Déda: oxigenar e renovar o PT

0

 

O governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT) foi destaque no jornal “O Globo” da segunda-feira,12, com uma entrevista de quase uma pagina falando sobre a atual situação do PT. Ao final, Deda foi questionado sobre a eleição para presidente da Republica em 2010. Leia toda a entrevista que tem o titulo “Precisamos oxigenar e renovar toda direção do PT”:

     

O Globo – Por que a disputa interna ficou fora da reunião do diretório nacional do PT?

Marcelo Deda – A reunião  foi marcada mais pelo clima de comemoração dos 27 anos. Foi um ato que teve como tarefa principal deflagrar a o processo de convocação do 3º Congresso. Por isso não tivemos grandes problemas nem maiores conflitos. O PT passa por um momento bom. Saímos fortalecidos das eleições, elegemos cinco governadores, conseguimos a maior votação para a Câmara e reelegemos o presidente Lula. Agora elegemos o presidente da Câmara e estamos construindo uma aliança fundada em um projeto de coalizão.

 

O Globo – O momento bom se estende ao governo Lula?

DEDA – Pela primeira vez desde que o presidente Lula assumiu, o governo federal tem um projeto de investimentos que recolocou o crescimento no vocabulário político e econômico do Brasil.

 

O Globo – As disputas internas não podem prejudicar esse clima positivo tanto no PT quanto no governo?

Deda: A disputa integra o DNA do PT e não é de modo algum prejudicial. O que pode prejudicar é a transformação da disputa em conflito. Como o 3º Congresso é um fórum de discussão ideológica e programática, não é um espaço para levantar crachás e escolher a direção, acredito que poderemos realizar um dos mais profundos debates da história do PT, preservando nossa unidade política. Agora, um dos valores mais caros do PT é a possibilidade de qualquer militante defender propostas, levá-las às instâncias do partido e fazer o enfrentamento democrático. No dia em que o preço da boa performance administrativa do PT for o silêncio das suas instâncias, estaremos começando a certificar o ocaso do partido.

 

O Globo – Esse direito de debate não foi cerceado nos últimos 15 anos, em que um só grupo tomava as decisões e as impunha ao partido?

Deda: Independentemente da avaliação que possamos ter dos métodos desta ou daquela corrente, de algumas vezes a disputa política ter transcendido os limites do racional e ter passado a ser quase que uma guerra civil, o partido cresceu, avançou a sua representação política, ampliou sua base social e eleitoral dentro de uma tradição democrática de disputa. A grande interrogação que nós fazemos é se o modelo clássico de hegemonia no PT ainda pode oferecer alguma contribuição ao crescimento do partido. Na minha opinião, ele esgotou-se porque houve uma série de problemas na condução desse processo de ampliação; houve um afastamento das bases do partido e das instâncias partidárias dos processos deliberativos. Com o isolamento desse grupo, testemunhamos a eclosão de uma grave crise política, mas com reflexos éticos que abalaram profundamente e que chegaram a pôr em risco o projeto do partido. Não se trata de jogar fora à experiência do passado, muito pelo contrário, mas para este novo momento é preciso um outro modelo de organização partidária. Precisamos desobstruir as artérias de discussão do partido, precisamos oxigenar e renovar a direção do PT e não conseguiremos isso se não atualizarmos nosso discurso, nosso projeto e nossa maneira de organização.

 

O Globo – Isso passa pelo sistema de tendências que disputam o poder no partido?

Deda: É uma questão emblemática. As tendências cumprem um papel importante ao articularem a militância e dão certa qualidade ao debate. Mas de um certo momento para cá, elas se cristalizaram e quase se transformaram em partidos internos dentro do PT. A disputa pelo aparelho partidário passou a justificar qualquer tipo de política e a permitir que cada vez mais a disputa de idéias fosse substituída por uma luta fratricida pelo controle do aparelho. Devemos ter coragem para rever o processo de decisão dentro do partido. Extinguir as tendências e as organizações internas do PT seria um erro, mas precisamos criar mecanismos que permitam que o militante independente possa disputar cargos de direção e ser incorporado às instâncias diretivas do partido. Quanto mais se compartilhar o poder no PT mais chances teremos de recolocar o partido em seu projeto original.

 

O Globo – O senhor tem idéia de um novo modelo?

Deda: Um modelo pronto e acabado, não tenho, mas acho que o partido precisa rever o processo de profissionalização de quadros. Quando os dirigentes são engolidos pela burocracia e a direção passa a ser uma profissão, muitas vezes a necessidade de se manter naquela posição justifica qualquer tipo de conflito. Para preservar seu espaço de poder e de sobrevivência, vale a pena tudo. O PT precisa de uma estrutura profissional, mas a direção deve ser preservada dos riscos de transformar a profissionalização em um fim em si mesmo. Esse processo eterniza certas pessoas em cargos de direção e impede a renovação dentro das próprias tendências.

 

O Globo – Tendo em vista o discurso do presidente Lula no jantar de 27 anos do PT, o senhor acha que ao governo interessam essas mudanças?

Deda: Em primeiro lugar, governos gostam de estabilidade. É importante que um militante do PT, como é o presidente da República, traduza as suas demandas enquanto governante: que o partido não abra crises, não estabeleça uma guerra fratricida que leve a divisões ou a prejudicar a performance que a organização partidária possa ter na sustentação do governo. Mas é preciso separar a briga fratricida estéril da disputa política. O pior mal que o PT pode oferecer agora ao governo Lula é interditar o debate. O PT tem uma agenda a resolver e todos temos que ter maturidade para travar essa disputa, mantendo o foco da nossa unidade na sustentação do governo Lula.

 

O Globo – A punição aos responsáveis pela crise cabe na agenda do PT?

 

Deda: Há dois caminhos que o PT não pode seguir. Será um equívoco gigantesco transformar o 3º Congresso em uma comissão de ética gigante. É equivocado transformar o 3º Congresso em um comitê de salvação nacional dirigido por um Robespierre para amolar as lâminas das guilhotinas até que outro apareça para cortar o pescoço do próprio Robespierre. Isso vai abrir crises, acirrar divisões e transformar a disputa em guerra civil. O partido tem instâncias para isso. Por outro lado, precisamos fazer com que o partido faça funcionar suas comissões de ética. Isso é natural. Por isso, o outro erro que o partido não pode cometer é ignorar as conseqüências éticas que a crise produziu na imagem do PT.

 

O Globo – O partido deve se engajar na campanha pela anistia a José Dirceu?

Deda: Essa é uma agenda do José Dirceu, que como todo cidadão brasileiro tem o direito de lutar pela sua inocência. Não é uma agenda do PT.

 

O Globo – O seu nome é sempre lembrado como possível candidato à sucessão de Lula em 2010. Como o senhor encara isso?

Deda:Assumi um compromisso com o estado de Sergipe que me impede tratar disso.

 

 

 

Dutra com um pé no governo federal

O presidente Lula adiou a reforma política para março, depois do carnaval. Porém anote; José Eduardo Dutra fará parte da nova equipe do governo federal.

 

Justiça será feita na Fundação Aperipê

Nesta terça-feira, as 11 h, atendendo ao apelo de jornalistas e radialistas, a diretora-presidente da Fundação Aperipê, Indira Amaral vai retornar o nome do auditório para radialista Santos Mendonça. Na administração anterior, atendendo a “pedidos” dos funcionários a diretora-presidente Marlene Calumby, o auditório recebeu o nome dela. Agora a justiça será feita. Por falar em Fundação Aperipê a ex-diretora disse recentemente no jornal Correio de Sergipe que todos trabalhavam quando ela estava à frente da Fundação. Será mesmo?

 

Retrocesso na informática da Assembléia

De um leitor assíduo da coluna: “Li ontem a notícia no site da Infonet que dizia que a Diretoria de Informática da Assembléia Legislativa seria assumida por Rivanda Farias. Por acaso é aquela ex-vereadora denunciada por compra de votos? Por acaso foi indicada por André Moura, aquele deputado também denunciado por compra de votos, ou pelo próprio Ulices Andrade? Pois é. A informática desta Casa Legislativa evoluiu muito nos últimos quatro anos sob o comando de Jorge Eduardo dos Santos, competente técnico da Agetis e que “transformou” aquela diretoria depois de ela ter ficado durante anos estagnada sendo usada como cabide de emprego. Agora vemos o Poder legislativo andar na contramão das mudanças que deveria tomar como exemplo o Poder Executivo. Depois de muito trabalho árduo para colocar as coisas funcionando bem, disponibilizar todas as leis estaduais para a população através da internet e criar uma moderna estrutura de informática é ridículo tirar um técnico e colocar uma apadrinhada política, visando apenas o interesse pessoal em detrimento do qualificado andamento daquela diretoria. É lamentável”. Pelo que se comenta nos bastidores a indicação não foi de André Moura e sim de Armando Batalha.

 

Deso e Energipe: reforço no carnaval

A Deso e a Energipe devem preparar um esquema de trabalho reforçado para o carnaval em Sergipe. Embora a capital não tenha os festejos de maneira mais vibrante, diversos municípios do interior, como Pirambu, Neópolis, São Cristóvão e as praias do litoral sul são bastantes visitadas. Nestes lugares é preciso que as duas empresas tenham um esquema preparado para atender a demanda dos foliões. Só um exemplo: a praia do Saco que é cantada em prosa e verso como atração turística tem uma freqüente falta de água e queda de energia elétrica. A população já não sabe a quem pedir socorro.

 

Designer lembra da diferença de logomarca, para marca ou logotipo I

Ao leitor uma matéria da Agência de notícias do governo estadual nesta coluna, sobre o lançamento de uma nova logomarca pela Degrase o leitor, Carlos Olivier, designer gráfico fez a seguinte reflexão: “Sei o colunista é extremamente preciso nas suas colocações, mas a palavra Logomarca é utilizada forma equivocada (para não dizer errônea) por muita gente, inclusive Publicitários e Marketeiros daqui de Sergipe e do Brasil. O certo seria: Marca ou Logotipo. No caso de Logotipo, se houver a junção com elementos tipográficos. Veja esse texto: Logomarca é um neologismo usado de forma empírica e genérica, para designar logotipo, símbolo ou marca, sem que haja consenso nem precisão absoluta ao que ele se refere, se apenas ao símbolo, ao logotipo ou à marca (enquanto combinação de ambos). O seu uso está popularizado no Brasil. No entanto, Tecnicamente o termo é considerado inadequado por não possuir a necessária precisão.

 

Designer lembra da diferença de logomarca, para marca ou logotipo II

Em seu livro “O Efeito Multiplicador do Design”, a designer Ana Luísa Escorel discute os problemas do termo logomarca. Ela lembra que a palavra logos, vem do grego significando conhecimento e também palavra. Portanto, logomarca significaria “palavra-marca” o que não faz sentido.“Curioso que áreas tão afeitas à moda e à terminologia usada internacionalmente para tudo o que diz respeito aos assuntos do setor, como a publicidade, o marketing e mesmo o design gráfico, desprezem as designações corretas, presentes nos artigos publicados pelas revistas especializadas do primeiro mundo. Nelas as palavras logotype, logo ou symbol pontuam cada página, para lembrar apenas os países de língua inglesa. ” (Ana Luísa Escorel – Em “O Efeito Multiplicador do Design” – Editora Senac, pág. 56)

 

Esportistas lamenta falta de parceria

De um leitor esportista: A Prefeitura de Aracaju, promoveu o Festival de Verão 2007, com muitas modalidades esportivas e diversos atletas envolvidos, no entanto não havia nenhuma referência nem publicidade no site de Secretaria de Esportes e Lazer do Estado( ultima atualização em 25/01), registro que a parceira Governo do Estado e Prefeitura de Aracaju, deveria existir nesta área tão importante”.

 

Explicação para os leitores

Este jornalista encontra-se em São Paulo tratando de assunto particular, mas optou por continuar escrevendo a coluna, porém não tem tido tempo para responder os e-mails e nem tão pouco os telefonemas. Assim que retornar a Aracaju todos os e-mails serão respondidos.

 

 

Frase do Dia

“A palavra “socialismo” sempre foi usado como Pinho Sol para remover os problemas do PT. Está na hora de o partido se assumir como social-democrata”. Frase do ex-senador José Eduardo Dutra publicada ontem no jornal Folha de São Paulo, sobre as teses que os grupos internos do PT preparam para o congresso em julho.

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
Comentários