CRISE VERBAL

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A assessoria do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não pode deixá-lo tão solto em seus discursos de improviso. O desarranjo verbal que o presidente cometeu quinta-feira passada, no Espírito Santo, é bem característico da falta de habilidade, de um mínimo de condições para mensurar a dimensão de suas palavras. Os improvisos de Lula têm que ser “por escrito”, para que ele não cometa erros primários e não leve ao ridículo a sua própria condição de presidente de uma nação em desenvolvimento. Claro que ninguém fala em preconceito sobre a necessidade de diploma para se chegar a presidente da República, mas a experiência, a elegância nas palavras, os gestos ponderados e a avaliação do que se está pronunciando, faz parte da liturgia do cargo. Lógico que ninguém está isento de erros e equívocos, mas o presidente da República não pode provocar um início de crise institucional, só porque não tem o poder de medir as palavras.

 

Não apenas isso: não consegue avaliar o que é certo ou errado em suas denuncias. Claro que foi um momento infeliz, que se tornou em gravidade. Confessar que determinou a um dos seus principais auxiliares que escondesse um amontoado de corrupção, capaz de levar à falência um órgão do tamanho do BNDES, é um ato de conivência, um crime de prevaricação, que não se pode imaginar para um presidente da República. Embora os aliados do Governo tenham interpretado o desatino como exemplo de que o presidente evitou retaliações para não provocar uma crise política, não há justificativa para se esconder um ato de corrupção lesivo à pátria. A boa intenção do presidente passou a ser dúvida, porque ele tinha obrigação de adotar providências imediatas, para que o país tomasse consciência do que estava acontecendo. Além disso, não poderia hesitar em abrir um processo administrativo, identificar os culpados e coloca-los para responder pelo crime que praticaram.

 

O senador José Almeida Lima (PSDB), vice-líder do partido no Senado, levantou um fato que pode e deve ser analisado. Se o presidente Lula faz declarações públicas de que escondeu denuncia de corrupção de um dos seus adversários, imagina a ordem que dará a atos desonestos praticados por correligionários? Citou, como exemplo, o caso do Waldomiro, que terminou por envolver o ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, já que se tratava de homem de sua maior confiança, e tudo foi parar num processo que caminha para o arquivamento, sem que o seu auxiliar sofresse uma única advertência. Está cada vez mais claro que o presidente Lula da Silva não tem condições de se soltar em improvisos, porque a cada abrir de boca pode cometer uma aberração verbal que termina por provocar um vexame político no país e oferecer à oposição condições de fazer um bom palanque.

 

É verdade que o presidente Lula fez uma produção em seu visual e estudou gestos bem pausados, que passam a impressão que está dizendo frases bem elaboradas e com o cuidado de quem trata com cristais. O marketing conseguiu essa proeza. Entretanto, não há Duda Mendonça que ensine bons sentidos às palavras, porque elas fluem da cabeça do presidente, como se ele estivesse em um movimento sindical no ABC paulista, onde não precisava lapidar frases para dar-lhes sentido. A assessoria do presidente tem cometido o erro – talvez um simples deslize – porque está se descuidando de orienta-lo nos discursos de improviso, para que fatos como o de quinta-feira passada não aconteçam mais de uma vez. Lula é homem habituado a discursos mais soltos, principalmente aqueles que mexem com as multidões, mas ainda não tem consciência da responsabilidade verbal de um presidente, o que o faz cometer esse tipo de irresponsabilidade, quando formula uma denuncia sem dar nomes, sem apurá-la, além de confessar que foi conivente com o ato.

 

É verdade que isso não dará em nada, mas a cada deslize do tipo, fica a marca da inconveniência e do despreparo. Insiste-se: os “improvisos” de Lula têm que ser bem “escritos” com antecedência.

 

MINISTRO

Uma notícia que chega de Brasília: o ministro STF, Marcos Veloso, aposenta-se no próximo ano, abrindo uma vaga na mais cobiçada corte do país.

O prefeito Aracaju, Marcelo Déda (PT), que é advogado, já teve o seu nome lembrado por alguns segmentos em Brasília.

 

ALMOÇO

Durante um almoço com amigos, o prefeito Marcelo Déda (PT) declarou que seria candidato ao Governo do Estado em 2006.

Confidenciou que um grupo do partido prefere que ele seja candidato ao Senado, mas que ele já definiu em disputar a sucessão estadual.

 

VEREADORES

Um advogado que atua no Supremo disse que dificilmente será derrubada a Resolução do TSE, que reduz o número de vereadores nos municípios.

Lembrou que não fere a constituição porque se trata de um ato do judiciário. A questão da validade um ano depois é quando se trata de projeto do legislativo. 

 

JACKSON

O deputado federal Jackson Barreto (PTB) já esteve com o marqueteiro Duda Mendonça, para que ele faça a sua campanha à reeleição de 2006.

Pediu também que elabore projeto para o presidente da Petrobrás, José Eduardo Dutra (PT), que será candidato ao Senado, no próximo ano, pelo grupo da oposição.

 

PREFEITOS

Segunda um membro da coligação que apóia Marcelo Déda, o deputado federal Jackson Barreto está muito afinado com o presidente da Petrobrás, José Eduardo Dutra.

Através dele tem conseguido muita ajuda para prefeituras do interior sergipano. Jackson defende que o PTB indique o vice de Marcelo Déda na disputa pelo Governo.

 

CONVERSA

A conversa entre membros do Partido Liberal (PL) e o PMDB tem o sentido de unir força para procurar um espaço dentro da composição de oposição.

Caso a legenda resolva partir para um apoio a Marcelo Déda, o pessoal já está se preparando para isso, porque considera que o trabalho para a sucessão já começou.

 

EFEITO

O PMDB hoje teme que aconteça o chamado “efeito Pedrinho” nas eleições de 2006. Caso haja a verticalização e Garotinho (PMDB) seja candidato a presidente da República.

Isso pode prejudicar a reeleição de Jorge Alberto (PMDB), como aconteceu com Pedrinho Valadares, que obteve mais de 80 mil votos e não foi reeleito.

 

LIBERAL

O deputado Heleno Silva (PL) disse que o partido continua firme em busca de um espaço dentro da composição política e garante que não será mais um coadjuvante desse processo sucessório.

Heleno Silva lembra que deputado federal o Partido Liberal já tem sem problemas e a tendência é avançar para uma vaga no Senado.

 

COMPOSIÇÕES

Numa conversa com o senador Valadares (PSB), o deputado Heleno Silva alertou que se alguém quiser fazer imposições, nenhuma coligação vai dar certo.

Nesse dia Heleno foi informado que o ex-governador Albano Franco (PSDB) será candidato ao Senado nas próximas eleições.

 

REUNIÃO

A reunião do PSDB, sábado, foi considerada tranqüila e as lideranças do interior cobraram maior atenção da atual direção do partido.

A proposta é afinar o discurso, porque nas eleições de 2002 a legenda saiu divida. Para 2006 o pessoal quer que Albano Franco seja o candidato a governador do Estado.

 

DISCURSO

O ex-governador Albano Franco também discursou, falando pouco sobre posições políticas, mas conclamou a união de todos para o fortalecimento do partido.

Insistiu que não vetou ninguém para filiar-se ao PSDB e deixou claro que aceita a vinda do senador José Almeida Lima para se somar ao projeto de crescimento da legenda.

 

POSIÇÃO

As lideranças interioranas estavam curiosas para saber como ficaria o PSDB, que está atravessando um momento de disputa.

Foi explicado que está havendo contatos com setores da Direção Nacional e só a partir deste mês é que tudo ficará definido. Até o momento ninguém tem certeza de como será.

 

GALANTEIO

A notícia seria melhor divulgada em uma boa coluna social: um galante prefeito de uma grande cidade do interior está conquistando as mulheres do seu gabinete e adjacências.

Uma delas, casada, deixou o marido e o romance não continuou. O pai do prefeito providenciou a ida da mulher para o Rio de Janeiro. Em tempo: O prefeito é casado.

 

Notas

 

COBRANÇA

As declarações do presidente Lula, feitas quinta-feira no Espírito Santo indignaram o senador Almeida Lima (PSDB), que cobrou explicações do governo. Lula disse que impediu a divulgação de casos de corrupção nos processo de privatização, ocorridos durante a gestão do ex-presidente FHC.

Segundo o senador, é preciso que se explique se o presidente “mentiu ou prevaricou”. Almeida acha que “não há terceira opção. Ou ele mentiu, ou cometeu prevaricação. E isto é improbidade administrativa”, definiu.

 

PREOCUPA

Almeida Lima disse que o fato da declaração partir do presidente da República é preocupante. “O que se pode, daqui por diante, exigir do cidadão comum deste país, se as providências legais não forem tomadas? Quantas vezes não se exigem comportamentos exemplares de pessoas públicas?”

O senador ponderou ainda que a prática de delitos e o aumento da criminalidade não teriam como principal causa a pobreza e o desemprego, mas sim “a deterioração moral da sociedade, o esgarçamento do tecido social”.

 

INSTRUÇÄO

Almeida Lima disse que “com  presidente o que houve não foi falta de instrução, muito menos de formação intelectual, não foi destempero verbal, embora todos nós acompanhemos diariamente o comportamento do presidente. A meu ver a questão envolve a formação moral. Aliás, a deformação moral”

“Se no caso referente ao governo passado, ele determinou ao subordinado que se calasse. E quando a corrupção foi neste governo? O caso Waldomiro, que trabalhava no Planalto, o que o presidente terá determinado?”, questionou.

 

 

É fogo

 

O ex-governador Albano Franco (PSDB) visitou o ex-deputado Raimundo Vieira (Mundinho), que se submeteu a uma cirurgia para retirada de um aneurisma.

 

Albano Franco e Mundinho estavam sem se falar por um bom tempo, por ressentimentos políticos.

 

O senador Valadares foi a São Paulo, acompanhando o filho, que faz um tratamento para retirada de pedras dos rins.

 

O deputado estadual Fabiano Oliveira (PTB) fez uma visita ao prefeito de Campo do Brito, conhecido por Main.

 

O secretário das Finanças, Nilson Lima, está preparado para disputar as eleições do próximo ano. É candidato a deputado federal.

 

O governador João Alves Filho (PFL) vai começar a conversar com lideranças do interior a partir deste mês.

 

O deputado federal João Fontes (PDT) já está com tudo preparado para o lançamento do novo comando do seu partido em Sergipe.

 

João Fontes vai trazer o presidente nacional do partido, parte da bancada federal e muitos colegas que atuam em Brasília.

 

Em janeiro, os bancos elevaram em 0,6 ponto percentual a taxa média de juros cobrada sobre cheque especial para pessoa física.

 

O Serasa registrou redução no volume de falências decretadas em janeiro deste ano, em comparação ao mesmo mês do ano passado.

 

A Usina Nuclear de Angra-2 está desligada desde o último dia 19 por continuar apresentando alta umidade no gerador elétrico.

 

A Petrobrás informou que em 2004 teve um lucro líquido recorde de 17,861 bilhões de reais, que superou em 0,37% o lucro de 2003.

 

brayner@infonet.com.br

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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