (PFL). Ele já teve seu nome homologado e vai para a disputa.

 

Os partidos pequenos se uniram em coligação proporcional, mas resolveram apoiar a candidatura de João Alves Filho à reeleição.

 

O ex-governador Albano Franco se sentiu desprestigiado por alguns dos seus companheiros que estão com ele há muitos anos.

 

O deputado federal João Fontes (PDT) apesar das eleições está trabalhando na CPI dos Sanguessugas. Não vai abandonar o barco.

 

O ex-deputado federal Gilton Garcia conseguiu emplacar o filho, Marcelo Garcia, como secretário do Trabalho.

 

As fortes chuvas que caíram ontem à noite não tiraram o ânimo do pessoal que foi para a Vila do Forró, na Atalaia, e o Forrocaju, nos mercados.

 

O deputado estadual Ulices Andrade (PSDB) teve uma reunião na noite de quinta-feira com alguns dos seus aliados do interior.

 

O simples fato de pensar em retirar o PSB da indicação do vice do prefeito Marcelo Déda (PT) irritou profundamente o senador Valadares.

 

O Banco Central (BC) deve começar, em meados de 2008, a exigir dos bancos o aporte de mais capital para fazer frente a riscos operacionais.

 

O novo depósito feito pela VarigLog para garantir as operações da Varig foi de US$ 200 mil, de acordo com as informações da Justiça do Rio.

 

brayner@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
Comentários

Nós usamos cookies para melhorar a sua experiência em nosso portal. Ao clicar em concordar, você estará de acordo com o uso conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Concordar Leia mais