Consenso e discussões

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O Partido dos Trabalhadores vai realizar, hoje, sua pré-convenção. A militância discute tudo sobre a sucessão até à exaustão, mas depois de se chegar a uma definição nada mais acontecerá. A convenção do dia 30 será apenas homologatória. Esse sempre foi o estilo petista de definir posições eleitorais. A impressão é que no encontro de hoje não haverá grande discussão em torno da chapa majoritária. Marcelo Deda (PT) e Edvaldo Nogueira (PCdoB) formam a dupla do consenso. Ou do quase consenso. Evidente que há um grupo diminuto que ainda defende a chamada chapa puro sangue, mas isso já está ficando superado e dentro do partido não há mais clima para uma discussão acirrada sobre esse assunto. Ele esquentou apenas quando o secretário das Finanças, Nilson Lima (PT), se desincompatibilizou e colocou o seu nome à disposição da legenda. Quando isso foi abafado e Nilson retornou às suas atividades na equipe de Governo, houve um esfriamento total nesta possibilidade do vice ser também do PT. Mesmo assim ainda se houve vozes dissonantes, que não entende como o partido vai colocar a sua liderança maior a julgamento eleitoral e depois passar a Administração Municipal pra outra legenda. Mas esse é um tema superado e o caminho é mesmo uma chapa mista, para manter a unidade do bloco que dá sustentação ao prefeito Marcelo Deda e que deve estar junto com ele em sua possível candidatura ao Governo do Estado em 2006. Agora em relação a um coligação proporcional, a coisa fica complicada. Os 34 nomes que constam da chapa de candidatos a vereador pelo Partido dos Trabalhadores não querem ouvir falar em composição com nenhuma outra legenda. Para os vereadores do PT a questão passa a ser matemática. Alegam que o partido não tem nomes com um grande percentual de votos pessoais, mas a legenda obteve 15 mil votos nas eleições passadas e conseguiu colocar na Câmara cinco vereadores – hoje reduzido a três – através exatamente da força que tem o PT junto ao eleitorado. Se fizer uma coligação envolvendo siglas como PL e PTB, que têm nomes com uma boa densidade de votos, mas uma legenda sem a popularidade petista, corre o risco de reeleger parlamentares dos dois partidos e reduzir a bancada do PT na Câmara Federal. Os candidatos petistas não querem correr esse risco e vão mostrar isso na pré-convenção que se realiza hoje. A maioria espera que as lideranças do PT, como o próprio Marcelo Deda e José Eduardo, entendam que precisam preservar uma boa bancada na Câmara Municipal. Mas nas duas legendas o clima dos proporcionais é de insatisfação. O presidente do Partido Liberal, deputado federal Heleno Silva, não aceita nada diferente de um chapão. Os liberais lembram que o presidente da Câmara, vereador Sérgio Góes, não pretendia troca o PSDB pelo PL. O fez por sua insistência e até através de um telefonema do então todo poderoso José Dirceu, ministro chefe da Casa Civil. Agora ficará com dificuldade de reeleger-se, caso o PT mantenha essa condição de recusa ao chapão. A mesma coisa acontecerá com Jidenal e com os vereadores do PTB. Heleno Silva ameaça abandonar o barco e está conversando com outros candidatos à Prefeitura, enquanto uma liderança liberal lembra que a “bancada do PT é quem mais contesta a administração de Marcelo Deda”. Evidente que a cúpula petista está atenta a isso e conversa uma solução para evitar a dispersão. A única delas é ir buscar o PSDB para uma composição proporcional com o PTB e o PL, para que se consiga um quociente eleitoral capaz de manter os vereadores destes partidos no lugar em que se encontram. O PT rejeita uma coligação majoritária com o PSDB, evidente que isso é de mentirinha, porque os tucanos optaram por Marcelo Deda desde as eleições de 2000. Essa rejeição, aliás, fica sem sentido, quando se buscam os tucanos para salvar os proporcionais, e se transforma em preconceito quando não o quer no palanque do candidato a prefeito. Esse jeitinho é apenas uma possibilidade. Ainda não se sabe a posição do PSDB em relação a uma coligação proporcional. Será que é vantagem? É bom pegar na máquina de calcular… SENTIMENTO O presidente do diretório municipal do PT, Marcio Macedo, admitiu ontem que o sentimento do seu partido é manter a aliança, porque se está pensando em 2006. Acrescentou que “parece que é consenso manter a chapa vitoriosa de 2000, composta por Marcelo Deda (PT) e Edvaldo Nogueira (PCdoB)”. PROPORCIONAL Marcio Macedo disse, também, que o sentimento do PT é de que a chapa proporcional seja exatamente o contrário da majoritária, com candidato só do partido. Admitiu que algumas conversas estão acontecendo para que haja um entendimento para formação de chapa proporcional entre PSDB e PL. FECHADO Os 34 candidatos a vereador inscritos na chapa do PT estão fecham questão contra uma coligação proporcional. Segundo o vereador Antônio Góes (PT) a tendência do partido com a chapa fechada é crescer a bancada, principalmente através dos votos de legenda. DECISÃO Quinta-feira passada, n Câmara Municipal, os vereadores do PL e PTB disseram que não abrem mão de um chapão proporcional, incluindo o PT. Os candidatos do PT acham que não podem disputar com pessoas que têm mais de três mil votos pessoais, porque será ruim para ele. O PT só elegeria no máximo dois vereadores. TUCANATO O entendimento com o PSDB, que não tem candidato a prefeito, deve estar ocorrendo entre as lideranças que formam o bloco de apoio ao prefeito Marcelo Deda. Isso não é confirmado e até rejeitado por alguns petistas, como se fosse tempo de rejeitar apoios e composições. Esse prurido é burro e demagógico. NILSON Segundo comentário de membro importante do Partido dos Trabalhadores, a saída de Nilson Lima da Secretaria das Finanças, foi um teste para a chapa puro sangue. Caso não houvesse uma reação forte dos partidos que formam a oposição, o nome de Nilson seria mantido como vice-prefeito. AMIZADE O prefeito Marcelo Deda (PT) revelou que sua amizade com Nilson Lima é de 25 anos e que ele sempre estará em qualquer projeto do Partido dos Trabalhadores. Revelou que não partiria para o massacre, como muita gente queria, porque não é seu estilo e porque sabia que através do diálogo chegaria a um bom entendimento. VALADARES O senador Valadares (PSB) diz que o debate sobre melhoria do poder aquisitivo passa pela discussão sobre a valorização do trabalho. Com esse raciocínio, reivindicou retomada da análise da reforma trabalhista, importante para estimular a geração de emprego e renda do país. DECISÃO O deputado Gilmar Carvalho (PV) declarou ontem que, sem uma composição com o PDT, não será candidato à Prefeitura de Aracaju. Explicou: “a questão não é apenas tempo na televisão é coerência, já que o PDT tem o mesmo pensamento do PV dentro da Assembléia”. VEREADORES Gilmar Carvalho diz que foi chamado pelos vereadores do PDT para uma conversa, em que estava praticamente certa uma composição. Gilmar adverte que não vai para o sacrifício e só disputa para ganhar. Até quarta-feira se não houver uma decisão, ele tira o time de campo. CANINDÉ O deputado Augusto Bezerra (PMDB) disse que o partiu ainda não definiu candidatura naquela cidade, porque espera consulta da prefeita Rosa Feitosa ao TSE. Rosa estaria impedida de disputar a reeleição, porque integrou a chapa de Genivaldo Galindo, que era reeleito, e assumiu com a sua cassação. JÚNIOR Enquanto aguarda uma definição do TSE, o PMDB está preparando um outro candidato, que substituirá à Rosa Feitosa. Trata-se do presidente da Câmara, vereador Júnior Galindo (Ventão), que é pessoa de confiança total de Genivaldo Galindo, que se encontra preso. ENCONTRO Está marcado um encontro, neste final de semana, entre o governador João Alves Filho, o senador José Almeida Lima e a deputada Susana Azevedo (PPS), pré-candidata a prefeita. O objetivo da reunião é tratar sobre a sucessão municipal e a possibilidade de uma coligação com PPS e PFL. HELENO O presidente do PL, deputado Heleno Silva, está esperando a reunião de hoje do PT, para se pronunciar sobre a sucessão e tomar uma posição. Ele quer um chapão e se não conseguir vai aprofundar as conversas com Susana Azevedo e Gilmar Carvalho, com quem já manteve contatos. Notas FARPAS A governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Mateus questionou a trasparência do processo de licitação da plataforma PRA1 e acusou a Petrobrás de escolher uma proposta R$ 80 milhões mais cada do que a apresenta pela empresa Rio Mauá-Jurong. Aconteceu quinta-feira, depois de solenidade no Palácio do Planalto. O relacionamento entre o presidente da Petrobrás, José Eduardo Dutra (PT) e a governador do Rio de Janeiro, Rosinha Mateus, não tem sido nada amistoso, desde a questão do oleoduto para São Paulo. ACUSAÇÃO O presidente da Petrobrás, José Eduardo Dutra, ao ser informado das acusações, reagiu com irritação: “é uma acusação irresponsável, indigna de uma governadora de Estado”. Acrescentou que se a governadora entende que houve alguma irregularidade, “a obrigação dela é recorrer à Justiça para contestar o processo”. Disse mais: “se a governadora resolveu estragar a festa com política que o faça, mas com acusação irresponsável não. Se eu fosse irresponsável poderia falar também que há corrupção no Governo do Estado do Rio”. TELEVISÃO O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Antônio Passos (PFL) anunciou, ontem, que a TV daquela Casa vai começar a funcionar partir da próxima ter-feira. As imagens da nova emissora podem ser captadas através do canal 16 da Rede Net em Aracaju. A idéia é funcionar por 24 horas. Todas as sessões da Assembléia serão levadas ao ar pela emissora de TV, assim como as solenidades programas pelo legislativo. A partir de terça-feira os deputados devem ter mais cuidado no que dizem. É fogo A derrota do Governo Lula no Senado pegou mal para os coordenadores do Planalto. Agora o bombardeio vai se dar na Câmara Federal. O dinheiro que é gasto para aprovação do que o Governo deseja seria suficiente pra manter um bom salário mínimo para o trabalhador brasileiro. As noites em Brasília, neste período de aprovação do Salário Mínimo, foram muito ruidosas. Muita gente foi acordada no meio da madrugada para tratar de negócios. O Salário Mínimo de R$ 260,00 é muito pouco para quem ganha, mas é excessivo para quem paga. A senadora Maria do Carmo Alves (PFL) reassumiu a Secretaria de Combate à Pobreza, ontem, depois de licenciar-se do Senado Federal. O presidente do BNB, Roberto Smith, anunciou ao deputado José Carlos Machado, que uma parceria está sendo viabilizada com o Banese. O deputado federal João Fontes (PSOL) insiste que não há motivo para o aumento dos combustíveis. Selada a aliança PMDB-PFL para as eleições majoritárias de Itabaiana. O deputado Zé Milton de Zé de Dona já está em campo. É lamentável que o São João de Areia Branca tenha um fim tão melancólico. E o forródromo esta servindo para que? O deputado estadual Valmir Monteiro (PFL) está solicitando ao diretor presidente do Deso, Vitor Fonseca Mandarino, que viabilize a instalação de rede de água potável no povoado Pinga, em Malhador. O governador João Alves Filho descartou qualquer possibilidade de privatização do Ipês. O objetivo é sanear a instituição. O nível de crescimento na indústria caiu 0,5% em abril, em relação a março, de acordo com o IBGE. Foi a primeira queda do ano, depois de três meses de recuperação. Por Diógenes Brayner brayner@infonet.com.br

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