Conversa com Almeida

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Circulou, ontem, com certa insistência, a informação de que o governador João Alves Filho (PDT) teria uma conversa reservada com o senador José Almeida Lima (PDT), com a participação de mais dois políticos importantes. O objetivo era convence-lo a sair candidato à Prefeitura de Aracaju. João Alves Filho resolveria algumas pendências de interesse do PDT e assim se fixava um novo nome para a disputa municipal. Um deputado estadual chegou a imaginar que haveria surpresas sobre as candidaturas dentro do bloco governista. Sob insistência do repórter, deu uma dica: “você não está notando Almeida Lima muito calado? Pois bem, acho que ele vai ser candidato a prefeito”. Na realidade, o senador conversor com o governador. Aconteceu ontem pela manhã, na Secretaria da Indústria e Comércio. Durou pouco mais de uma hora. Falou-se sobre a viagem à China e em alguns projetos do Estado, mas também se comentou sobre sucessão municipal, sem que, em nenhum momento, João Alves Filho sugerisse candidatura a Almeida Lima. Sobre essa possibilidade de Almeida disputar a Prefeitura de Aracaju, ele declarou que “isso é coisa absolutamente descartada”, alegando que ela não se justifica. Admite que uma candidatura agora autorizaria qualquer comentário: “sou senador recém-eleito, com pouco mais de um ano de mandato e com quase sete anos pela frente. O que justificaria deixar tudo isso para ser prefeito de Aracaju? Sinceramente seria brincar de eleição”. Além disso, o governador João Alves Filho sabe que Almeida não quer ser candidato. Tanto que só trabalhou a candidatura de Pedrinho Valadares, depois que tomou ciência de que ela não interessaria ao senador, o que foi comunicado pelo próprio Almeida. O chefe da Casa Civil, Flávio Conceição, ainda insiste para que Almeida tente retornar à Prefeitura, “mas isso é em vão”, garantiu. Disse que fica lisonjeado e agradecido. “Não faço bico doce com isso. Apenas já estou montado no cavalo selado”. No encontro de ontem, Almeida Lima sentiu que o governador João Alves Filho ainda não tem definição sobre um candidato à Prefeitura, mesmo estando a pouco mais de um mês do período de convenções. Dentro do PDT existe uma discussão para que o partido saia com uma chapa majoritária e o pessoal imaginava que o senador Almeida Lima disputaria a Prefeitura. Quando fala sobre isso, aparenta irritação. Almeida lembra que, ao ser eleito para o Senado, deixou bem claro para os membros da legenda, que ele ficaria de fora das eleições municipais. Garante, entretanto, que o partido tem gente importante, capacitada e capaz para disputar o pleito em outubro, mas que está se recusando. Cita o vereador Antônio Samarone, que se filiou ao PDT com o objetivo de candidatar-se a prefeito. Entretanto, entende que ele ficaria sem mandato, caso não obtivesse êxito no final. Almeida aproveita e faz uma pergunta: “e o deputado Luiz Garibalde, por que não sai candidato?” Tem lógica: Garibalde não teria problema se perdesse as eleições, porque permaneceria na Assembléia Legislativa. Além disso, o deputado já disputou a Prefeitura de Aracaju e não se saiu mal. É um nome sempre lembrado quando se fala em eleições municipais, exatamente pelo que aconteceu em 1996, quando ele encabeçava a chapa pra a sucessão do próprio Almeida Lima. Pela alusão a Garibalde, fica claro que o senador gostaria que ele se habilitasse a disputar as eleições municipais. Esse silêncio e falta de vontade dos demais membros do PDT que têm condições de disputar a Prefeitura de Aracaju, não agradam ao senador José Almeida Lima. Todos desejam que seja ele o nome, mas Almeida diz que não pode “bater o córner, cabecear e ainda ser o goleiro”. Insiste no aspecto de que foi eleito há um ano para o Senado Federal: “ser candidato à Prefeitura, neste momento, é uma molecagem. É querer fazer o povo de peteca. Não vou fazer isso”. Depois de todo esse comentário, Almeida Lima considerou que a questão da sucessão em Aracaju está muito fria: “tem muita gente com as cartas nas mangas, mas não as libera”. Deixou bem claro que se o partido não apresentar candidato e o bloco não tiver um nome competitivo, vai votar logo cedo e armar uma barraca na praia. Bom, como em política o que se diz agora não serve para depois, Almeida Lima pode até ser candidato, mas as possibilidades são excessivamente remotas. PROFESSORES Continua o impasse do corte de pontos dos professores. Até mesmo quem não participou da greve ou estava de licença, não vão receber os dias parados. Deputados do bloco governista também defendem que seja evitado o corte, porque pode atingir pessoas que não puderam trabalhar. POLÍTICO Na opinião dos deputados, inclusive da situação, o corte do ponto pode acentuar as divergências da classe com o Governo. Além disso, se trata de uma punição que sempre foi negociada até mesmo pela empresa privada. Está faltando em Gilmar Mendes um pouco de habilidade política. EQUÍVOCO O prefeito em exercício Edvaldo Nogueira (PCdoB), considera um equívoco o raciocínio de que o prefeito Marcelo Deda (PT) é candidato ao Governo do Estado. Edvaldo acha que “ninguém garante isso”. E até pergunta: “quem pode dizer que Marcelo Deda é candidato a governador em 2006?” CONVERSA A questão dos entendimentos com os partidos que formam o bloco de oposição ao Governo está ficando complicada, dentro da própria coligação. Caso o prefeito Marcelo Deda passe a conversar com as bases partidárias, os presidentes vão ficar chateados e reclamam. PROBLEMA Nesse caso de entendimentos entre prefeito e presidente de partidos, as bases que não estão sendo ouvidas começam a abrir arestas dentro de uma composição comportada. Edvaldo Nogueira considera que os presidentes de cada legenda é que devem reunir as bases para explicar o que está acontecendo na culpa e ouvir opiniões. DISCUSSÕES Edvaldo Nogueira reconhece que as discussões para ser o candidato a vice na chapa de Marcelo Deda ainda vão ser acirradas, mas isso faz parte do processo. O próprio Edvaldo tem conversado com lideranças dos demais partidos, para que ele se mantenha na chapa que disputa a reeleição. ALMEIDA O senador José Almeida Lima (PDT) disse ontem que a deputada Susana Azevedo (PSB) “mora no meu coração” e não esconde que ela é um bom nome para a Prefeitura. Acrescenta que neste momento não está conversando com ela sobre a candidatura, porque ainda considera que não há nada definido. CANDIDATURAS Os dois pré-candidatos a prefeito pelo PMDB ainda não voltaram a conversar oficialmente com a Executiva do partido, desde quando lançaram os seus nomes. Dentro da legenda, o pessoal ficou surpreso com a posição nas pesquisas do empresário Walter Franco. Caso uma das candidaturas vingue, o PMDB terá chapa majoritária. VENÂNCIO O deputado estadual Venâncio Fonseca (PP) disse, ontem, que a Comissão de Ética é formada por parlamentares responsáveis, que não vai admitir misturar as coisas. Venâncio é relator da Comissão e avisou que a Segurança enviou ofício comunicando que enviará os documentos solicitados, dentro de mais alguns dias. GILMAR O deputado estadual Gilmar Carvalho (PV) tem condicionado a sua candidatura à Prefeitura de Aracaju, ao fim da Comissão de Ética. Ele acha que não pode disputar um mandato de prefeito com uma Comissão de Ética analisando atos praticados por ele como radialista. INSINUAÇÕES Outro membro da Comissão de Ética, que pediu para não ter o nome citado, acha que as insinuações sobre punição complicam o processo. Argumentou que até o momento ninguém falou sobre punição de qualquer tipo e a interpretação da cassação pode ser equivocada. Embora não possa ser descartada. FRANCISCO O advogado José Cláudio denunciou ontem que o tratamento que o ex-deputado Antônio Francisco vem recebendo no presídio é diferenciado. Segundo José Cláudio, ele está com assistência médica zero e os direitos constitucionais negados: “infelizmente continua com a saúde mal e felizmente está vivo”. MÉDICO José Cláudio diz que um médico particular só pode entrar no presídio para atender a Antônio Francisco se for acompanhado de um colega. O advogado diz que Sergipe é o único Estado que não mantém um médico no presídio e o detento para ser atendido tem que recorrer ao Hospital da Polícia Militar (HPM). Notas JACKSON Por determinação do ministro Joaquim Barbosa, foi arquivado o Inquérito (INQ 2096) contra o deputado federal Jackson Barreto de Lima (PTB/SE) e Alfredo Gentil Filho. Eles eram acusados pelo crime de peculato, que teriam cometido à época em que Jackson Barreto exercia o mandato de prefeito de Aracaju (SE). Jackson teria feito contrato com Alfredo, para prestar serviços de pavimentação na cidade. A Procuradoria Geral de Justiça denunciou que o preço do contrato teria sido pago à empresa, sem conclusão da obra. PRESCREVEU O ministro relatou que os fatos imputados aos denunciados datam de setembro de 1986 e, levando-se em conta que a pena máxima para o crime de peculato é de 12 anos, a pretensão punitiva deve prescrever em 16 anos, de acordo com o artigo 109 do Código Penal, m razão disso, o ministro arquivou o processo. Tendo em vista que o lapso temporal entre a data do fato e o dia de hoje (04/05/2004) é maior do que o previsto para a ocorrência da prescrição, o ministro decretou a extinção de punibilidade de Jackson e Alfredo. REELEIÇÃO O vereador Antônio Góis (PT) está pedindo o apoio de mais seis colegas, na Câmara Municipal, para que possa dar entrada, este ano, a um projeto de emenda à Lei Orgânica do Município, a fim de que não se permita, a partir da próxima legislatura, a reeleição para os membros da Mesa Diretora da Casa. Góis se mostra contra a reeleição, inclusive está indignado com as discussões para que as mesas da Câmara Federal e do Senado possam ter um novo período. Os presidentes podem ser reeleitos uma única vez. É fogo O Partido Liberal está apoiando, em Canindé do São Francisco, o candidato Paulo de Deus Barbosa (PH), ex-prefeito de Paulo Afonso (BA). O partido estava esperando apenas uma manifestação do prefeito de Poço Redondo, frei Enoque Salvador. Através de um trabalho de Antônio Carlos Sobrinho (PMDB), o Riachuelo está disputando a fase final do campeonato sergipano de futebol. Antônio Carlos sobrinho é candidato a prefeito daquela cidade e a sua participação nos esportes, principal na equipe da cidade, levanta a alto estima dos seus habitantes. O ex-governador Albano Franco (PSDB) se mantém em silêncio sobre sua atuação política, embora esteja conversando com lideranças da capital e interior. Albano Franco diz que tem conversado com o deputado Ulices Andrade e se informado da atuação do partido no Estado. O ex-secretário da Educação, Nilson Socorro (PSDB), está com o nome à disposição do partido para disputar uma vaga na Câmara Municipal. Os vereadores de Aracaju estão torcendo para que não haja mudança na legislação e, no mínimo, sejam mantidas as 21 vagas na Câmara Municipal. Existe a possibilidade de, ao invés de diminuir para 18 vagas, aumentar para 23 o número de vereadores no município. O presidente da Assembléia Legislativa, Antônio Passos, prestou homenagem à mulher como mãe. O deputado Francisco Gualberto (PT) está criticando empréstimos do BNDES para socorrer empresas de comunicação social. Assim como os fundos de investimentos, a caderneta de poupança também registrou fuga de recursos no mês passado. Por Diógenes Brayner brayner@infonet.com.br

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