DEBATE RÍGIDO

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É possível que os eleitores dos cinco candidatos esperem de qualquer analista que julgue o nome de sua preferência como o que ganhou o debate. Quem assistiu a esse confronto deve ter percebido que as regras não permitiram que os cinco disputantes ao governo do estado pudessem ampliar suas idéias e projetos. Com absoluta certeza, ninguém mudou de candidato e os indecisos permanecem como estão. Não seria possível, em apenas dois minutos, qualquer um deles responder satisfatoriamente a perguntas de adversários, que geralmente são feitas para encostar o opositor na parede. E em apenas um minuto quem perguntou foi à réplica. Tempo curto para qualquer esclarecimento. Durante o debate não foi permitido exibir documentos e panfletos ou fazer acusações pessoais, o que foi absolutamente correto.

As perguntas e respostas foram óbvias.Todas elas já tinham sido feitas e respondidas durante os programas eleitorais, assim como projetos e programas de governo. Não houve grandes novidades em termos de posições, porque o eleitor já conhecia muito bem o que pensavam e defendiam todos eles. Percebeu-se claramente que os dois candidatos que polarizam a campanha – João Alves Filho e Marcelo Déda – estavam cansados. No limite máximo de suas condições físicas, em razão do trabalho que tiveram para conquistar votos. Os dois não tiveram chances de se perguntar. Em apenas uma única vez, sobre o tema Saúde, Marcelo Déda fez uma indagação a João Alves. Nada do que já se viu e ouviu nos programas diários.

Os três outros candidatos – João Fontes (PDT), Adelson Alves (PSDC) e Toeta (PSTU) – miraram suas respostas em João Alves e Marcelo Déda, com o objetivo de reduzir a força eleitoral que os dois demonstram na capital e interior. Foi um debate sereno, relativamente respeitoso e educado, mesmo que o candidato do PT tivesse cinco direito de resposta, por se sentir ofendido, enquanto João Alves Filho requereu apenas dois, um deles negado. Não houve momentos de emoção, nenhum fato novo foi criado e o debate chegou ao seu fim com os candidatos pedindo voto aos eleitores. Um dos temas mais polêmicos de todos os programas eleitorais praticamente não esteve em discussão: a transposição do rio São Francisco. Apenas nas considerações finais o governador João Alves Filho tocou no assunto, mantendo a sua disposição de continuar lutando contra o projeto do governo federal, que pretende levar água do Velho Chico para o Nordeste Setentrional.

João Alves e Marcelo Déda tiveram dois momentos em que, indiretamente, atingiram aliados: o primeiro, quando disse que já encontrou o problema do Funaserp e Marcelo Déda ironizou: “o senhor está deixando com raiva o seu aliado Albano Franco”. E o segundo, quando lembrou que no passado o deputado federal João Fontes antigamente era aliado a grupos conservadores e pertencia ao Partido Liberal. Fontes realmente era próximo do então governador Antônio Carlos Valadares, hoje aliado e conselheiro de Marcelo Déda.

Se algum deles se destacou e pode até ter ganhado alguns votos, foi o candidato do PDT, João Fontes, pela contundência com que atacou o ex-prefeito Marcelo Déda, o partido dos trabalhadores e o governador João Alves Filho. Bateu firme na questão da corrupção, o que indiretamente atingia ao candidato petista, e também criticou a saúde e a segurança no atual governo. João Fontes aproveitou uma pergunta de Déda, que pretendia resvalar em João Alves, e ficou incomodado ao ouvir que de “Albano Franco quem entende são vocês dois (João e Déda)” e lembrou que os ambos disputaram o “amor” de Albano, “tanto que o pessoal ligado a Déda foi almoçar na casa de Albano, que revelou para amigos: esses meninos do PT comem demais”. 

Realmente João Fontes, enfim, teve as suas duas horas que tanto precisava para falar o que queria. Na opinião de pelo menos seis pessoas ouvidas, foi quem quebrou a monotonia do debate. O encontro aconteceu sob a proteção de São Jorge, posto à mesa pelo candidato do PSDC, Adelson Alves.

 

 

CALADOS

A jornalista Dora Kramer, em seu comentário no “Estadão” diz que “o PMDB entra mudo e sai calado do debate eleitoral, notadamente da discussão em torno do dossiê Vedoin.
Segundo Dora Kramer, “as exceções, os senadores Almeida Lima e Pedro Simon, apenas ressaltam a confirmação da regra do silêncio”.

 

PROBLEMA

A notícia chega da Prefeitura: “quando Rogério Carvalho deixou a Saúde, todo o esquema na Secretaria foi montado para votar nele a deputado estadual”.

A mesma fonte segue: “agora o esquema da Saúde mudou e tudo passou a ser montado para que os votos sejam para a vereadora Tânia Soares.

 

FONTES

Ontem à tarde, o candidato a governador pelo PDT, deputado federal João Fontes, disse que o debate seria muito rígido e que não teria a finalidade que desejava os candidatos.

Adiantou que declarações de fatos de conhecimento público dariam direito de resposta. “O objetivo é evitar confrontos e debate não é isso”.

 

RESPOSTA

A TV-Sergipe mudou ontem pela manhã as regras do debate: “não permitiu que se falasse sobre a administração e dos partidos, porque dará direito de resposta”.

João Fontes disse que antigamente o direito de resposta só acontecia quando havia ofensas pessoais, “o que estava certo, mas não se impedia nada em relação aos partidos”.

 

ADVOGADOS

Segundo o candidato João Fontes, dois advogados foram colocados pelo TV-Sergipe para tratar das normas para o debate.

Fontes disse que os candidatos não sabiam quem eram os dois advogados e porque eles modificaram as regras anteriores.

 

IMPORTANTE

A Rede Globo considera que o debate pode mudar a opinião de eleitores ou orientar os indecisos para escolha do melhor candidato.

A maioria dos candidatos não pensa assim, em razão da exigüidade de tempo para apresentar projeto e rebater as críticas.

 

HILDEGARDS-1

O presidente do Tribunal de Contas, conselheiro Hildegards Azevedo, vai permanecer na função até às vésperas de completar 71 anos.

O desembargador Pascoal Nabuco atendeu ação impetrada pelo advogado do conselho e concedeu liminar para que ele só se afaste do cargo próximo a completar 70 anos.

 

HILDEGARDS-2
A Constituição Federal, no artigo que fala de aposentadoria compulsória, se refere aos 70 anos, idade que só é concluída ao completar 71 anos.

Essa tese foi sustentada no compêndio do jurista Sérgio Monte Alegre e acatada pelo desembargador Pascoal Nabuco.

POLÍCIA
Por solicitação da Procuradoria Regional Eleitoral, a Polícia Federal acompanhou o show do Chiclete com Banana, realizado segunda-feira na Barra dos Coqueiros.

A Procuradoria recebeu denúncias de que o show, promovido pela FM Ilha, teria caráter eleitoral. A Polícia Federal filmou o evento.

 

AVALIAÇÃO

Segundo avaliação de um candidato a deputado estadual, o candidato do PT, Marcelo Déda, ganha bem em Tobias Barreto. O município deu a maior votação a João Alves em 2002.

Segundo a mesma fonte, “em compensação, o governador João Alves Filho ganha com folga em Itabaiana”.

 

É BRINCADEIRA

Parece brincadeira mas é verdade: o juiz Francisco Novaes pode ir a novo júri, porque o anterior teve troca de números.

Novaes tem privilégios que a sociedade não deixa de assistir envergonhada. É lamentável que o corporativismo cause tanto mal.

 

MULHERES

No Brasil, quase 20 mil pessoas disputam as eleições que se realizam no próximo domingo, mas apenas 13,95% são mulheres.

Sergipe é o estado em que há mais mulheres concorrendo a uma vaga na Câmara dos Deputados (24,53%). Em segundo lugar vem o Tocantins com 21,69%.

 

DENUNCIA
O assessor de comunicação, Genilson Máximo denuncia que o ex-prefeito José Nelson, candidato a deputado estadual, invadiu a prefeitura para agredi-lo.

Portando nas mãos um cinto de couro, José Nelson gritava: “hoje eu bato naquele safado, moleque e puxa-saco”. Genilson prestou queixa à Delegacia Regional.

 

 

Notas

 

FÁBIO-1

O radialista Fábio Henrique enviou e-mail. Disse que tem sido questionado sobre os reais motivos do seu afastamento da rádio Atalaia e se ele retorna ou não à emissora: “tenho respondido que nunca houve qualquer problema entre eu e o empresário Walter Franco. Aliás tenho muito respeito por ele”.

Fábio Henrique lembrou que Walter é um homem que sempre foi conhecido pela sua posição firme em favor da democracia e das liberdades: “ele foi o primeiro sergipanos a defender as Diretas Já em Sergipe”.

 

FABIO-2

No e-mail, o vereador Fábio Henrique lembra que “dos meus 15 anos de rádio, 13 foram no sistema Atalaia, sem nunca ter causado qualquer tipo problema. Estou fora do ar, pois preciso me dedicar a campanha dos meus candidatos”. Fábio está engajado no “Movimento Muda Sergipe 13, em favor de Déda.

Conclui dizendo da convicção que “voltarei ao rádio, porque não cometi nenhum crime pra ser condenado ao ostracismo, de preferência na Atalaia, pois todos em Sergipe conhecem meu trabalho como radialista”.

 

REFORMA

Os recentes escândalos do mensalão e das fraudes com recursos de emendas parlamentares para compra de ambulâncias superfaturadas trouxeram de volta na Câmara Federal as discussões sobre o Projeto de Lei 2679/03, da Comissão Especial de Reforma Política. O pessoal quer urgência na votação da matéria.

Pontos polêmicos da proposta, como a redução da cláusula de barreira, o financiamento público de campanhas e a fidelidade partidária, devem mobilizar as discussões na Câmara dos Deputados até o final do ano.

 

 

É fogo

 

O radialista e vereador Fábio Henrique está animado com o trabalho que vem realizando a favor da campanha de Marcelo Déda (PT) a governador do estado.

 

Fábio Henrique está liderando o movimento “Muda Sergipe-13” e mostra que os adesivos redondos que estão nos carros, foram colocados pelo movimento.

 

Todos os candidatos suspenderam suas atividades de campanha ontem, para cuidar exclusivamente do debate que aconteceu à noite na TV-Sergipe.

 

A jornalista Rita Oliveira submeteu-se a uma cirurgia no cotovelo e vai passar alguns dias afastada para recuperação.

 

Hoje será o último programa eleitoral dos candidatos a governador. Geralmente a despedida é de confraternização com os proporcionais.

 

Todos os municípios que integram a região ribeirinha, inclusive no alto sertão, assistiram ao tape do presidente Lula falando da transposição em Aracaju e em Natal.

 

Até sexta-feira os candidatos majoritários e proporcionais podem usar carro de som pelas ruas das cidades.

 

O candidato a deputado estadual Nelson Araújo (PMDB) está animado com os telefonemas e pedido de santinhos. Acha que terá um bom percentual de votos.

 

A deputada Susana Azevedo, candidata à reeleição, já visitou todos os municípios e tem tudo para retornar à Assembléia Legislativa.

 

Os próximos três dias que antecedem o pleito serão muito movimentados, principalmente durante a noite.

 

brayner@infonet.com.br

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