CORRUPÇÃO NÃO TEM PERDÃO

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não está bem. Percebe-se perfeitamente que o seu estado emocional está psicologicamente abalado. A impressão que ele passou na televisão foi que levou uma pancada na cabeça e está zonzo. Ou, então, está se recuperando de um porre daqueles que dá uma ressaca do tipo que o sujeito pensa que perdeu a cabeça. Certamente o presidente caiu na real depois da bordoada do publicitário Duda Mendonça, que denunciou um esquema criminoso de pagamento (a ele próprio) da campanha pessoal do presidente. Nos últimos 15 dias, o presidente Lula optou por retomar os contatos com a população e usou de um populismo caolho para fingir que nada estava acontecendo ao seu lado. Abraçou pessoas simples – coisa que não fazia desde quando subiu a rampa do Planalto – usou o analfabetismo da mãe, chorou em abundância e mandou o recado para os adversários: “eles vão ter que me engolir em 2006”. Era um presidente sem rumo!

 

O efeito Duda Mendonça o atordoou. Ontem, ele foi à televisão para um discurso ao povo brasileiro. O fez por insistência de alguns ministros, principalmente o da Justiça, Thomaz Bastos. Falou pouco, sem emoção – nem chorou! – e desmotivado. Um presidente sem credibilidade e força, cujo pedido de desculpas não convenceu, porque poucos ainda são os brasileiros que ainda duvidam que ele desconhecia esse processo de corrupção para a conquista de aliados, que o seu grupo patrocinou: “eu não tenho nenhuma vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos que pedir desculpas. O PT tem que pedir desculpas. O governo, onde errou, tem que pedir desculpas”. Atentem bem para o “onde errou”. Tem o tom da dúvida. É como se o presidente não reconhecesse o erro, porque sequer sabia aonde. Depois de dizer que fundou o PT e que sempre foi fiel aos ideais partidários, Lula da Silva confessou: “eu me sinto traído”. Tudo bem, cara pálida, mas traído por quem? Seria muito bom que dissesse nomes e causas da traição, porque quem quisesse saber do que o presidente estava falando tinha que se reportar a todo processo de crise que se alastrou no país.

 

O discurso do presidente não convenceu até mesmo ao seu aliado Cristovam Buarque (DF), que já anunciou que deixará o partido na segunda-feira. Cristovam esperava do presidente a declaração de que não disputaria o próximo pleito ou informasse que enviaria um projeto para acabar com o instituto da reeleição: “A partir de agora, ninguém mais aqui tem o direito de dizer que não sabe o que se deve fazer para resolver essa crise porque, a partir de agora, nós somos os líderes. O presidente não apontou os rumos em seu discurso”, afirmou Cristovam. Para a oposição, o pronunciamento de Lula da Silva foi “pífio, pouco corajoso” e sem firmeza. O PFL considerou que o presidente Lula se aproximou do fim de seu mandato com o discurso de ontem: “se ficar comprovado que houve crime eleitoral, teremos que chegar lá (no impeachment)”, disse o líder do PFL no Senado, José Agripino (RN).


É possível que a partir do depoimento do publicitário Duda Mendonça todo esse esquema de corrupção, que só o comandante Lula não sabia, várias pessoas acusadas e que têm certeza que serão punidas, vão abrir o jogo de uma vez. O ex-líder do PP, José Janene (SP), tem dito que não cairá sozinho: “levo o governo comigo”. Ontem, em entrevista divulgada à revista Época, o presidente do PL, Waldemar Costa Neto, que só renunciou ao mandato porque sabia que seria cassado, denunciou que recebeu R$ 6,5 milhões de um suposto caixa 2 da campanha à presidência do PT em 2002. Disse que o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva sabia dos acertos entre as legendas: “O Lula estava na sala ao lado. Ele sabia que estávamos negociando número”, afirmou Waldemar.

 

Apesar de insistir na inocência, o presidente Lula pode esperar que outros depoimentos bombásticos como o de Duda Mendonça surgirão. Possivelmente até dos corruptos e traidores que ele se recusou a dizer os nomes, mas que estão depondo nas CPI`s e, certamente, não vão levar essa culpa sozinhos.

 

DISCURSO

O prefeito Marcelo Déda (PT) acha que o presidente revelou coragem para enfrentar a crise e teve humildade para pedir desculpara ao povo brasileiro. Para Déda, Lula manteve o objetivo de combater os problemas denunciados e o desejo de que todos os envolvidos sejam submetidos às mais duras punições possíveis.

 

ALMEIDA

O senador José Almeida Lima (PSDB) disse que fará um discurso, segunda-feira, pedindo que o presidente Lula renuncie ao mandato. Segundo Almeida, “se Lula sabia das transações dá impeachment. Se não sabia é incapaz de se manter na presidência da República”.

 

BENEFICIADO

O senador Almeida Lima acha que pelo que “Duda Mendonça disse Lula foi beneficiado diretamente, porque os recursos foram para a campanha dele”. Acrescenta que o presidente Lula não poderia ficar sem saber o que estava acontecendo em sua campanha eleitoral, “principalmente em relação aos recursos”.

 

INDIGNADO

Um importante parlamentar aliado do presidente em Sergipe ouviu o discurso do presidente e acha que ele poderia ter sido mais contundente e citar nomes. O parlamentar, que é um cidadão coerente com as suas posições, se mostra perplexo com todo esse escândalo que envolve o Partido dos Trabalhadores.

 

PÚBLICO

PLENÁRIO ouviu por telefone 20 pessoas que confirmaram ter assistido a fala do presidente Lula pela televisão. Quinze deles consideraram que Lula não conseguiu convencer que não sabia do caixa-2 e mensalão. Três acaram que ele não tinha culpa e dois não quiseram se manifestar.

 

EXPLICAÇÃO

Antes do discurso do presidente, o prefeito Marcelo Déda defendia que o PT deveria dar uma explicação e considerou que José Dirceu e outros que geraram o problema precisavam deixar de mentir. Déda revelou que esse pessoal foi contra a contratação de Duda Mendonça, porque achava que a campanha não precisava de marketing, mas de conteúdo.

 

EXPECTATIVA

Marcelo Déda considerou que o momento é de grande expectativa e que precisa de bom senso suficiente para assegurar a governabilidade. Diz que não é hora de fazer demagogia: “nem a oposição e nem o governo”. Aconselhou que ninguém procure tirar vantagem eleitoral de uma crise como essa.

 

TUCANOS

O senador José Almeida Lima disse ontem que está conversando com os seus aliados e até amanhã toma uma posição definitiva em relação ao PSDB. Não quis antecipar nada, alegando que ainda espera uma posição de Brasília ainda hoje. Se não acontecer, amanhã dirá como vai ficar.

 

IMPACIENTE

Pessoas ligadas ao senador José Almeida Lima já está impaciente com essa situação de indecisão do PSDB em relação ao que prometera a ele. Acrescentou que não acredita que, num momento desses, a direção nacional vá intervir em algum diretório estadual.

 

CONVERSA

As conversas partidárias estão se aprofundando. O presidente do PSC, deputado Antônio Santos, pode aceitar passar o comando da legenda para um grupo forte. Antônio Passos chegou a viajar para tratar do assunto com a direção nacional. O grupo que quer o PSC deve eleger fácil um deputado federal.

 

ALBANO

O ex-governador Albano Franco (PSDB) não assistiu ao pronunciamento de Lula e evitou fazer comentários: “não sei os resultados dessa fala”, disse. Albano, entretanto, acha que todos devem encontrar um caminho para manter a governabilidade, entretanto sem deixar de punir os culpados.

 

HELENO

O deputado federal Heleno Silva (PL) disse que está se desenhando uma nova estrutura política no país e que não é momento de falar. Ele acha que o presidente Lula precisa ser mais contundente para convencer a população de que tudo foi feito sem o seu conhecimento.

 

SURPRESA

Estão ocorrendo conversas longas, nos bastidores, que podem modificar os rumos eleitorais no Estado no próximo ano. Apenas uma candidatura – desde que seja independente – pode mexer com todo o eleitorado, da capital e interior, e desmanchar convicções.

 

BARRETO

Flávia Santana envia e-mail e diz que ouviu uma conversa entre o advogado Pedrinho Barreto e dois prefeitos, quando almoçavam em uma churrascaria na orla. Os prefeitos sugeriram que Pedrinho fosse candidato a deputado estadual. Ele respondeu: “estou filiado, tenho vontade, mas falta apoio do meu líder maior: Albano Franco”.

 

 

Notas

 

PRIVILÉGIO

O presidente do TSE, ministro Carlos Velloso, é contra o foro privilegiado para políticos acusados de práticas ilícitas durante a campanha e o mandato eleitoral. “Sou muito pessimista a isso porque o STF não tem vocação para julgar ações penais originárias. A competência de julgar ação penal é do juiz de primeiro grau”, explicou. Segundo o ministro Carlos Velloso, “esses foros privilegiados que são transportados para as cortes superiores são resquícios do Império, não são condizentes com os princípios republicanos”.

 

DELITOS

O presidente do TSE informou que na próxima semana terá início o trabalho da comissão de notáveis juristas e técnicos de administração que irá atualizar os delitos eleitorais inscritos no Código Eleitoral. A expectativa de Carlos Velloso é que até o fim de agosto a comissão conclua sua missão. O ministro também defendeu uma revisão no sistema de financiamento das campanhas eleitorais. “Sou favorável à participação do poder publico no financiamento, mas não com dinheiro vivo e sim com incentivos fiscais”, observou.

 

TELEVISÃO

O ministro Carlos Velloso considera que o horário eleitoral no rádio e na televisão é gratuito para os partidos e os candidatos, mas não é para a União. Velloso entende que se os incentivos fossem estendidos ao doador, ele passaria a ter interesse em declarar no imposto de renda o quanto doou. “Além disso, esse tipo de financiamento público de campanha restabeleceria de certa forma o equilíbrio entre os candidatos”, concluiu. Ontem mesmo o ministro constituiu a comissão para rever os delitos eleitorais.

 

 

É Fogo

 

A psiquiatra Norma Alves de Oliveira lançou, quinta-feira, o seu livro “Psicanálise Transpessoal – e Terapias de Vivências Passadas”. Aconteceu na Associação Médica.

 

A Câmara Municipal lançou ontem, em café da manhã, o programa de televisão “Câmara em Ação” e a revista semestral “Poder Legislativo”.

 

O deputado Luiz Garibalde não viajou para acompanhar o debate entre o governador João Alves e o ministro Ciro Gomes, sobre a transposição do rio São Francisco.

 

Há uma intensa movimentação de políticos em relação às questões partidárias. Todos querem se acomodar na legenda de melhor quociente eleitoral.

 

Os lojistas satisfeitos com o aumento do percentual de vendas para os dias dos pais, neste domingo.

 

Alguns prefeitos vão tomar posições diferentes do comando dos seus partidos. Aguardam apenas a hora.

 

Essas mudanças vão provocar uma certa confusão entre lideranças políticas e desanimar alguns candidatos em 2006.

 

Segundo uma fonte de Brasília, o governador Albano Franco (PSDB) já teria decidido disputar uma vaga na Câmara Federal.

 

O pessoal do PT conta como certa a candidatura de José Eduardo Dutra ao Senado Federal e Albano não pretende entrar nessa disputa.

 

Caso seja aprovado na Câmara Federal, o Planalto já está preparado para vetar o Salário Mínimo de R$ 384,29, aprovado no Senado.

 

O Brasil é campeão em consumidores com problemas para pagar suas prestações dentro do prazo de vencimento.

 

As passagens de ônibus interestaduais e internacionais cujo percurso não ultrapassa 75 km ficarão 11,9% mais caras a partir de hoje.

 

brayner@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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