Conferência de Yalta: Uma nova página da divisão mundial

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Manoel Messias Cardoso da Silva Moura.
Graduando em História pela Universidade Federal de Sergipe.
Integrante do GET (Grupo de Estudos do Tempo Presente).
Orientador: Prof. Dr. Dilton Cândido Santos Maynard.
Bolsista Voluntário PIBIC.
e-mail: manoel@getempo.org

Em fevereiro de 1945, mais precisamente, entre 4 e 11 daquele mês, ocorreu a Conferência que selaria o destino de um mundo. O mundo pós-Guerra. Essa reunião entraria para a história por coligar peças antagônicas de um mesmo bloco, o dos aliados: de um lado Joséf Stálin, presidente da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas a força do chamado “socialismo real” e peça bélica fundamental para o fim da Guerra, de outro Franklin Delano Roosevelt e Winston Churchill, respectivamente presidente dos Estados Unidos da América e primeiro-ministro da Inglaterra. Ambos fizeram críticas ao socialismo stalinista – nisto, destaca-se a imagem de Churchill – e defendiam o capitalismo, a grande força econômica que dividiria forças com o socialismo no cenário que o historiador inglês, Eric J. Hobsbawm chamou de “Era de Ouro” do século XX, o qual ele chama de “Era dos Extremos” e divide em 3 “fases” em seu livro homônimo.

Qual a verdadeira importância dessa reunião? Celebrada em solo soviético – mais precisamente na região da Crimeia, península ucraniana e território recém anexado pela Federação Russa – essa reunião marca, mais do que o fim da Segunda Grande Guerra, traz um novo panorama mundial: O mundo dividido em zonas de influência.

Com a proximidade da consolidação da derrota das forças Nazistas, as principais forças dos países aliados se reuniram em busca de definições para suas ações consequentes à derrota do inimigo comum: Adolf Hitler e as ideologias fascistas. Para tanto, deixaram clara a intenção de ao declarar cessar-fogo, dividir a Alemanha em 4 zonas de controle: uma para a Grã-Bretanha, uma para os Estados Unidos, uma para a URSS e uma quarta para França.

Além disso, a discussão de possíveis sanções e a criação de um órgão internacional e neutro, algo semelhante à Liga das Nações de Woodrow Wilson, e que se concretizou de maneira segura, evitando novos grandes conflitos diretos entre potências mundiais, a Organização das Nações Unidas (ONU), para assegurar que não surgisse uma nova Alemanha Hitleriana, ou uma nova Itália fascista.

Dessa conferência, praticamente, surge o mundo em que muitos de nós nasceram: o mundo bipolarizado. As populares duas superpotências escondidas em cores e siglas: EUA x URSS, Azul x Vermelho, Direita x Esquerda, símbolos de um mundo que ainda é muito recente e vivo nas nossas memórias, mesmo nas memórias daqueles que não viveram, afinal, as novas gerações de adultos do século XXI ainda nasceu no século passado e “respirou o ar” recente de mudanças.

Passados exatos 70 anos do fim do conflito que mais matou e marcou na história da humanidade, muitas coisas ainda permanecem “mal resolvidas”, e muitas vezes causam desentendimentos entre nações. A reflexão necessária sobre os eventos da Segunda Guerra Mundial, deve nos trazer a lembrança das consequências que ela trouxe, dos perigos e do caos instaurado e principalmente, do medo e perseguição que alguns agrupamentos sociais sofreram. Que essa reflexão sirva de aprendizagem para a humanidade e que não se esqueçam dos 70 anos dessa tragédia na página da humanidade.

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