Como evitar e tratar a artrite gotosa

Às vezes construímos grandes sonhos em cima de grandes pessoas. Com o passar do tempo, descobrimos que grandes eram os sonhos, e as pessoas pequenas demais.

Doença reumatológica, metabólica e inflamatória que decorre de aumento de ácido úrico no sangue (“Hiperuricemia”), proveniente do depósito de “cristais” de ácido úrico nos tecidos (“tofos”) e articulações (“artrite”).

A doença foi descrita pela primeira vez por Hipocrates 500 anos A.C., o termo “gota” vem do latim – “gutta” – e traduz o conceito humoral, segundo o qual haveria, nesta enfermidade, um gotejar de humores, de uma a outra parte do corpo.

A gota era conhecida como “a doença dos reis”, devido à sua associação com consumo de alimentos finos e álcool. Ela, porém é conhecida há 2500 anos, sendo uma das patologias clínicas mais registradas na história da medicina.

A história moderna da gota e sua descrição em mínimos detalhes foi realizada em 1683, por Thomas Sydenham, que se baseou nos seus próprios sofrimentos de 34 anos de gotoso e portador de cálculos renais, Ele dizia “eu não sei qual é dor mais severa, se a da gota ou do cálculo renal”.

A relação entre a gota e o excesso de ácido úrico circulante é conhecida desde o século XIX, mas somente com o entendimento sobre a bioquímica da produção de ácido úrico pelo organismo, por volta de 1960, é que foi encontrada uma terapia efetiva para a doença.

A Artrite Gotosa ocorre em 2 a 3% da população em geral, incidindo principalmente na faixa dos 30 aos 50 anos, predominando no sexo masculino (95%), porém aumenta sua incidência nas mulheres após a menopausa.

A concentração normal de ácido úrico no sangue é de 2,5 a 7,0 mg /ml para homens e de 1,5 a 6,0 mg /ml para mulheres.

Dependendo do país estudado, pode chegar a 18% a população com ácido úrico acima de 7 mg %%, no entanto, somente 20% dos hiperuricêmicos terão gota, ou seja, ter ácido úrico alto não é igual a ter gota.

Causas

A gota pode ter causa desconhecida, ter algum componente genético (hereditário), sendo então denominada primária sendo mais comum que a secundária.

A secundária decorre do uso de medicamentos ou em conseqüência de outras doenças.

Os principais medicamentos causadores do aparecimento da gota são:

• Diuréticos (mais comum)

• Aspirina em dose baixa

• Warfarina

• Óleo de copaíba (tratamento natural)

• As doenças precipitantes ou causadoras da gota são:

• Doenças Hemolíticas (anemia falciforme principalmente)

• Doenças mieloproliterativas (leucemia)

• Diabetes Mellitus

• Obesidade

• Psoríase

• Hipotireoidismo

• Insuficiência renal

• Hipertensão Arterial

Uma causa comum para o aumento de ácido úrico no sangue é a ingestão de bebidas alcoólicas principalmente as cervejas.

Apesar da grande importância que se dá a dietas ricas em proteínas e gorduras como causa da gota, apenas 10-12 % do ácido úrico circulante é originário dos alimentos ingeridos.

O que se sabe é que a maior parte do ácido úrico do nosso organismo é produzido por ele mesmo.

Sintomas

O ataque inicial da artrite gotosa geralmente se inicia durante a madrugada, envolve apenas uma articulação, em geral o dedão do pé (“halux”), dorso do pé, tornozelo, joelho, o pulso ou outros dedos do pé, em geral cursa-se com uma inflamação articular (calor, rubor, inchação (edema) e dor intensa no local afetado).

De forma singular até o lençol da cama ao tocar na articulação, pode desencadear um episódio severo de dor.

Às vezes, se a gota persistir por muitos anos, os cristais de ácido úrico podem se depositar nas juntas ou nos tendões dos músculos, debaixo da pele ou no pavilhão das orelhas, formando um depósito brancacento chamado de tofo (como pequenos nódulos).

Essa “crise” de gota pode durar de 5 a 8 dias e se resolver espontaneamente, passar um período assintomático (intercrítico), que pode durar de alguns meses (2 a 5) até alguns anos (1a 3 anos).

Naqueles que não se tratam esse período irá durar sempre um tempo cada vez menor, e as crises mais duradouras e acomete maior número de articulações.

Lembrar que só a presença de hiperuricemia (maior ou igual a 7 mg/ml homens / maior ou igual a 6mg/ml mulheres)não permite faze diagnóstico de gota.

Devemos chamar a atenção de que a gota não é uma doença grave, mas geralmente esta( “mal acompanhada”), com outras doenças graves, como hipertensão arterial, diabetes Mellitus, obesidade, dislipidemia (aumento de gorduras no sangue), dentre outras.

Portanto é importante concomitantemente dosar glicemia, colesterol, triglicerídeos e, nunca deixar de aferir a pressão arterial nesses indivíduos.

Diagnóstico

O diagnóstico de gota pode ser sugerido com base na história e sintomas relatados pelo paciente.

Entretanto, o diagnóstico de certeza é dado pela visualização do cristal de ácido úrico por um microscópio de luz polarizada no líquido oriundo de dentro da articulação (líquido sinovial).

Outra maneira de fazer o diagnóstico é confirmar a presença de tofos, que são conglomerados de cristais de ácido úrico depositado em alguns tecidos, principalmente na borda da orelha (pavilhão auricular), ponta do nariz e na superfície das articulações, principalmente dos cotovelos, dos joelhos, das mãos e dos pés.

OBS: Purinas: O ácido úrico é derivado do metabolismo das purinas que constituem uma parte do núcleo proteínas, encontrada em grande quantidade em dietas ricas em proteínas.

Tratamento

• Tratar as doenças concomitantes

• Debelar a crise aguda (analgésico (p. Ex: Pregabalina), colchicinea e compressa de gelo local)

• Redução dos níveis de hiperuricemia na fase intercrítica (alopurinol e benzobromaroma)

• Dieta rica em carboidratos (aumenta excreção de uratos) e pobre em gorduras (que reduz a sua eliminação)

• Restrição de ingesta de alimentos ricos em purinas, principalmente na fase aguda da doença

• Evitar desidratação

• Evitar jejum (hipoglicemia)

• Repouso Articular

• Em caso de grande ansiedade: ansiolíticos e tranquilizantes

• Ingestão de Líquidos (3,5L / 24 h) para evitar o aparecimento de cálculos renais.

Dicas

Alimentos com alto teor de purinas (não devem ser consumidos, principalmente na fase aguda):

• Carnes como vitela, bacon, embutidos;

• Miúdos como fígado, coração, língua, rim e miolos;

• Peixes e frutos do mar como sardinha, salmão, bacalhau,ovas de peixe,

• Bebidas alcoólicas de todos os tipos;

• Tomate e extrato de tomate;

• Caldo de carne e molhos prontos.

• Alimentos com médio teor de purinas (consumo moderado, fora da crise):

• Carne de vaca, frango, porco, presunto;

• Peixes e frutos do mar como camarão, ostra, lagosta, caranguejo;

• Leguminosas como feijão (exceto feijão adzuki), soja, grão de bico, ervilha e lentilha, aspargo, cogumelos, couve – flor e espinafre;

• Cereais integrais como arroz integral, trigo em grão, centeio e aveia;

• Oleaginosas como coco, nozes, amendoim, castanhas, pistaches, avelã.

• Alimentos com baixo teor de purinas (podem ser consumidos diariamente)

• Queijos magros, ovos cozidos, manteiga e margarina;

• Cereais e farináceos como pão, macarrão, sagu, fubá, mandioca, arroz branco e milho;

• Vegetais como couve, repolho, alface, acelga, agrião;

• Doces (excetos nos diabéticos e obesos) e frutas de todos os tipos.

O que podemos concluir é que a “gota” pode e deve ser evitada, com bom senso, restrição alimentar adequada e uma boa dose de qualidade de vida.

Uma Boa Semana, com muita paz, saúde e harmonia fraterna.

MAKTUB!!!!!

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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