Déda estava insatisfeito com SSP e Secom

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Finalmente Marcelo Déda reconheceu que setores do seu governo não funcionavam. A reforma administrativa anunciada na sexta-feira é a confissão disso. É o reconhecimento de que áreas estratégicas do Estado, como a Segurança Pública e a Comunicação Social, principalmente, não atendem às expectativas dele, nem do governo e, muito menos, da população sergipana. E de que falta gestão.

 

Veja o caso da SSP. A pasta é problemática por natureza, trata com corporações policiais — cada vez mais politizadas e com interesses cada vez mais difusos — e com profissionais que, em situações extremas, acham que podem decidir entre deixar alguém viver ou morrer. Mas vem recebendo investimentos maciços do governo, em volume de dinheiro nunca visto antes, e isso deveria garantir a tranquilidade necessária para a realização do trabalho. Mas não foi o que aconteceu, porque faltou pulso. Faltou o comandante que desse as ordens sabendo que elas seriam obedecidas.

 

O delegado federal Kércio Silva Pinto, ex-secretário da Segurança Pública, é um profissional sério, honesto como poucos que tenham passado por aquela cadeira de espaldar alto e de rodinhas escorregadias, conhecido pela astúcia de investigador, mas lhe faltou autoridade. Desde que se envolveu com questões outras senão as meramente profissionais e que, nos últimos meses, deixou de sorrir, viu-se que estava fadado ao fracasso. Na sua gestão, modernizou-se a estrutura física da SSP, dotada agora até de um sistema de câmeras tipo big brother, de sigla estranha, Ciosp, mas eficiente na garantia da segurança das áreas vigiadas. Mas lhe faltou algo próprio da personalidade, voz grossa, de comando.

 

Kércio viu sua autoridade ser minada por delegados personalistas e eternamente insatisfeitos, a despeito dos altos salários que hoje recebem, e por um bando de aloprados que vestem a farda da PM para fazer política eleitoreira, não se lixando para a disciplina e a hierarquia. Na última que foi aprontada para prejudicá-lo, furtaram equipamentos de rádio de uma sala da própria SSP. Era o fim da linha. Caiu de maduro.

 

SAI O DELEGADO DA POLÍCIA FEDERAL, entra o delegado da Polícia Civil. O secretário da Segurança Pública agora é João Eloy Menezes, policial experiente, respeitado por petistas e pefelistas pela astúcia e coragem. No começo do governo Déda, ele foi cotado para ser superintendente da Polícia Civil, mas a ligação com o governo João Alves o descredenciou. Uma bobagem ideológica que esse governo agora tenta consertar — mas continua cometendo: se até os seguidores de Ana Lúcia Menezes no Sintese estão sendo jogados no limbo, imagine o tratamento para quem veio do governo inimigo…

 

Restará a João Eloy mostrar que tem pulso para controlar os seus amigos e inimigos delegados na Polícia Civil e os oficiais da PM que se tornaram adversários dos delegados desde que os soldos dos coronéis não atingiram o nível dos salários dos delegados.

 

CARLOS CAUÊ FINALMENTE CHEGOU à Secretaria de Estado da Comunicação Social. O governador Marcelo Déda nunca esteve satisfeito com a pasta e desde o ano passado cresceram os rumores de que a queda de Eloisa Galdino seria iminente, ou uma questão de tempo. Criou-se uma boataria danada, envolvendo inclusive este colunista, mas o secretário da Comunicação da Prefeitura de Aracaju sempre esteve cotado como o homem mais talhado para o cargo.

Amigo de Edvaldo Nogueira, militante do PC do B e, até por isso mesmo, muito ligado ao deputado federal Jackson Barreto, Cauê é do esquema de poder traçado em torno do PT desde sempre. Participante ativo das campanhas vitoriosas de Marcelo Déda, inclusive da que o elegeu governador, responsável direto pelo padrão convincente e agradável da propaganda da Prefeitura, ele é aguardado como aquele que estará disposto ao diálogo, coisa que faltou à pouco comunicativa Eloisa Galdino.

 

É papel do secretário manter um canal aberto e sincero com os jornais, as TVs, as rádios, as revistas, os portais na internet, mas, primordialmente, realizar a política de comunicação do governo, não se esquecendo de cuidar da imagem do governador. Marcelo Déda é um produto de marketing fácil de trabalhar, porque sabe falar e faz boa presença onde quer que apareça, mas não pode continuar acontecendo que ele mesmo tenha que aparecer para explicar o que não ficou bem entendido e, assim, salvar eventuais falhas de comunicação. A não ser que cultive um personalismo sem margem a mudanças midiáticas, e aí não tem Cauê que dê jeito.

 

HESITANTE NUM AMBIENTE PALACIANO normalmente tenso, e talvez por isso tenha se mostrado insegura, de difícil relacionamento, Eloisa acabou sendo promovida, porque encontrará na Secretaria da Cultura um local de trabalho mais calmo, embora com menos poder de fogo que a Secom. Se levar consigo os projetos festeiros que já vinha coordenando, como o Verão Sergipe, terá visibilidade maior que o ex-secretário Luiz Alberto, que vai embora sem ter conhecido a oportunidade de realizar alguma coisa marcante. Num governo voltado para o social, que esteja mesmo disposto a atacar as causas da violência, a cultura pode ser uma área de grande potencial se for encarada como prioridade. Assim como o esporte.

 

Ou se busca o essencial da cultura sergipana, alimentando o povo com sabedoria popular, ou se está fadado a acontecer o que aconteceu com as secretarias que foram extintas: as secretarias das Cidades e da Integração Municipal, do Turismo e dos Transportes e da Integração Metropolitana deixam de existir da mesma forma como foram criadas: passando a impressão de que a razão da existência delas era apenas abrigar os amigos Bosco Costa, João Augusto Gama e Bosco Mendonça. Pelo menos nesse aspecto a reforma administrativa já mostra algum resultado positivo.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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