Comunicação Ambiental

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O Portal Infonet lançou nesse mês de outubro o projeto especial Meio Ambiente, assinado por esta que vos escreve. Mas não é por essa minha mínima participação que eu resolvi comentá-lo aqui. O fato que realmente merece referência é a aposta do portal de notícias na temática para este projeto, assim como faz também outros veículos de comunicação a exemplo das revistas Superinteressante e Veja, entre outras, que já publicaram diversas edições verdes.

Abrem espaço para a sustentabilidade desde a cor de sua capa (literalmente verde) até a pauta que norteia a maioria das reportagens destas edições. E fazem isso cumprindo uma missão que é própria do jornalismo e de toda a imprensa, ou seja, ajudar o leitor/internauta a formar sua opinião sobre uma problemática relevante e de interesse social, como deveria ser toda notícia. A iniciativa do Portal Infonet é louvável, mas não é inédita.

Hotsite Meio Ambiente 2010

Ano passado também pude colaborar com o primeiro hotsite sobre Meio Ambiente. Na ocasião eu pedi a profissionais de diferentes áreas, mas envolvidos com o tema, que comentassem brevemente como se aplicava a sustentabilidade em seus respectivos ramos. Também foram mostradas iniciativas locais que estavam e ainda estão cooperando para o desenvolvimento sustentável. Além disso, como não poderia faltar, havia notícias e informações dentro do tema.

E para mim, mais que um trabalho profissional, foi uma realização pessoal, já que até então eu não tinha conseguido unir tão bem as minhas duas áreas de formação acadêmica (jornalismo e educação ambiental). Já este ano fizemos um pouco diferente. Com a ajuda de um colega profissional de Rádio e Televisão, colhemos em vídeo e texto depoimentos de pessoas comuns que colocam literalmente a mão na massa para ajudar o Meio Ambiente a se manter vivo. Cada fala valeu o trabalho.

Espero que a idéia possa contaminar, para o bem, outros veículos de comunicação de Sergipe de forma que abram o

mesmo espaço para a discussão, conscientização, investigação e alerta quanto às problemáticas que envolvem o Meio Ambiente e a sua sustentabilidade. E, além disso, a imprensa local deve assumir também a sua responsabilidade de educar para a ação e a transformação socioambiental.

Para a jornalista Vera Lúcia Diegoli, do Repórter Eco da TV Cultura de São Paulo (primeiro telejornal especializado, que completou 19 anos em 2011), apesar de atualmente as questões ecológicas aparecerem mais na mídia, elas aparecem superficialmente. “Eu acho que isso acontece porque não interessa propor mudanças. As pessoas terão que repensar suas vidas”, comentou durante o EICA (Encontro Interdisciplinar de Comunicação Ambiental ocorrido em abril desse ano na UFS).

E parece que é justamente isso. Meio Ambiente, pelo menos por aqui, só é pauta do jornalismo quando há um desastre, denúncia com escândalo ou algo do tipo. Pautas positivas ou construtivas, no sentido de esclarecer o público, não são tidas como relevantes. “Não dão ibope”. Vejamos, por exemplo, o caso do excelente programa de TV Globo Ecologia: a que horas ele vai ao ar mesmo? Será que uma Malhação (??) não poderia dar espaço não apenas ao Globo Ecologia, mas a todos os programas educativos que passam na madrugada (Ecologia, Ciência, Universidade)? E por que será que não dá?

Se Vera Lúcia estiver realmente certa então constataremos que o atual papel da imprensa não é informar, mas apenas entreter e ser, por diversas vezes, não verde, mas marrom.

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P.S. me desculpem se falei muito em mim nesse post, foi inevitável. Mas, afinal de contas, aqui eu posso (já que isso é um blog e não um jornal) usar a primeira pessoal do singular…

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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