CORRIDA CELESTIAL DOS POLÍTICOS

Diante da proximidade das eleições em 2006, há poucos dias, aproveitei um encontro casual com um político aposentado – daqueles que juram por Deus que penduraram as chuteiras – para trocar informações e ouvir alguns de seus pontos de vista sobre o próximo pleito. Foi, sem dúvida alguma, uma conversa pra lá de prazerosa. Primeiro porque esse experiente homem público conhece como ninguém o tema e fez questão de me apresentar uma análise equilibrada do atual quadro político, mesmo estando ele, em outras épocas, vinculado ao atual governador. Depois, por me fazer gargalhar ao contar histórias dos bastidores do poder, que somente quem viveu intensamente o dia-a-dia da política – como protagonista – poderia conhecer. O meu ilustre interlocutor não poupou ninguém. Teceu críticas, fez elogios, esmerou-se nas explicações dos mínimos detalhes, principalmente os mais sórdidos. Uma verdadeira aula de história, merecedora, quem sabe, de um livro de memórias no futuro.

Gostaria, no entanto, de dividir com o leitor apenas um simpático trecho de nossa conversa. O que mostra como são jocosamente chamados os parlamentos (Câmaras, Assembléias e o Congresso Nacional), no anedotário político.

A Câmara de Vereadores é conhecida como PURGATÓRIO, pois é na terrível vereança onde os políticos em início de carreira, por um “mísero” salário, se submetem ao insuportável assédio dos “eleitores”. Segundo eles, o que ganham é insuficiente para as suas reais necessidades. E se o prefeito for adversário, aí então… 

A Assembléia Legislativa e a Câmara dos Deputados se equivalem (com algumas vantagens para a Câmara), sendo consideradas o CÉU de todo político. Além de salários maiores, as duas Casas legislativas proporcionam um céu de vantagens para os seus ocupantes. Isso sem falar que os deputados estaduais contam ainda com as subvenções e os federais com as emendas ao Orçamento da União. O assédio popular é grande, mas não se compara ao purgatório municipal.

O Senado, por sua vez, é o PARAÍSO. São oito anos distante de tudo e de todos. Os senadores são verdadeiros notáveis. Não pela presença física, é claro, mas pelo vidão que levam em Brasília. Quotas de correios e telefone ilimitadas, carros com motorista, verbas de gabinete infladas, mansões funcionais no Plano Piloto, entre outras coisas. Só para ilustrar, o último levantamento da Folha de São Paulo, mostrou que o custo de um senador para o país alcançava a marca dos R$ 250 mil/mês ou a impressionante cifra de US$ 1,200,000.00 ano.

Conclusão de nosso interlocutor: na escala hierárquica da política não existe inferno. E, numa rápida análise, descobre-se que inferno só existe mesmo para a grande massa da população, obrigada a se virar com míseros R$ 300 por mês. E olhe lá!

Como você pôde perceber, a conversa foi hilária, porém proveitosa. A partir dela, ficou claro, claríssimo, porque tanta gente quer entrar nessa verdadeira corrida celestial em 2006.

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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