Comissão de Bobagem II

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As patrulhas ideológicas são terríveis! Elas sempre se servem do preconceito para afirmar inverdades e macular as pessoas.

Como ousas defender a ditadura militar? Estás insano? Pergunta-me alguém que se crê democrata e aberto a todas as ideias e crenças, mas estabelece guetos e camisas de força, evitando a discussão do problema para distorcer qualquer versão que conflite o pensamento hegemônico da historiografia oficial.

Para estes, a História tem que permanecer falseada, romanceada e deturpada, criando heróis aos montes, remunerando indenizações milionárias, exaltando feitos vazios em brio e coragem, sem falar da necessidade cartorial de certificar milhões de mártires insepultos.

Não fora assim, fertilizada por esta insaciável sede de vingança, não se pensaria nesta Comissão Revanchista da Verdade, em nível federal, estadual e quiçá municipal, que vem para criar o novo factoide eleitoral, na tentativa de criar um neo facto, que impeça a visão da exaustão do discurso político das últimas décadas.

Mas, como o mote é descobrir ossadas produzidas pelo arbítrio da “ditadura militar”, eu, à falta de prova maior consistente com a história mundial comparativa, entendo o regime dos Generais Presidentes como uma “ditabranda”, termo crescentemente em voga por verdadeiro, porquanto os excessos cometidos, assumidos e relatados, longe de serem considerados extremamente cruéis e desumanos, teriam sido bem piores não fosse a ação saneadora e pacificadora dos homens que comandavam o regime.

Porque o torturador não está somente disponível para um Béria, um Himler ou um Torquemada. Ele vige e serve a qualquer regime.

E neste particular, em pleno estado de direito e cidadania, insepulto está o cadáver do menino Jonatha assassinado em circunstâncias misteriosas, a despertar gargalhos da “Comissão de Verdade”, por ser uma “bobagem” do seu desinteresse.

Melhor interesse seria que a sinistra comissão ressuscitasse um corpo mutilado de melhor qualidade, morto na defesa de seu ideal equivocado.

E não aparece um! Eita pobreza sergipana! Não tem unzinho sequer para ganhar estátua, honraria, santificação, ficando Fausto Cardoso sozinho, isolado e já esquecido na sua quimera exaltada de tomar o poder pela insurreição popular em rebeldia sem voto.

Rebeldia sem voto que restou démodé, fora de moda, desatualizada, com o país amadurecido só após a saída saneadora dos militares. Só após!

E hoje, quando os vencidos de então ocupam o poder, respeitando o mercado, os contratos, as convenções, tudo o que repeliam então, o que desejam quando já se demonstram afadigados e sem empolgação retórica?

Querem reacender a insatisfação geral, despertando a população contra o seu Exército?

Ora, o Exército de ontem é o de hoje e será o de amanhã! Seus feitos heroicos com Caxias, Osório e Mascarenhas de Morais não são apenas o melhor exemplo da estratégia vitoriosa das batalhas.

Eles também estavam salvando a pátria ameaçada quando Mourão Filho saiu de Minas Gerais com a tropa recebendo o aplauso em toda vanguarda do caminho.

O movimento de 1964 aconteceu com pleno apoio popular e sempre se caracterizou pelo respeito às leis, o Congresso permanecendo aberto, em pleno aplauso de aprovação.

Não foi uma derrubada do poder como a de Fidel Castro em Cuba, nem Mao Tse Tung na China, muito menos a do próprio Getúlio Vargas em 1930 e 1937, com a entronização do poder de um líder personalista.

Não! Generais presidentes foram eleitos pelo Congresso, em mandatos cumpridos, com começo, meio e fim, iniciando-se com Castelo Branco, homem digno e correto, que inclusive reformou as forças militares dando unidade e continuidade.

Ah! E as cassações?! E os Atos Institucionais? E as inelegibilidades decretadas? E as prisões ocorridas? Dirão aqueles que insatisfeitos estão ainda com a não excedência dos excessos.

Querem destigrar o tigre!? Querem fazê-lo hiena, quando o tigre é bravo e ninguém o deve cutucar com vara curta!?

Por acaso existe regime autoritário norteado por boas maneiras e conversação suasória?

Que governo se sustenta em meio à crise de anarquia com a repressão sendo motivo de chacota em afagos e carinhos?

Como coibir o terror que se esboçava em assaltos a bancos, quarteis militares e sequestros de embaixadores? Só é lícito assassinar as forças da ordem?

Ah, mas foram assassinados Wladimir Herzog e o operário José Fiel no Doi-Codi em São Paulo!

E por caso isso restou impune com a demissão exemplar e imediata do General Edinardo D’Ávila Melo, responsabilizado pelo feito lamentável?

Haveria tal resposta saneadora hoje, com a exigência de tantas firulas de procrastinação processual de ampla defesa e o escambau!?

Porque o noticiário policial rotineiramente relata “suicídios” convenientes entre tantos insuspeitos do acaso, e o escambal processual nada resolve por usual.

Teria sido um descaso confluente, ou um “suicídio” providencial, o acontecido agora com o menino Jonatha sobrando com o balaço vindo do nada, ou do além, algo desconhecido a não merecer estardalhaço, burla ou barulheira?

Cabe-lhe uma zoeira menor que aquela dos ecos distantes, quarenta ou cinquenta anos passados em feridas doridas e sangrentas de uma hemorragia inestancável do regime revolucionário?

“Estás maluco, Odilon, defender a ditadura militar!”

Não. Eu não tenho nenhuma razão específica para defender o regime militar de 1964, mesmo porque eu também comungava da sua crítica nos idos de 1968.

Mas, enquanto conhecedor daquela época, e em testemunho da verdade, reafirmo que a repressão só aconteceu porque fomos ineptos, incompetentes e irresponsáveis. Cutucamos o tigre com a vara curta!

E, como se diz por comum; “Quando a cabeça não pensa, o corpo é que paga!”. Mesmo com a ditadura branda e a cana não tão dura!

Mas, se alguém ainda chora o trauma e a dor, não tanto imerecida, quão bem mais divulgada e enaltecida, muito melhor seria aprazerar os céus por viver e contar a delicadeza da pancada sofrida, porque bem pior aconteceu com o menino Jonatha, em pleno estado de Direito.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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