Criatividade e inovação: apenas uma onda?

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CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO: apenas uma onda?(*)

 

“Criatividade Imperativa”, este foi o tema discutido na 36a. Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial realizado de 25 a 29/01/2006 em Davos, Suíça. Segundo os líderes mundiais presentes é impossível se resolver os problemas econômicos da atualidade se os líderes não começarem a usar a criatividade para encontrar soluções viáveis para esses problemas.[1]

 

O meu primeiro contato “oficial” com a criatividade aconteceu em 1995.Treze anos se passaram, o mundo se globalizou e – ainda hoje – muita gente não sabe o que seja a criatividade e, erradamente, acredita que trata-se de uma competência ligada apenas às artes.

É bem verdade que naquela ocasião eu não sabia o que era criatividade, para que servia e muito menos tinha a informação de que essa fantástica habilidade pode ser desenvolvida e que todos nós somos criativos.

Todavia, a nossa educação bastante formal, aos poucos vai cobrindo a nossa criatividade e vamos gradativamente nos tornando “soldadinhos” que pensam de forma muito parecida, que enxergam as mesmas coisas e que, na maioria das vezes, tem medo de expressar as suas idéias, pensamentos ou sentimentos para não ser deixado de lado.

Depois que tive a oportunidade de iniciar o resgate da minha criatividade percebi o quanto isto ajudou e transformou a minha vida (para melhor) e ao mesmo tempo quantas pessoas que conheço transformaram as suas vidas após – também terem investido no resgate e desenvolvimento da sua criatividade.

No entanto, vale a pena ressaltar que não foi nada mágico, milagroso ou um coisa do outro mundo. O que se percebe é que quando desenvolvemos o nosso pensamento criativo começamos a enxergar as coisas de várias maneiras, de vários ângulos e de várias formas. Portanto, isso permite com que possamos enxergar coisas que não enxergavamos antes e, na maioria das vezes fazer grandes gransformações em tudo aquilo que nos afeta naquele momento.

Assim sendo, durante muitos anos trabalho ajudando às pessoas a resgatarem o seu pensamento criativo e, ao longo desse período, pude constatatar muitas transformações pessoais, profissionais e organizacionais.

Embora percebendo essas grandes transformações naqueles indivíduos que sentiam e necessidade de desenvolver o seu pensamento criativo, de um modo geral não constatei, nem tampouco constato ainda hoje um trabalho eficaz para procurar desenvolver a criatividade em sala de aula. Na maioria das vezes o que constato é que os professores estão incentivando os seus alunos a copiarem os mesmos modelos do passado, modelos estes que dificultaram bastante o progresso educacional.

Todavia, parece que o primeira grande avanço aconteceu em 2006, quando por ocasião da cerimônia de encerramento do Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, Suiça, os líderes alí presentes conclamaram a necessidade de de desenvolver a criatividade dos indivíduos para que seja possível se encontrar soluções para os problemas seculares que aflingem a humanidade.

 

O 36o. Encontro Anual do Fórum Econômico Mundial realizado em Davos, Suíça, foi aberto com uma chamada para líderes, economistas, políticos e a sociedade civil sobre a importância da criatividade para se encontrar novas respostas para os problemas mundiais.

“A criatividade é necessária para encontrar novas ferramentas e soluções que ajudarão a dissolver as nuvens escuras como do desequilíbrio global, concorda Mukesk Ambani, Executivo e Diretor, Reliance Industries, Índia e Co-Executivo do Encontro Anual de 2006”.O mundo tem chances reais se conseguirmos formar uma parceria global para banir a pobreza e nós precisamos de soluções criativas. O que nos estamos fazendo quando vamos para o Encontro Anual é provocar um diálogo entre diferentes constituintes para formar uma parceria para criar um mundo mais “equilibrado”, diz ele.

“As hipóteses, ferramentas e conjecturas que os líderes vêm usando para tomar decisões na última década passada parecem ser inadequadas. Portanto, é imperativo que os líderes, em todos os cenários da vida, desenvolverem novas capacidades se esperam ser bem sucedidos e se manterem relevantes”, disse o Prof. Klaus Schwab, Fundador e Principal Executivo do Fórum Econômico Mundial.

 

Para saber mais:

 

The Creative Imperative

25-29 January, Davos, Switzerland

https://.weforum.org/site/homepublic.nsf/Content/Annual+Meeting+2006 – 34

 

 

A partir desse encontro grandes centros de desenvolvimento de pessoas ligados às empresas começaram a entender que, se suas empresas quisessem sobreviver e prosperar era necessário entender realmente de que se trata a criatividade e começaram a buscar ajuda nos mais diferentes locais do mundo.

O pensamento criativo nada mais é do que a capacidade que um indivíduo tem de poder organizar a qualidade do seu pensamento, de aprender, buscar e, finalmente, encontrar soluções diferenciadas para cada problema do dia a dia.

Esse novo tempo acontece, à medida que cada uma começa a provocar com que a cultura da sua escola, faculdade, organização pública ou privada comece verdadeiramente a utilizar no seu dia a dia o pensamento criativo estratégico.

Até alguns anos atrás isso era uma questão de escolhas, agora, tudo mudou, é uma questão de sobrevivência e pela importância dada à criatividade e à inovação a Comunidade Econômica Européia estuda declarar 2009 o Ano da Criatividade e da Inovação. Os motivos estão condensados a seguir.

 

 

Comissão propõe 2009 para se tornar Ano Europeu da criatividade e da inovação

 

A Europa precisa desenvolver competências essenciais como criatividade e inovação por razões sociais e econômicas. É por isso que a Comissão adotou hoje uma proposta de declarar 2009 o Ano Europeu da Criatividade e da Inovação. A decisão será tomada ainda este ano pelo Conselho e pelo Parlamento Europeu.

O mundo moderno coloca a ênfase na melhor utilização do conhecimento e da inovação rápida. É por isso requer um alargamento das competências criativas base envolvendo toda a população. Em particular, há uma necessidade de aptidões e competências que permitam que as pessoas a aceitar a mudança como uma oportunidade e de estarem abertas às novas idéias em um mundo culturalmente diverso e em uma sociedade baseada no conhecimento. A educação e a formação são fatores determinantes no presente.

Ján Figel, Comissário responsável pela Educação, Formação, Cultura e Juventude, acredita que o Ano é “uma forma eficaz de ajudar a enfrentar desafios a sensibilização do público, divulgando informações sobre as boas práticas, estimular o ensino e a investigação, a criatividade e a inovação, bem como a promoção da política discussão e mudança. Ao combinar ações a nível comunitário, nacional, regional e local, que pode gerar sinergias e contribuir para centrar o debate político sobre questões específicas. ”

A Comissão não propõe um orçamento específico que deve ser atribuída para o Ano, argumentando que ela pode ser organizada através de programas comunitários existentes e previstas as despesas administrativas. A fim de envolver todos aqueles que possam estar interessados, a Comissão convida os Estados membros a nomear coordenadores nacionais que podem cooperar através de um pequeno grupo de coordenação a nível da UE.
As atividades do Ano Europeu deverão concentrar-se em criar um ambiente favorável à criatividade e à inovação e tornar-se um forte impulso para uma política a longo prazo prioridade. A ênfase deve ser colocada por exemplo sobre a educação em toda uma vasta gama de assuntos, incluindo matemática, ciências e de informação e de outras tecnologias. Destacando criatividade através dessas habilidades deve promover a resolução de problemas ea aplicação prática dos conhecimentos e idéias. Todas as formas de inovação, incluindo a inovação empresarial e social devem ser tidos em conta.

Criação artística e de novas abordagens no campo da cultura também deve receber a atenção devida, como importante meio de comunicação entre as pessoas na Europa e no follow-up para o curso Ano Europeu do Diálogo Intercultural (2008).

O Ano Europeu da Inovação e Criatividade é proposta como uma iniciativa transversal que abrange não só da educação e da cultura, mas também outros domínios, tais como empresas, meios de comunicação social, investigação, social e política regional e de desenvolvimento rural. Ele deve incluir informações e campanhas de sensibilização, promoção das boas práticas, debates, reuniões, conferências e promover uma ampla variedade de projetos a nível regional, nacional e europeu.

 

 

Portanto, não resta a menor dúvida sobre a criatividade como uma notável ferramenta de transformação pessoal e organizacional.

O Encontro do Fórum Econômico Mundial de Davos em 2006 e a preparação da União Européia aponta para a necessidade global de se trabalhar inicialmente com o desenvolvimento do pensamento criativo (criatividade) para que os desejados frutos da inovação possam ser efetivamente colhidos. Até alguns anos atrás isso era uma questão de escolhas, agora, tudo mudou, é uma questão de sobrevivência.

 

 

(*) Fernando Viana

Fundação Brasil Criativo/Aracaju/SE

 

                           



[1] Os textos apresentados nesse artigo são provenientes da Cerimônia deEncerramento da 36a. Reunião do Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, Suíça, janeiro/2006.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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