CRACK: ONDE ESTÃO AS SOLUÇÕES?

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Ao longo dos anos, as drogas, que eram utilizadas como estigma de liberdade de expressão, no final do século XX,  a adentrar no século XXI,  tomam  proporções bastante desagradáveis, posto que os  maiores vitimados são , hoje, crianças , jovens e adultos, despreparados de alguma forma para entender esta realidade.

Quando pontuamos o critério respectivo ao uso de drogas, em princípio evidenciamos que , por muito tempo, camuflamos o assunto para que ele não fosse percebido em sociedade pelos vizinhos, colegas de trabalho e familiares. Procrastinamos tanto  as conversas e diálogos que , sob nossos olhos, o assunto foi dimensionando  e alastrou-se como um dos  males do último século e , de forma indubitável, do século presente.

É interessante pontuar que as famílias e as escolas, por  décadas, comportaram-se  não como células de agregação, mas de panoptismo perante os atos humanos. Aliás, Stuart Hall, escritor inglês, já pontua que as análises de Michel Focault explicitam um dos descentramentos do sujeito na sociedade moderna. E , na pós-modernidade, ou melhor, supermodernidade, continuamos perdidos em meio à absorção de tantos conceitos e à incapacidade de lidar e entendê-los. Todavia, retornando à forma de lidar da família e da escola, ambas ignoraram, reprimiram, ainda que de maneira velada, a existência de pessoas que já possuíam contato com os psicotrópicos.  Abordar a temática ligada às drogas era objeto de repressão, inclusive, aos professores, tachados de modernos demais, mais precisamente de apologistas ao uso de drogas, pois o fato de ser falar implicava no incentivo à busca do desconhecido. Engano. É por intermédio da fala, da palavra, que se rompem os paradigmas acerca , também, do que não se conhece.

Como consequência, criou-se uma habitualidade, primeiramente, em não se discutir o assunto; em segundo prospecto, em começar a falar, distribuir o discurso de que o uso de drogas implica em uma opção, como se não houvesse processos negativos, baseados na dependência químico-física e psíquica. Ponto maior, os entorpecentes, todos eles, dos lícitos aos ilícitos, dos pagadores de impostos aos financiadores de campanhas políticas no mundo,  propagaram-se como uma peste que segue desde a  classe miserável até o filho dos representantes dos poder, da classe média – um problema penoso para todas estas famílias, que insistem em enxergar a  droga , somente, na  célula social do outro, a ignorar que ela está dentro da própria casa.

Nesta semana, o governo do estado lança a campanha Sergipe contra o Crack. Não devemos desmerecer a vontade de se pontuar a resolução desta epidemia, mas por que , somente, agora, se vemos alunos usuários de drogas em sala de aula, e não se cobra das escolas, obrigatoriamente um acompanhamento mais próximo aos discentes, com psicólogos, fichas individuais, profissionais abalizados para lidar com as diversas realidades que se põem antepostas à pífia visão de que se resolverão com o uso das psicotrópicos?

Campanha contra o crack. Exato. Cic lotado. Lindo! Mas em que isto resolve se  a maioria dos dependentes sequer  quer tomar conhecimento das  resoluções sobre o que eles acham ser careta conversar. Campanha contra o crack. Exato. Entretanto, onde estão os profissionais capacitados nos hospitais, escolas  e na área pública para não ser agredida por outros que, infelizmente, foram vítimas do vício?

Temos acompanhado pelos meios de comunicação de massa que o noticiado pela mídia não representa a significância deste aspecto. As violências evidenciadas por conta desta problemática  resultam em um numerário abaixo do que realmente existe. Posto isto, se o Hospital de Urgência não atende , de maneira satisfatória, aos que possuem braços quebrados, matam-se pessoas vivas, dentre outras tantas realidades  assertivadas pelos médicos, quem cuidará  desta situação: sha-zan, she-ra, ou os amigos da escola? É necessário muito mais do que discurso, já que na realidade, ainda temos escolas sem aula, professores despreparados e médicos clamando por maiores salários e melhorias nas condições de trabalho. Nesta discussão , não cabem preconceitos acerca dos  que usam drogas, mas a consciência do que elas representam nos usuários. Sociedade real, discurso real e, sem muitas falas, providências reias.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.