Controvérsias na Amazônia

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A poluição do ar gerada por queimadas da Amazônia é algo totalmente nocivo, certo? Bem, era isso o que os cientistas pensavam até recentemente. Até um grupo da universidade de São Paulo descobrir que partículas presentes na fumaça podem na verdade estimular o crescimento das árvores, fazendo-as retirar mais carbono da atmosfera.

Um estudo realizado por Paulo Henrique de Oliveira, do Instituto de Física da USP, constatou que aerossóis produzidos por queimadas e lançados na atmosfera produzem concentrações dez vezes maiores que o normal na Amazônia e aumenta em 20% a fotossíntese, reação pela qual as plantas retiram gás carbônico do ar e o fixa na forma de raízes, folhas e caule . O mesmo efeito foi observado em três pontos diferentes, dois em Rondônia e um no Pará, o que afasta a coincidência,

O que os cientistas descobriram, no entanto, foi que os aerossóis da fumaça aumentam a luminosidade difusa, o que parece ser vantajoso para as plantas.

De quebra, pode ajudar a explicar um antigo mistério amazônico: Quanto carbono a floresta de fato retira do ar e fixa nas árvores. Responder a essa questão é um dos objetivos principais do LBA. Isso porque as primeiras estimativas indicavam que a Amazônia fosse um grande “ralo” de carbono, retirando do ar anualmente cerca de 5 toneladas por hectare.

Um número tão alto teria implicações diretas para a política de clima, pois indicaria que a Amazônia estaria retirando do ar boa parte do gás carbônico (principal causador do efeito estufa) que a humanidade nele despeja por meio da queima de combustíveis fósseis, como o petróleo.

Só que a conta não fechava: Para que tamanha absorção ocorresse, a florestas deveria ter o dobro do tamanho que tem. Refinando as medidas das chamadas torres do fluxo, estruturas dispostas acima do dossel e equipadas com instrumentos para medir temperatura, umidade e trocas gasosas na floresta, o resultado ficava mais modesto. Ainda assim, em vários pontos a fixação de carbono era mais alta do que o esperado, por volta de uma tonelada por hectare ao ano ou mais.

Mas que os produtores rurais não se animem a achar que as queimadas são um bom negócio: O excesso de aerossóis pode levar o sistema ao colapso. Ao mesmo tempo em que se descobriu que as concentrações de aerossóis dez vezes maiores que o valor normal aumentam a fotossíntese, ultrapassar em muito esses limite – algo que também acontece com freqüência na floresta durante as queimadas – corta completamente a reação, como se caísse a noite sobre a mata.

A floresta amazônica pode ser menos vulnerável ao aquecimento global do que se temia, porque muitas das projeções subestimam o volume de chuvas, de acordo com um estudo de cientistas do Reino Unido.

O grupo de pesquisadores afirma que Brasil e outros países na região precisam agir para evitar um ressecamento irreversível no leste da Amazônia – área mais ameaçada pela mudança do clima, pelo desmatamento e pelas queimadas.

O regime de chuvas no leste amazônico deve mudar no século 21 num rumo que favoreça florestas sazonais em relação ao cerrado.

As florestas sazonais têm estações secas e úmidas, enquanto a floresta tropical é permanentemente úmida. Essa mudança poderia favorecer espécies de árvores e animais diferentes das típicas regionais.

O novo estudo contrasta com projeções de que a floresta amazônica pode ser totalmente substituída por uma espécie de cerrado.

As planícies amazônicas têm uma precipitação média anual de 2.400 milímetros, segundo o estudo. E, mesmo com redução nas chuvas, a região ainda teria umidade suficiente para sustentar uma floresta.

“A maneira fundamental de minimizar o risco de colapso da Amazônia é controlar a emissão de gases de efeito estufa no mundo, principalmente pela queima de combustíveis fósseis nos países desenvolvidos e na Ásia”, afirmou Yadvinder Malhi, da Universidade de Oxford, que coordenou o estudo. 

Na Amazônia, as árvores estariam “engordando” e consumindo maior quantidade de dióxido de carbono do que emitindo, anulando os efeitos das queimadas na região, responsáveis pela emissão de grandes quantidades do gás para a atmosfera.

Segundo pesquisadores, ao absorver carbono em excesso, usando o gás para crescimento, a própria floresta estaria limpando da atmosfera gases resultantes da queima de florestas e de combustíveis fósseis que contribuem para o aquecimento global. (Ambientebrasil)

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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